Frente Parlamentar Invasão Zero: Coronel Alberto Feitosa lidera combate às invasões no Estado

Movimento parlamentar busca conter invasões do MST e promover estabilidade no campo.

O combate às ações violentas das invasões e protestos do MST tem ganhado força das bancadas parlamentares.
Em Pernambuco, a Frente Parlamentar Mista Invasão Zero vai ter o deputado Coronel Alberto Feitosa como coordenador estadual. O convite veio do deputado federal Zucco, coordenador nacional da Frente Parlamentar, e do deputado federal Coronel Meira.

O objetivo da Frente, formada por deputados federais e estaduais, ė  combater a baderna provocada pelas invasões do MST,  se contrapor a vetos ao Marco Temporal e a apoiar projetos de interesse do agronegócio.

“No governo Bolsonaro, as invasões do MST estavam pacificadas. No governo da esquerda onde o presidente justifica  roubo de celularzinho e veste boné  do MST, a baderna se sente em casa. Em 4 anos, foram 62 invasões contra 98 invasões em pouco mais de um ano do Governo do PT. Desde que e esquerda assumiu novamente voltaram as ações violentase  a desordem. Protestos fecham as estradas comprometendo a área de saúde no  transporte de pacientes para atendimento , comprometendo o setor econômico e de serviços com o bloqueio das rodovias que impedem a passagem do caminhões com mercadorias e insumos. Isso precisa de um basta”, disparou o deputado Coronel Alberto Feitosa

Combate ao Câncer: fronteiras da inovação e a revolução do cuidado são temas de Congresso internacional em São Paulo

Os principais avanços tecnológicos que têm mudado o tratamento de câncer e as inovações desenvolvidas por cientistas brasileiros estarão presentes no 11º Congresso Internacional Oncoclínicas e Dana-Farber, que acontece entre os dias 14 e 16 de setembro,  e terá formato híbrido, com transmissão online ao vivo e presencial no WTC São Paulo Events Center. Regido pelo tema “Oncologia do Futuro: as Fronteiras da Inovação e a Revolução do Cuidado”, o foco dos debates e apresentações desta edição estão voltados para as tecnologias de inteligência artificial, oncologia de precisão, ampliação da diversidade e acessibilidade aos tratamentos e cuidados multidisciplinares no combate ao câncer.

“Muitos dos estudos apresentados em congressos internacionais este ano, e que traremos para o debate dentro do que observamos no Brasil, vão mudar ou influenciar a prática clínica atual. Há avanços notáveis no âmbito da genômica, que têm demonstrado resultados promissores na oncologia de precisão. Isso significa que estamos avançando em direção a tratamentos cada vez mais personalizados, permitindo estabelecer as terapias mais adequadas no momento certo para o paciente certo. Essas são estratégias importantes que a comunidade médica, em todo o mundo, vem destacando como essencial para continuar a fazer progressos nas terapias contra o câncer e, consequentemente, melhorar os desfechos para os nossos pacientes, assegurar qualidade aos médicos e proporcionar eficiência máxima aos nossos parceiros”, afirma Bruno Ferrari, fundador e presidente do Grupo Oncoclínicas.

Outras novidades que serão apresentadas nos três dias do evento abordarão o reconhecimento da análise molecular dos tumores como um caminho para novos tratamentos. Segundo Carlos Gil Ferreira, diretor médico do Grupo Oncoclínicas e presidente do Instituto Oncoclínicas, todos esses enfoques incluem as pesquisas e aplicações de terapias avançadas no combate à doença, entre os quais a imunoterapia, o Car-T Cell e outras terapias celulares, com foco cada vez maior na individualidade de cada paciente.

“As pesquisas em oncologia, no mundo e no Brasil vêm caminhando com esse foco, cada vez mais individualizado: são terapias direcionadas para cada tipo de tumor e suas mutações específicas, de forma personalizada. Conforme avançamos mais no conhecimento genômico, podemos adotar estratégias terapêuticas que vão muito além da quimioterapia. Fora isso, uma das perspectivas que também podemos observar para o futuro dos tratamentos é o olhar global para esse paciente pensando em seu contexto genético, socioeconômico, familiar e de qualidade de vida. E isso também acaba entrando na acessibilidade aos tratamentos e inovações, assuntos que também vão pautar a programação deste ano”, explica o médico.

