Prisão de ex-secretário de Geraldo Julio acende alerta entre investigados da Operação Barriga de Aluguel

João Guilherme de Godoy Ferraz é apontado como operador ligado ao grupo do ex-prefeito e teria articulado contratos que somam mais de R$ 200 milhões com empreiteiras; investigação estava suspensa por decisão de Gilmar Mendes

Informações do Blog do Manoel Medeiros

A decretação da prisão preventiva do ex-secretário de Governo da Prefeitura do Recife, João Guilherme de Godoy Ferraz, ontem, revelada em primeira mão pelo blog do jornalista Ricardo Antunes, acendeu o alerta de pânico entre os dezenas de investigados na Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), trancada há sete meses por decisão monocrática de Gilmar Mendes. João Guilherme seria o principal operador do grupo do ex-prefeito Geraldo Julio que, apesar de muito discreto nos últimos anos, mantém relação de muita proximidade com o ex-prefeito João Campos (PSB), a quem chama de “amigo-irmão”.

Até ontem, no final da noite, a informação era de que João Guilherme não havia sido preso e que o vazamento do mandado poderia ter prejudicado a operação, que envolvia também buscas e apreensões. Uma das suspeitas é que ele tenha destruído provas no âmbito de investigações autorizadas pelo juiz federal da 13ª Vara do Recife, Cesar Arthur Cavalcanti de Carvalho. Há chance dele obter um habeas corpus nas próximas horas.

De acordo com fontes do Blog do Manoel Medeiros, e de documentos públicos, João Guilherme deixou o cargo na Prefeitura no final da gestão Geraldo Julio, de quem era braço direito, mas manteve e até mesmo ampliou sua participação nos bastidores da gestão do ex-prefeito João Campos (PSB).

A partir de sua articulação, a Prefeitura teria pago mais de R$ 200 milhões de reais – a maior parte sem licitação – a três empreiteiras ligadas ao mesmo empresário recifense, Carlos Augusto Góes Muniz. João Guilherme e Carlos Augusto têm relação de amizade muito próxima, quase familiar, pela própria ligação das suas famílias. Há registros em posse de órgãos de controle de diversas confraternizações dos dois em mansões no Litoral Sul do estado. A principal empresa de Goes, a Alca Engenharia, passou a faturar de forma mais significativa na primeira gestão de Geraldo Julio na Prefeitura (2013).

Outro ponto levado em consideração é que João Guilherme indicou seu primo, Osvaldo Hazin de Godoy, como ordenador de despesas da Secretaria de Saúde do Recife na gestão João Campos, especificamente na área de infraestrutura, por onde passavam os boletins de medição das empreiteiras. No caso da Saúde, as investigações também foram remetidas aos órgãos federais, já que envolvem recursos SUS. Há procedimentos no TCU, na Polícia Federal e no Ministério Público Federal.

O primo de João Guilherme foi mantido por João Campos na gestão municipal, tendo sido promovido pelo ex-prefeito a secretário-executivo de Inovação Urbana, onde está nomeado até hoje.

A decretação da prisão de João Guilherme de Godoy Ferraz, advogado, 50 anos, pode representar um avanço significativo na revelação de corrupção sistêmica nas gestões do Partido Socialista Brasileiro na Prefeitura do Recife e no governo de Pernambuco. Ele foi investigado em outras operações, a exemplo de atuações da Polícia Federal em torno da compra de respiradores de porcos na pandemia, além de ter sido alvo recentemente da Operação Check-list, que trata de pagamentos de propinas pela contratação de empresas de terceirização.

Um outro primo de João Guilherme, Luciano Cyreno Ferraz, seria outra ponta solta: ele foi alvo da Operação Articulata, com foco na relação entre o também homem forte das gestões do PSB Renato Xavier Thiebaut e o empresário do setor gráfico Sebastião Figueiroa. O primo de João Guilherme participaria do esquema, segundo o Ministério Público Federal, a partir de uma empresa de terraplanagem (Meta). A Operação Articulata tratou de contratos assinados na gestão estadual do ex-governador Paulo Câmara.

TCO registra supostas agressões envolvendo vereador Luciano Pachêco após show de Wesley Safadão

Três produtoras relataram agressões durante confusão próxima ao camarim; vereador de Arcoverde nega acusações, diz não ter sido notificado e afirma que repercussão tem motivação política

De acordo com informações do Portal 007

O vereador Luciano Pachêco (MDB), de Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, é suspeito de agredir três mulheres após um show de Wesley Safadão realizado em 26 de junho de 2025. O caso consta em um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) registrado pela Polícia Civil como lesão corporal e vias de fato.

As mulheres trabalhavam na produção do evento e prestaram depoimento à polícia após a confusão. Segundo os relatos, o episódio começou quando o vereador e outras pessoas tentaram se aproximar do camarim do cantor depois do encerramento do show.

De acordo com os autos citados pela reportagem, a Polícia Civil concluiu o TCO e encaminhou o procedimento ao Poder Judiciário. Em maio deste ano, o Judiciário abriu vista à 3ª Promotoria de Justiça de Arcoverde, ligada ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

Até a publicação da reportagem, o MPPE ainda não havia definido se apresentaria denúncia, proporia transação penal ou pediria o arquivamento. O órgão informou que o procedimento tramita sob sigilo e, por isso, não forneceu outros detalhes.

Produtoras relatam agressões após tentativa de acesso ao camarim

Uma das produtoras, de 41 anos, afirmou à polícia que encontrou Luciano Pachêco próximo ao camarim. Segundo ela, um homem que acompanhava o vereador tentava gravar o interior do espaço por uma abertura na estrutura.

