Julho Amarelo: especialista alerta para avanço silencioso das hepatites virais

Hepatologista do Hospital Memorial São José destaca a importância do diagnóstico precoce para prevenir complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado, além de orientar sobre prevenção e testagem

As hepatites B e C podem permanecer silenciosas por anos, fazendo com que muitas pessoas só descubram a infecção durante exames de rotina ou quando a doença já apresenta comprometimento mais avançado do fígado. No Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, o hepatologista Vitor Madeiro, do Hospital Memorial São José, da Rede D’Or, alerta sobre a importância da testagem como parte dos cuidados de rotina com a saúde e reforça o papel da prevenção.

“Você pode ter uma doença séria no fígado e não sentir absolutamente nada. Pode viver com ela por anos sem apresentar nenhum sintoma”, afirma o especialista.

Segundo o hepatologista, quando aparecem, os sintomas podem estar associados a fases mais avançadas da infecção ou ao comprometimento do fígado. Entre os sinais de alerta estão cansaço, desconforto ou dor abdominal e icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos.

O diagnóstico precoce é fundamental para identificar as infecções crônicas e iniciar o tratamento adequado, reduzindo o risco de complicações. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que as hepatites virais provocam cerca de 1,3 milhão de mortes por ano no mundo. As hepatites B e C, quando não diagnosticadas e tratadas, podem evoluir para complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Prevenção e tratamentos

“As hepatites podem ser prevenidas. A boa notícia é que temos vacinas contra as hepatites A e B e, no caso da hepatite C, contamos com tratamento oral, de baixo perfil de efeitos colaterais e alta eficácia”, destaca o hepatologista.

O médico também orienta quem deve realizar a testagem: “Quaisquer pessoas podem realizar essas testagens, em especial aquelas que tem alterações nos exames do fígado ou foram submetidas a cirurgias, que fizeram piercing ou tatuagens, ou que, em algum momento, foram expostas a sangue de outras pessoas ou tiveram relações sexuais desprotegidas, precisam fazer esses testes virais”, detalha.

“Cuide da sua saúde, visite seu médico e faça uma avaliação”, reforça Vitor Madeiro.

Um perigo silencioso chamado Hepatite B: 6 em cada 10 brasileiros não sabem que estão infectados; saiba os sintomas

A hepatite B é uma infecção viral do fígado que pode ter consequências graves e, em alguns casos, fatais. Muitas pessoas podem ser portadoras assintomáticas da doença e não saberem que estão infectadas. Segundo dados do Ministério da Saúde no relatório Hepatites Virais 2023, mais de 276 mil pessoas foram diagnosticadas com hepatite B no Brasil, mas estima-se que um milhão de pessoas estejam infectadas com o vírus no país. O que representa um quadro de seis em cada dez brasileiros infectados sem saber que precisam buscar tratamento médico para a doença.

“É importante destacar a importância da vacinação contra a hepatite B como forma de prevenção da doença. A vacina é altamente eficaz e segura e é recomendada para todas as pessoas, especialmente aquelas com maior risco de contrair a doença”. Afirma o médico e diretor técnico da Salus Imunizações, Dr. Marco César Roque.

Além da vacinação, existem outras medidas de prevenção que podem ajudar a reduzir o risco de contrair a hepatite B. Práticas sexuais seguras, não compartilhamento de agulhas ou outros equipamentos de injeção, triagem de sangue para transfusões e cuidados no manuseio de materiais cortantes em ambientes de saúde são algumas das medidas recomendadas.

“Vale ressaltar que a hepatite B pode ser assintomática por muitos anos e que a detecção precoce da doença é fundamental para prevenir a progressão para estágios mais graves, como cirrose e câncer de fígado. Por isso, é importante que as pessoas em risco de contrair a doença façam testes de detecção regularmente”. Destaca o Dr. Marco César Roque.

 

Na maioria das vezes, os sintomas somente se apresentam nas décadas seguintes à infecção, o que torna mais difícil detectar a doença. No entanto, quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

• Cansaço: fadiga extrema e falta de energia

• Tontura: sensação de que o ambiente está girando ou que a pessoa está prestes a desmaiar

• Dor abdominal: desconforto ou dor na região do abdômen

• Pele e olhos amarelados: icterícia, que é um amarelamento da pele e dos olhos devido ao acúmulo de bilirrubina no corpo

• Enjoo: sensação de náusea ou mal-estar abdominal

• Vômitos: expulsão do conteúdo do estômago pela boca

• Febre: elevação da temperatura corporal acima do normal

O tratamento para a hepatite B pode incluir o uso de medicamentos antivirais que ajudam a reduzir a quantidade de vírus no corpo e a diminuir a inflamação no fígado. O tratamento também pode incluir o uso de imunomoduladores para ajudar o sistema imunológico a combater o vírus.

A hepatite B é uma das principais causas de câncer de fígado em todo o mundo. É importante que as pessoas com hepatite B crônica recebam acompanhamento médico regular e sigam as recomendações de tratamento para reduzir o risco de complicações graves.

“A vacina é uma das maiores conquistas da medicina moderna e é uma forma segura e eficaz de proteger a saúde das pessoas. Não deixe de se vacinar e de incentivar as pessoas ao seu redor a fazerem o mesmo. Juntos, podemos ajudar a prevenir a disseminação da hepatite B e proteger a saúde da população”. Finaliza o Dr. Marco César Roque.

Mais Sobre Marco César Roque:

Diretor Técnico da Clínica de Vacinas Salus Imunizações

Médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos com

residência em Neurologia Pediátrica pelo Hospital do Servidor

Público Estadual- IAMSPE, responsável pelo setor de Neurologia

Pediátrica do Grupo Santa Joana. Membro da Sociedade Brasileira de

Neurologia Infantil, é preceptor do programa de Residência Médica

do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus -PMSP.