Evento reunirá mais de 5 mil especialistas 

Ao todo, o Congresso Internacional Oncoclínicas e Dana-Farber Cancer Institute terá mais de 300 palestrantes, entre convidados nacionais e internacionais, com a apresentação de 16 módulos nas temáticas de ginecologia, pulmão, mama, urologia, hematologia, gastrointestinal, medicina de precisão, sarcoma, pele, cabeça e pescoço, sistema nervoso central, multidisciplinar, cuidados paliativos, neuroendócrinos, onco-hemato-pediatria, radioterapia. 

O evento contará ainda com a palestra de Marcelo Gleiser, cientista de renome internacional, professor titular de física e astronomia no Dartmouth College, com doutorado pelo King’s College de Londres, que abordará a questão da inteligência artificial e suas implicações para o futuro com foco no cenário da Medicina. Ao todo, é esperada uma audiência total de mais de 5 mil participantes, entre os quais oncologistas e médicos de diferentes especialidades, cirurgiões, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros especialistas multidisciplinares envolvidos na linha de cuidado oncológico.

“A ideia, como de todo o congresso, é não só apresentar inovações – que são fundamentais e centrais, mas abrir espaço para discussões, debates e intercâmbio de conhecimentos em diferentes áreas da oncologia – e não apenas das doenças em si. E esse ano, a programação reúne esforços exatamente nesse sentido, sempre tendo o paciente no centro de todos os módulos do congresso”, enfatiza Max Senna Mano, oncologista do Grupo Oncoclínicas e coordenador do Congresso.

A apresentação de casos clínicos para diversos tipos de câncer, como de mama e pulmão, e painéis com as visões multidisciplinares de especialistas permeiam ainda a agenda dos três dias de evento. Nessa linha também estão na grade de programação mesas de discussões que ampliam a visão sobre a jornada de cuidado oncológico e caminhos para a assistência inclusiva. Sobrevivência do câncer, robótica, nutrição e cuidados paliativos, da mesma forma, estão presentes nas temáticas de diferentes salas.

Inteligência artificial

O assunto quente do momento é a Inteligência Artificial (IA) que, muito além de hologramas, games e redes sociais, também é utilizada na medicina, e a oncologia é uma das áreas que mais tem apresentado inovações, especialmente conectadas com a genômica e a medicina de precisão. “A genômica é a ciência que estuda a estrutura e a função dos genes, incluindo a identificação de mutações específicas associadas ao câncer. A inteligência artificial (IA), por sua vez, é uma tecnologia de aprendizado de máquina que pode ser usada para processar grandes quantidades de dados e identificar padrões complexos que humanos não seriam capazes de reconhecer”, afirma o oncologista Rodrigo Dienstmann, diretor médico da Oncoclínicas Precision Medicine, do Grupo Oncoclínicas.

Com isso, as duas ferramentas combinadas fornecem informações mais precisas e personalizadas sobre a doença. Por exemplo: testes genômicos que identificam mutações específicas e detectam a eficácia de determinados tratamentos. A partir da análise do sequenciamento de genes do câncer, algoritmos de IA podem priorizar alterações patogênicas e associá-las a outros dados clínicos, como estágio da doença e exposição a terapias prévias, para predizer ajudar o melhor tratamento para cada paciente de forma individualizada.

“O conhecimento coletivo da genômica do câncer em diferentes populações ajuda a compreender os mecanismos específicos da doença de um paciente, identificando as alterações responsáveis pela progressão do tumor que o tornam resistente ao tratamento. O objetivo é identificar as alterações genômicas mais relevantes para o tumor e que podem ser bloqueados com terapias alvo molecular ou imunoterapias”, explica Rodrigo Dienstmann.