A mulher relatou que avisou ao grupo que o período reservado para fotografias já havia terminado e que Wesley Safadão estava deixando o local. Ainda segundo o depoimento, ela pediu duas vezes que o homem interrompesse a gravação, mas ele teria continuado.

Nesse momento, a produtora tentou bloquear a abertura com a mão, e a discussão teria começado. Segundo o relato prestado à polícia, Pachêco segurou o braço dela com força e passou a chacoalhá-la.

A mulher afirmou que pediu para o vereador soltá-la. Conforme o depoimento, ele teria gritado que era presidente da Câmara Municipal e que “mandava no local”, além de dirigir ofensas verbais à produtora. Na época do episódio, Luciano Pachêco ocupava a presidência da Câmara Municipal de Arcoverde. Atualmente, ele disputa uma vaga de deputado federal por Pernambuco nas eleições de 2026.

Ainda segundo os depoimentos, o vereador teria dado um tapa no braço da produtora e empurrado um gradil. A estrutura atingiu outra integrante da equipe, de 19 anos, que estava grávida naquele período.

Uma terceira produtora, de 34 anos, afirmou que tentou intervir durante a confusão. Entretanto, segundo o relato, o homem que acompanhava o vereador a segurou pelo pescoço com um golpe descrito como “mata-leão”. A mulher também declarou que Pachêco teria avançado contra ela e a empurrado. Depois disso, seguranças levaram as três produtoras para outro espaço do evento.

Laudos apontaram lesões em duas mulheres

De acordo com a reportagem, exames realizados pelo Instituto de Medicina Legal (IML) identificaram lesões em duas das três mulheres. Na produtora de 41 anos, o exame constatou um inchaço de aproximadamente oito centímetros no antebraço esquerdo.

Já a mulher que relatou ter sofrido a imobilização pelo pescoço apresentou escoriações na mão esquerda. Assim, os documentos médicos registraram sinais compatíveis com lesões relatadas pelas produtoras.

A jovem grávida não apresentou lesões físicas aparentes no exame. No entanto, ela relatou redução na movimentação do feto após ser atingida pelo gradil e recebeu orientação para procurar uma maternidade.

Não há informações divulgadas sobre o estado de saúde posterior do bebê. Além disso, a reportagem informou que outras duas pessoas teriam sofrido agressões durante a confusão, mas não há registro público de eventual comparecimento delas à polícia.

Vereador contesta acusações e cita período eleitoral

Luciano Pachêco afirmou que nunca recebeu notificação, intimação ou convocação formal das autoridades para apresentar sua versão sobre o episódio. O vereador também declarou que não tinha conhecimento oficial da tramitação do TCO.

Em nota, Pachêco repudiou qualquer forma de violência contra a mulher e ressaltou que não existe denúncia apresentada pelo Ministério Público nem condenação relacionada ao caso. Segundo ele, sua defesa acompanha o procedimento e busca esclarecer os fatos.

O parlamentar também questionou o momento em que o episódio ganhou repercussão pública. Nesse contexto, relacionou a divulgação ao período eleitoral de 2026 e ao lançamento de sua candidatura a deputado federal, alegando sofrer perseguição de natureza política.

Além disso, Pachêco afirmou possuir registros em vídeo que, segundo ele, devem integrar a análise das autoridades. Até o momento, porém, não há denúncia formal nem condenação contra o vereador nesse procedimento, que segue sob análise das instituições responsáveis.

Ministério Público aciona Rorró Maniçoba por abuso de poder econômico e político na campanha de 2024

MPPE pede cassação do diploma de eleitos e inelegibilidade de Rorró Maniçoba e Bia Numeriano por oito anos. Ação aponta uso indevido da máquina pública e coação de eleitores.

O Ministério Público de Pernambuco protocolou, na Justiça Eleitoral de Floresta, uma Ação de Investigação de Eleitoral (AIJE) contra Rorró Maniçoba por uso abuso de poder político e econômico por atos praticados durante a campanha de 2024. Caso seja condenada, a gestora poder ter o mandato cassado e ficar inelegível durante oito anos.

De acordo com o Ministério Público houve abuso de poder político pelo excesso de servidores temporários contratados durante o ano eleitoral e sem excepcional interesse público, perseguição política aos servidores cedidos pelo Governo do Estado há mais de 20 anos para trabalharem no Hospital Municipal Coronel Álvaro Ferraz, em Floresta, e uso de festividades locais apoiadas pela prefeitura do município em favorecimento da campanha de Rorró Maniçoba e Bia Numeriano.

Ainda segundo o órgão, aconteceram abusos de poder político e econômico através de bloqueios e ameaça de bloqueios do benefício do programa Bolsa Família e a facilitação da concessão do mesmo benefício aos eleitores da Chapa Rorró e Bia e de Tiago Maniçoba, popularmente conhecido como Pebinha. Recentemente a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na secretaria de assistência social do município.

É evidente que a Chapa Rorró e Bia implantou, no âmago da estrutura municipal, cabos eleitorais com a função específica de tolher a liberdade de voto da população carente, por meio de coação, ameaçando retirar o seu sustento, que é oferecido a pessoas que sequer possuem o mínimo para sobreviver de maneira digna”, afirmou o Ministério Público Eleitoral.

Entre os diversos pedidos, o MPPE requereu o reconhecimento dos abusos do poder político e econômico praticados nas eleições municipais de 2024, a cassação do diploma dos eleitos e a inelegibilidade por oito anos.