Com retorno de Neymar, Brasil enfrenta a Coreia do Sul em jogo das oitavas de final da Copa

Camisa 10, que ficou fora das últimas duas partidas da Seleção, começará jogando no primeiro mata-mata do Mundial

Tem duas “Copas do Mundo”. A primeira, a da fase de grupos, em que acertos podem ser potencializados e erros, a depender do grau, são possíveis de serem corrigidos a tempo de não interferir na classificação à etapa seguinte. A segunda é mais exigente, não perdoa falhas e não permite uma segunda chance. O frio na barriga vai aumentar. É hora do mata-mata. O Brasil encara nesta segunda (5), às 16h (de Brasília), no estádio 974, a Coreia do Sul, pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2022, no Catar. Quem perder, cai fora. Empate até a prorrogação levará às penalidades. Quem ganhar permanece vivo no sonho do título.

Neymar volta

A notícia que os brasileiros mais aguardavam foi dita com uma palavra curta: sim. A afirmação é para a pergunta sobre o retorno do atacante Neymar, que se recupera de uma lesão no tornozelo. Categórico, o técnico Tite confirmou que o jogador será utilizado diante da Coreia. Outro regresso que acontecerá no mata-mata será o do lateral-direito Danilo, também vetado dos dois últimos confrontos por uma contusão parecida com a do camisa 10.

Na movimentação da véspera do jogo, Neymar participou normalmente com os demais companheiros. O atleta usou um spray analgésico para aliviar dores, além de anti-inflamatório. Com o retorno, a tendência é que o jogador forme o quarteto ofensivo ao lado de Vinícius Júnior, Raphinha e Richarlison. Na lateral, Danilo deve voltar, mas pode ser improvisado na esquerda, já que Alex Sandro ainda não se recuperou de dores no quadril e Alex Telles, outro nome da função, foi cortado da Seleção após lesão no joelho – mesmo caso do atacante Gabriel Jesus. Na direita, Tite pode acionar Daniel Alves ou Éder Militão no setor.

Mesmo com a derrota para Camarões, o Brasil segue como favorito diante da Coreia. O zagueiro Thiago Silva, porém, pediu atenção redobrada com os asiáticos, em especial com o craque da equipe, o meia Son, jogador do Tottenham/ING.

“Sabemos da qualidade da Coreia. Um time que joga para frente, gosta de ter a bola. Temos de minimizar o ímpeto deles para obter a classificação. O jogo passado não tem nada a ver com as oitavas de final de uma Copa do Mundo. O de agora será muito difícil e posso dizer que vamos estar preparados. Em termos de nomes (que preocupam), tem o Son, que sei da dificuldade que é jogar contra”, frisou Thiago, citando que já teve outros embates com o meia pelo fato de o defensor também jogar na Inglaterra, no Chelsea.

Contra a Coreia do Sul, Thiago vai igualar Cafu e Dunga na lista de jogadores que mais vezes assumiram a braçadeira de capitão do Brasil em copas, chegando ao décimo momento com a responsabilidade.

Coreia quer surpreender

O técnico da Coreia do Sul, Paulo Bento, pregou respeito à Seleção, principalmente com o regresso de Neymar, mas contou que os asiáticos vão traçar um plano para evitar que o Brasil avance para as quartas de final.

“Obviamente, nós seríamos hipócritas se disséssemos que não haveria diferença entre enfrentar o Brasil com Neymar e sem. Ele está em condições de jogar. Depois, conforme o ‘Mister’ Tite decidir se vai colocar o jogador desde o início ou não, a nós compete tentar fazer o melhor jogo e traçar a melhor estratégia possível para competir contra uma grande equipe recheada de talentos”, declarou.

Brasil e Coreia do Sul nunca se enfrentaram na história das Copas, mas já disputaram sete amistosos, com seis triunfos sul-americanos e um dos sul-coreanos.

Ficha técnica

Brasil
Alisson, Éder Militão (Daniel Alves), Marquinhos, Thiago Silva e Danilo; Casemiro e Lucas Paquetá; Raphinha, Richarlison, Neymar e Vini Júnior. Técnico: Tite

Coreia do Sul
Kim Seung-Gyu; Kim Moon-Hwan, Kim Young-Gwon, Kwon Kyung-Won e Kim Jin-Su; Jung Woo-Young, Hwang In-Beom e Lee Jae-Sung; Lee Kang-In, Cho Gue-Sung e Son Heung-Min. Técnico: Paulo Bento.