Diversidade ainda é desafio

Discutir questões que atingem milhões de pessoas, de diversas regiões, culturas e histórias de vida, impõe também abordar a equidade de acesso ao cuidado oncológico, tanto para quem recebe o tratamento, como nas frentes de pesquisa, aspectos prioritários para os organizadores do Congresso.

Os tratamentos mais avançados ainda são feitos e acessados por poucos: a baixa presença de grupos minorizados raciais e de gênero, no acesso e também na linha de frente, são preocupações. Segundo Abna Vieira, oncologista da Oncoclínicas e Líder do Programa Multidisciplinar na área de Diversidade do Congresso, há um debate na academia, inclusive, sobre a participação racial desigual em amostras que são usadas em laboratórios.

“A gente observa uma prevalência de pessoas brancas e de origem europeia nas pesquisas científicas. Isso segrega a busca por inovações e soluções, deixando fora as particularidades de algumas populações, que terão acesso a drogas, por exemplo, menos eficazes”, comenta.

A atenção à promoção de linhas de cuidado voltadas para a população LGBTQIAPN+ também é um dos temas que serão abordados.

“Focar em como podemos melhorar essa situação e abordar a diversidade de aspectos que vão além do diagnóstico e dados estatísticos de incidência, com olhar de lupa para as diversas questões que também geram impactos no controle da doença e na qualidade de vida da pessoa com câncer, é fundamental”.

Multidisciplinaridade em pauta 

À medida que avançamos nas pesquisas em Oncologia, estamos cada vez mais conscientes da complexidade da assistência ao paciente com câncer. Além dos tratamentos médicos, reconhecemos a interconexão de diversos fatores que desempenham papéis fundamentais ao longo da jornada do paciente.

Cristiane Bergerot, Líder Nacional da Equipe Multidisciplinar do Grupo Oncoclínicas, destaca a crescente relevância desses fatores na oncologia, que serão amplamente debatidos no congresso Internacional Oncoclínicas e Dana-Farber. “Esses fatores abrangem não apenas os sintomas emocionais, físicos e funcionais, mas também as dimensões social e familiar, bem como os desafios financeiros enfrentados pelo paciente e as sequelas do tratamento, como por exemplo, a fertilidade. Esses e outros temas serão aprofundados durante esse congresso, reforçando nossa missão de ir além da simples gestão da doença”, finaliza.

Dia Nacional de combate ao fumo 2023

Dia Nacional de Combate ao Fumo – 29 de agosto – foi criado em 1986 pela Lei Federal nº 7.488 e tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população brasileira contra os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. Esta foi a primeira legislação, em âmbito federal, relacionada à regulamentação do tabagismo no Brasil.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a epidemia do tabagismo entre as maiores ameaças à saúde pública que a humanidade já enfrentou. É a maior causa isolada evitável de mortes precoces em todo o mundo, e considerado como uma doença crônica devido à dependência da nicotina presente nos produtos derivados do tabaco. É a maior causa evitável de doença e morte no mundo de acordo com a OMS.. Anualmente, morrem mais de 8 milhões de pessoas, sendo que mais de 7 milhões dos óbitos são atribuíveis ao tabagismo ativo e 1,2 milhão ao tabagismo passivo. No Brasil, são estimadas cerca de 156 mil mortes anuais (428 mortes por dia) devido ao tabagismo.

Os produtos do tabaco são consumidos de diversas formas (fumados, inalados, aspirados, mascados ou absorvidos pela mucosa oral). No Brasil, predomina o uso do tabaco fumado. Os produtos derivados da combustão do tabaco contêm aproximadamente 7 mil substâncias tóxicas, que são responsáveis direta ou indiretamente por cerca de 55 doenças. Entre estas, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) – doenças cardiovasculares, doenças cerebrovasculares, doenças respiratórias crônicas, câncer e diabetes, que são responsáveis por 7 entre cada 10 mortes prematuras no mundo.

