Lula dispensa 40 militares que atuavam no Palácio do Alvorada uma semana após atos terroristas

Também foram dispensados mais três militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Após demonstrar desconfiança com os militares que atuam no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dispensou 40 integrantes das Forças Armadas que atuavam na Coordenação de Administração do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. Lula e a primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja, planejam se mudar para o local depois da viagem para a Argentina, no dia 25 de janeiro.

Também foram dispensados mais três militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que atuam na Coordenação-Geral de Operações de Segurança Presidencial.

As dispensas foram publicadas nesta terça-feira no Diário Oficial da União (DOU). Além dos 40 militares do Palácio da Alvorada, foram dispensados o 2º tenente do Exército Brasileiro, Luciano Cerqueira de Araújo, e o cabo da Força Aérea Brasileira, Jasian Pereira Cardoso, que atuavam na Coordenação-geral da Administração das residências oficiais.

O segundo trabalhava na Granja do Torto, uma das residências oficiais, mas que era ocupada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes no fim do governo de Jair Bolsonaro.

Na última semana, ao falar sobre os atos terroristas de 8 de janeiro, Lula acusou “gente das Forças Armadas” de ter sido conivente com a invasão do Palácio do Planalto e afirmou estar convencido de que as portas da sede do Executivo foram abertas para os golpistas. Ele disse ainda que não pode ficar “nenhum suspeito de ser bolsonarista raiz” no Palácio.

— Eu ainda não conversei com as pessoas a respeito disso. Eu estou esperando a poeira baixar. Quero ver todas as fitas gravadas dentro da Suprema Corte, dentro do palácio. Teve muito gente conivente. Teve muita gente da PM conivente. Muita gente das Forças Armadas aqui dentro conivente. Eu estou convencido que a porta do Palácio do Planalto foi aberta para essa gente entrar porque não tem porta quebrada. Ou seja, alguém facilitou a entrada deles aqui — disse Lula, durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, na quinta-feira.

O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, afirmou em entrevista ao GLOBO no domingo que o GSI, responsável pela segurança dos prédios, será quase 100% renovado para “ter uma oxigenação”.

— O GSI está sendo mudado. Quase 100% dele será renovado para ter uma oxigenação, para botar pessoas com maior treinamento, com maior capacidade de ação e de reação. Temos que garantir um padrão de treinamento que permita proteger os três Palácios, símbolos das três instituições do Brasil.

Como o Globo mostrou, dos 80 integrantes de cargos de confiança que compõem o órgão, apenas sete foram exonerados desde a posse do petista — menos de 10% do total.

Hoje, o GSI é composto por cerca de 1.100 servidores — incluindo o pessoal da área administrativa —, sendo 80 integrantes de cargos de confiança. As mudanças promovidas até agora ocorreram de forma pontual na Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial e em departamentos ligados à logística e à capacitação.

A maioria do efetivo do GSI é composta por militares das Forças Armadas, principalmente em áreas sensíveis como na segurança de autoridades e instalações. Mas também há civis que integram, em especial, as áreas administrativa e de planejamento.

Lula e Janja visitaram o Alvorada pela primeira vez em 3 de janeiro, quando avaliaram as condições do local. De acordo com a primeira-dama, havia infiltrações, janelas quebradas, danos em tapetes e sofás rasgados.

Em 4 de janeiro, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, visitou a residência oficial e afirmou ao GLOBO ter ficado “assustado” com o estado de conservação do palácio que, na descrição dele, mais “parecia um bunker”.

— Ao visitar a casa do presidente, fiquei assustado, porque parecia que não era uma residência presidencial. A sensação era de que parecia um bunker, várias salas com uma bateria de computadores, onde parece que trabalhavam várias pessoas. O ambiente todo estava arrumado não como uma residência do presidente da República, mas sim como se fosse um local de trabalho de combate — disse Costa na ocasião.

Consórcio Nordeste lança, hoje (18), o Cena Nordeste Festival, evento que vai ser realizado em conjunto pelos nove estados da região

Serão nove encontros ao longo de 2024 em cada uma das capitais nordestinas e mobilizando oito linguagens culturais diferentes.