Local: Estádio 974 (Doha, Catar)
Horário: 16h
Árbitro: Clément Turpin (FRA). Assistentes: Nicolas Danos e Cyril Gringore (FRA)
Transmissão: Globo, SporTV, CazeTV (Twitch e Youtube)

Classificado para as oitavas de final da Copa, Brasil pega Camarões nesta sexta (2)

Técnico Tite poupará o time titular diante do jogo que pode ratificar o primeiro lugar da Seleção no Grupo G

Classificado para as oitavas de final da Copa do Mundo 2022 no Catar, o Brasil conhecerá hoje, após o jogo contra Camarões, às 16h (horário de Brasília), em Lusail, pela terceira rodada do Grupo G, o adversário do primeiro mata-mata da competição. Se terminar em primeiro, enfrentará o segundo da chave H. Caso fique na vice-liderança, pegará o líder do outro bloco. No caminho brasileiro, estão Portugal, Uruguai, Gana ou Coreia do Sul. Asiáticos e europeus jogam às 12h, na Cidade da Educação. No mesmo horário, os ganeses pegam os uruguaios, no Al Janoub.

Reservas em ação

Diante de Camarões, o Brasil vai entrar com um time completamente reserva, poupando os titulares para as oitavas de final. “É uma oportunidade de alto nível para eles competirem. É um risco? Sim, mas uma chance única para os jogadores mostrarem todo seu talento”, disse o técnico do Brasil, Tite.

Uma das novidades na escalação será a estreia do lateral-direito Daniel Alves, tornando-se o jogador mais velho a entrar em campo pela Seleção Brasileira em mundiais. “É um motivo de orgulho poder estar aqui ainda representando a Seleção. São muitos anos de história e encerrar esse ciclo jogando uma Copa do Mundo é uma satisfação enorme”, disse o lateral. Ele, inclusive, admitiu não estar no melhor momento de sua carreira, mas justificou sua presença no elenco. “Eu sei o que posso entregar para a Seleção Brasileira, para meus companheiros. É por isso que estou aqui. Me dá uma missão que eu executo. Confiança não se pede, se conquista”, frisou.

No lado de Camarões, o técnico Rigobert Song mantém esperança em uma classificação histórica para a próxima fase. “Será uma final. Vamos fazer de tudo para que possamos conquistar os três pontos”, declarou.

Possíveis encontros

Um encontro do Brasil com Portugal nas oitavas é a possibilidade mais difícil. Isso porque as seleções lideram suas respectivas chaves, com seis pontos cada. Para o Brasil perder a liderança, por exemplo, teria que ser derrotado por Camarões (terceiro, com um ponto) e a Suíça (segunda, com três pontos) bater a Sérvia (quarta, com um ponto). Ainda por cima, os suíços teriam que ou vencer por no mínimo dois gols de diferença ou torcer por um tropeço dos brasileiros por uma margem maior do que um gol. Os portugueses só perdem o topo se forem derrotados pela Coreia do Sul e Gana ganhar do Uruguai, também tirando diferença no saldo, que hoje é de 3×0 para os europeus.

Um jogo com a Coreia do Sul também seria surpresa. Os asiáticos, em terceiro, com um ponto, teriam de ganhar de Portugal. Depois, torcer para Gana (segunda, com três pontos) não vencer o Uruguai (lanterna, com um). Se o duelo entre eles terminar empatado, a equipe de Son terá de ganhar dos portugueses por dois gols de diferença para avançar no critério de saldo de gols. Se a Celeste vencer, a classificação também ficará com quem tiver melhor saldo. Atualmente, os ganeses têm zero e os sul-coreanos, -1.

Para um Brasil e Uruguai nas oitavas, a Celeste precisa ganhar de Gana e torcer para que a Coreia não derrote Portugal – ou vencer por uma margem inferior de gols. Os uruguaios têm saldo -2.

O mais provável é um encontro da seleção pentacampeã perante os africanos. Basta o time vencer e, a depender do jogo entre Portugal e Coreia, pode até ficar em primeiro. Se Gana empatar, terá que aguardar por um novo empate no outro duelo da chave ou por uma vitória dos portugueses para se classificar.