A exposição de adultos não-fumantes à poluição do ambiente causada pela fumaça ou vapor do tabaco (tabagismo passivo) aumenta as chances de apresentarem as mesmas doenças dos fumantes. As crianças têm maior risco de infecções respiratórias, otites de repetição, asma brônquica, perda da função pulmonar e morte nos primeiros anos de vida, além de câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica na vida adulta. As gestantes que fumam têm risco aumentado de complicações da gravidez (abortos, partos prematuros, descolamento prematuro da placenta) e de danos para o bebê, como baixo peso ao nascimento, morte súbita infantil, comprometimento da inteligência e do comportamento e dificuldade de aprendizagem escolar. Fumar durante décadas pode reduzir a expectativa de vida em 10 a 12 anos, em relação a quem nunca fumou.

Além dos danos à saúde causado pelo tabagismo e pelo tabagismo passivo, as substâncias da fumaça do cigarro podem contaminar o ambiente após o cigarro ser apagado. É o chamado tabagismo terciário, As substâncias da fumaça do cigarro se acumulam na poeira e em superfícieis: móveis, assoalhos, carpetes, paredes, cortinas, roupas, estofamentos de carros e depois se dissipam no ar ambiente. Os componentes são os mesmos do tabagismo passivo, mas em concentrações menores. As crianças são as mais vulneráveis, pois aumentam o risco de contrair doenças respiratórias e até câncer.

A OMS define o tabagismo como uma doença pediátrica, pois 90% dos fumantes começaram a fumar na adolescência, em um momento em que estão construindo sua personalidade e são suscetíveis a estímulos externos. De olho nesse público, a indústria do tabaco investiu durante muito tempo em publicidade e patrocínio de eventos culturais e esportivos, atualmente proibidos no Brasil.

O primeiro contato com o cigarro é sempre ruim, devido ao efeito aversivo da nicotina e do sabor desagradável do tabaco. Documentos internos da indústria indicam o conhecimento de que a inserção de aditivos nos produtos é fundamental para captar crianças, adolescentes e jovens em virtude da baixa tolerância desse grupo à irritação causada pela fumaça.

Por esta razão, a indústria do tabaco introduziu, nas últimas décadas, uma diversidade de aromas e sabores em marcas e produtos incluindo cigarros, charutos, fumo para cachimbo, cigarro de palha, cigarrilha, kreteks, snus, bidis, tabaco para narguilé, rapé e e-liquids para dispositivos eletrônicos para fumar.

No Brasil, dentre os produtos derivados de tabaco registrados, temos os seguintessabores: choco menta, menta cítrica, menta doce, maçã, berry, citrus, limão, uva, guaraná, coco, kiwi, laranja, hortelã, morango, chocolate, melão, melancia, abacaxi, açaí, bombom, manga, maracujá, pina colada, creme de morango, caramelo, banana, chiclete, mirtilo e pera (ANVISA, 2023).

Análises de documentos da indústria mostram que o percentual de aditivos por peso de cigarros aumentou a partir dos anos 90 (em especial, o uso de açúcares e doces).

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar – PeNSE (2019), de abrangência nacional, revelou que em relação à experimentação, considerando os escolares de 13 a 17 anos, o percentual que experimentou cigarro alguma vez na vida foi de 22,5% entre os meninos e de 22,6% entre as meninas.

Atualmente a indústria do tabaco vem promovendo a venda de seus novos produtos, os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs): cigarros eletrônicos, produtos de tabaco aquecido.

Apesar da proibição da comercialização, importação e propaganda dos DEFs através da Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (RDC – ANVISA) Nº 46 de 28/08/2009, a experimentação de cigarros eletrônicos vem crescendo entre jovens no Brasil, que estão sendo iludidos com a falsa impressão que são inofensivos ou que são menos prejudiciais à saúde.

Diferentes sabores têm sido utilizados com o intuito de tornar os dispositivos eletrônicos para fumar também menos aversivos, facilitando a inalação de aerossóis e modificando a percepção dos riscos associados ao seu uso.