Vai ser oficialmente lançado, na tarde desta quinta-feira (18), o Cena Nordeste Festival, uma iniciativa artístico-cultural inédita que vai mobilizar os nove estados da região em encontros que ao longo do ano vão percorrer todas as capitais nordestinas. A solenidade de abertura acontece no Mercado Eufrásio Barbosa, de Olinda, em Pernambuco, a partir das 15h, com a presença das governadoras Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, que é a atual presidenta do Consórcio Nordeste, e Raquel Lyra, de Pernambuco, a anfitriã do evento.

O Cena Nordeste Festival é uma iniciativa do Consórcio Nordeste que começou a ser gestado em 2023 pela Câmara Temática da Cultura da entidade. E que agora em 2024 começa a ser executado a partir do esforço conjunto de todos os nove estados. Em cada um dos encontros a serem realizados, haverá um intercâmbio nas linguagens de audiovisual, grafite, teatro, dança, circo, forró, cultura popular e música.

A dinâmica é a mesma. São nove finais de semana de festival ao longo do ano, sempre em um estado diferente. Da mesma forma, a cada novo final de semana os estados visitantes ficam responsáveis por uma linguagem cultural diferente. Todos, assim, serão anfitriões uma vez e responderão uma vez por cada uma das linguagens.

Atual presidenta do Consórcio Nordeste, a governadora Fátima Bezerra ressalta a importância do projeto e comemora o início de iniciativa tão promissora para as trabalhadoras e os trabalhadores de cultura da região:

Mais do que apenas uma celebração da arte e da cultura nordestina. O Festival Cena Nordeste simboliza o compromisso do Consórcio Nordeste em promover o intercâmbio cultural entre os estados da nossa região, em fortalecer nossa identidade regional e impulsionar o desenvolvimento econômico por meio do turismo cultural. É um movimento que busca democratizar o acesso à cultura, proporcionando ao país a oportunidade de vivenciar e apreciar as riquezas da nossa arte e tradição”.

Depois do lançamento desta quinta-feira (18), os encontros do Cena Nordeste se iniciam de fato nos dias 10 e 11 de maio, em João Pessoa. A cidade foi escolhida para abrir a edição de 2024 porque o início dos debates para a realização do festival foi proposto ainda no ano passado por Pedro Santos, que é secretário de Estado da Cultura da Paraíba e atual coordenador da Câmara Temática da Cultura do Consórcio Nordeste.

Estamos celebrando a construção do Cena Nordeste, que é um projeto que reúne os nove estados nordestinos em torno da circulação, da troca, do intercâmbio artístico. Várias linguagens envolvidas e todos os estados participando. Isso é algo inédito de se ver e é por isso que estamos tão orgulhosos de levar de forma conjunta toda essa ideia adiante”, celebra Pedro.

Após João Pessoa, o Cena Nordeste vai passar por Maceió (7 e 8 de junho), São Luís (5 e 6 de julho), Teresina (2 e 3 de agosto), Recife (31 de agosto e 1º de setembro), Natal (21 e 22 de setembro), Aracaju (11 e 12 de outubro), Fortaleza (16 e 17 de novembro) e Salvador (7 e 8 de dezembro).

Nos diferentes encontros, as atrações serão definidas sempre por curadores locais contratados pelos estados. O anfitrião fica responsável pela hospedagem de quem chega, e os visitantes custeiam o traslado de quem viaja. São esses e outros detalhes do projeto que serão apresentados em Olinda.

Ver essa união dos estados nordestinos se concretizando em uma programação tão expressiva e potente para a nossa cultura é muito significativo. Esse encontro reforça também a atividade da Câmara Temática da Cultura no Consórcio Nordeste, que está colocando em prática um programa inovador e que, com certeza, vai impulsionar diversos outros movimentos culturais regionais“.

Vamos trabalhar de forma integrada e com muito diálogo para que o Cena Nordeste se expanda, visibilizando no plano nacional a rica e plural produção cultural nordestina, e seja um potencializador de novos talentos regionais em suas mais diversas linguagens”, destaca a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula.

Em cada um dos eventos do Cena Nordeste Festival, vai haver ao longo de dois dias exibição de curtas-metragens, espetáculos de teatro, de circo e de cultura popular, apresentações de forró, dança e outras expressões musicais, produção de grafites. Sempre em um centro cultural da cidade-sede, com acesso gratuito do público local.