Ficha técnica

Brasil

Ederson; Daniel Alves, Bremer, Eder Militão e Alex Telles; Fabinho, Bruno Guimarães e Rodrygo; Antony, Gabriel Martinelli e Gabriel Jesus. Técnico: Tite

Camarões

Epassy; Fai, Castelletto, N’Koulou e Tolo; Kunde (Bassogog), Anguissa (Oum Gouet) e Hongla (Aboubakar); Mbeumo (N’Koudou), Choupo-Moting e Toko Ekambi (Ondoua). Técnico: Rigobert Song

Local: Lusail (Doha/CAT)
Horário: 16h
Árbitro: Ismail Elfath (USA). Assistentes: Kyle Atkins (USA) e Corey Parker (USA)
Alejandro Hernandez Hernandez (ESP)
Transmissão: Globo, SporTV, Fifa, CazéTV (Twitch e Youtube)

Décimo terceiro salário completa 60 anos. Saiba como foi criado o abono natalino

Gratificação, devida a empregados com carteira assinada, aposentados, pensionistas e servidores públicos, foi instituída em 1962, no governo de João Goulart.

O tão aguardado 13º salário — que alivia as finanças de milhares de brasileiros no fim de ano — completou 60 anos em 2022. A gratificação natalina — devida a empregados com carteira assinada, aposentados, pensionistas e servidores públicos — foi instituída em 1962, no governo de João Goulart. Foi uma dupla vitória para os brasileiros, que naquele ainda comemorariam o bicampeonato mundial de futebol, conquistado no Chile em 17 de junho.

A proposta que criou o 13º surgiu um pouco antes, em 1959, pelas mãos do então deputado federal Aarão Steinbruch (PTB-RJ). Aliás, a ideia nem era nova. Tratava-se do terceiro projeto sobre o assunto protocolado na Câmara dos Deputados.

Era também uma antiga pauta dos sindicatos, que viviam uma época de greves constantes. O projeto de Steinbruch, no entanto, vingou após uma árdua batalha ideológica entre parlamentares.

Após tramitar na Câmara, o texto passou pelo Senado em 27 de junho de 1962, dez dias após a vitória do Brasil na Copa. A aprovação no Congresso não foi fácil. Havia quem acreditasse no aumento da inflação, na elevação dos custos para as empresas, no crescimento do déficit público (por conta do pagamento do abono aos servidores públicos) e até na alta dos impostos. Diziam até que a economia nacional entraria em colapso e o país, em convulsões sociais.

O Brasil também não vivia seu melhor momento. Contra a vontade dos militares, Jango tinha assumido a Presidência da República em setembro de 1961, após a renúncia de Jânio Quadros.

Mas o projeto do 13º salário acabou aprovado pelos senadores e sancionado por Jango em 13 de julho daquele ano. Surgia, então, a Lei 4.090. A partir dali, caberia o pagamento de 1/12 avos do salário de dezembro para cada mês trabalhado.

A lei foi regulamentada em 1965, ou seja, já no regime militar, pelo presidente Castello Branco. Depois, outras alterações foram introduzidas pela Lei 4.749/1965. A principal delas foi a obrigação de os empregadores adiantarem metade do 13º (50%) entre fevereiro e novembro, caso fosse do interesse do trabalhador. Depois, veio o Decreto 57.155/1965, que esmiuçou artigos das duas leis e instituiu uma regra para os trabalhadores com remuneração variável.

O 13º salário, porém, não é uma exclusividade do Brasil. É pago também em Espanha, França, Itália e Portugal.

O que diz a Constituição
A Constituição de 1988 considerou o 13º salário um direito social dos trabalhadores (artigo 7º) e garantiu que direitos e garantias individuais (artigo 60) não podem ser extintos ou alterados por emenda constitucional. São as chamadas de cláusulas pétreas, que só podem ser ampliadas, nunca reduzidas.

Há, no entanto, quem defenda que a gratificação é um direito garantido aos trabalhadores, não sendo, portanto, um direito individual. Neste sentido, caberia uma emenda à Constituição para suprimir ou reduzir o direito ao 13º. A questão é: quem se colocaria contra o abono tão importante na vida do brasileiro, ainda mais agora que este se tornou um sexagenário?