De acordo com a OMS, 70% dos usuários jovens (12 a 17 anos) de dispositivos eletrônicos para fumar dizem que consomem esses produtos por terem sabores dos quais gostam. Existem aproximadamente 16 mil sabores disponíveis no mercado, muitos deles atraentes para as crianças.

A maioria dos sabores disponíveis no mercado são atrativos para crianças, adolescentes e jovens, enquanto outros sabores frutados e mentolados atraem adultos e populações específicas como, por exemplo, mulheres e não fumantes.

O uso dos DEFs por não fumantes, principalmente adolescentes e jovens, aumenta em 2 a 3 vezes o risco de experimentação do cigarro convencional e em mais de quatro vezes o risco de se tornarem fumantes de cigarros convencionais. Além disso cresce a possibilidade do uso simultâneo de ambos os produtos (uso dual), o que aumenta muito o risco das doenças tabaco-relacionadas, já bastante conhecidas.

O comércio, assim como a propaganda e publicidade dos DEFs são proibidos no Brasil desde 2009 por resolução da ANVISA.

O Brasil possui um exitoso Programa de Controle do Tabagismo. Em 1989 a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição apontou uma prevalência de 32,4% de fumantes no país. A última Pesquisa Nacional de Saúde apontou a prevalência de 12,8% de fumantes no país.

Em 2012 se tornou o primeiro país a aprovar uma política nacional para proibir os aditivos de sabor em todos os produtos derivados do tabaco por meio da publicação da Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa. Porém, esta importante política ainda não foi implementada.

Dessa forma, a Associação Médica Brasileira defende a implementação da proibição de aditivos de sabor nos derivados do tabaco em nosso país, para que possamos manter as conquistas alcançadas, evitando um possível retrocesso no Programa Nacional de Controle do Tabagismo.

10 de agosto – Dia Nacional de Combate e Controle da Leishmaniose

Leishmaniose: uma zoonose com poucas chances de cura e que requer cuidados diários.

Endêmica em mais de 76 países, esta zoonose afeta vários animais, inclusive gatos

Lesões ulcerativas, emagrecimento, crescimento exagerado das unhas e febre. Em pets, estes podem ser sinais de leishmaniose visceral, uma das zoonoses – doenças infecciosas naturalmente transmissíveis entre animais e seres humanos – mais significativas do nosso dia a dia, com mais de 12 milhões de pessoas infectadas em nível mundial.

Estudos recentes mostram que, além dos cachorros, gatos e outros animais podem ser reservatórios do protozoário causador da leishmaniose. “Os cães são considerados os principais reservatórios da doença para o ser humano, mas não são os únicos: a doença também pode se instalar em animais silvestres, como quati, gambá; roedores, como capivara; mamíferos, equinos e, inclusive em gatos, os quais eram considerados refratários, mas estudos recentes mostram o contrário”, conta o médico-veterinário, professor de doenças parasitárias dos animais domésticos da Universidade de Franca e franqueado da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Dr. Rafael Paranhos de Mendonça.

A leishmaniose visceral é endêmica em 76 países e, no continente americano, está descrita em pelo menos 12. Dos casos registrados na América Latina, 90% ocorrem no Brasil. E mais: está entre as dez principais doenças tropicais negligenciadas, uma vez que nem sempre sua notificação – que é obrigatória – é devidamente realizada pelo médico-veterinário à Vigilância Sanitária local.

“Assim, a leishmaniose tem se alastrado e o impacto é muito grande, tanto nos animais, quanto nos seres humanos”, alerta o médico-veterinário, lembrando que a doença pode ser fatal e, na maioria dos casos, o tratamento tem efeito sobre os sinais clínicos, podendo não acontecer a eliminação do parasito do corpo.

Esperança e controle em animais

Os sintomas da leishmaniose podem ser confundidos com os de outras doenças, como a dermatite. É o que contam William da Silva Rocha e Brena Querzia Ferreira dos Santos, tutores do Bethoven, um cachorro da raça Golden Retriever, de 3 anos e 2 meses de idade: “Descobrimos o diagnóstico de leishmaniose em fevereiro deste ano. Num primeiro momento, os sinais clínicos foram manchas mais escuras na pele, muita caspa e queda de pelos. Acreditávamos que era uma dermatite e estávamos tratando como tal. Mas, depois de algum tempo, começou a remelar os olhos, abrir feridas nas extremidades e cair pelo das pontas das orelhas. Ele parecia bem, pois comia e brincava normalmente, mas, como não estávamos vendo melhora dos sintomas, levamos novamente à clínica veterinária e foi aí que tivemos nosso susto, com a confirmação da doença. Na nossa ignorância, pensávamos que teria que fazer eutanásia”.

Após as médicas-veterinárias explicarem que a leishmaniose tem tratamento e Bethoven tem grande chance de ficar bem, vieram o conforto e a esperança. “Logo que ele foi diagnosticado, começamos o tratamento com medicamento manipulado e vitaminas para ajudar o fígado e os rins. No segundo mês, voltamos para refazer os exames e pesá-lo novamente. Como temos outro cão [Tody] em casa, fizemos todos os exames e descartamos a possibilidade de ele também estar infectado. Bethoven ganhou peso, a pelagem começou a crescer novamente e as feridas começaram a cicatrizar. E, então, no terceiro mês, utilizamos uma nova fórmula manipulada. Já estamos no começo do quarto mês de tratamento, sempre na esperança de uma cura completa da doença”, completa o tutor. O medicamento é manipulado na DrogaVET em forma de biscoitos e com sabor constantemente variado, para Bethoven não enjoar.

O casal de tutores deixa um recado para os pais de pets: “Nunca desistam de seus filhos de quatro patas. Por mais difícil que seja o problema, foquem na solução. Eles são seres especiais, que foram enviados por Deus para nos dar amor e alegria.”

Saiba mais sobre a doença

A leishmaniose é causada pelo protozoário do gênero Leishmania, transmitido pela picada da fêmea flebotomíneo (Lutzomyia longipalpis) infectada, popularmente conhecida por mosquito-palha, tatuquira, cangalhinha ou birigui. Como o mosquito – de 2mm de tamanho – não é identificável a olho nu, é importante que se faça uso de tela mosqueteira, como proteção nos ambientes em áreas endêmicas.

“O mosquito-palha começa a picar ao entardecer. Então, nas regiões conhecidamente endêmicas, é interessante que cães fiquem em canis telados, após esse horário, além de colocar tela em toda a casa, para a proteção dos animais que compartilham o espaço com os humanos. Coleiras inseticidas e repelentes próprios para animais também são boas formas de prevenção”, indica Dr. Rafael.

O diagnóstico definitivo da leishmaniose é confirmado com a punção de linfonodo, fígado, baço ou líquor da medula espinhal. “Também temos a opção de teste rápido, para fazer a triagem, além da sorologia e do PCR real time. Mas o mais importante é, em casos suspeitos da doença, fazer o diagnóstico confirmatório o quanto antes”.

O susto que os tutores William e Brena tomaram tem fundamento: antigamente, não havia tratamento para a leishmaniose, sendo o mais indicado o sacrifício do animal. “Os medicamentos começaram a surgir em 2017. Atualmente, o que se tem de mais efetivo é o artesunato e a miltefosina, os quais, aliados ao acompanhamento do médico-veterinário a cada quatro meses e às medidas preventivas, têm sido as melhores soluções. Além disso, é possível manipular o medicamento em formas farmacêuticas flavorizadas, que facilitam a adesão do pet ao tratamento, como molho sabor picanha, calda sabor leite condensado, entre outras diversas opções”, orienta Dr. Rafael.

Apesar da evolução no tratamento, não existe garantia da eliminação do parasita. A cura é clínica; os sintomas diminuem, somem, mas podem voltar. O importante é fazer o diagnóstico e seguir rigorosamente o tratamento e as orientações do médico-veterinário.