Exército Exonera Comandantes Investigados por Atos Golpistas: Desdobramentos da Operação Tempus Veritatis

Investigações da Polícia Federal sobre tentativa de golpe de Estado levam à exoneração de militares pelo Exército.

O Exército Brasileiro anunciou a exoneração de dois comandantes militares que estavam entre os alvos da recente Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada. As exonerações foram formalizadas pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, e publicadas no “Diário Oficial da União” hoje. Os militares afastados são o tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, que ocupava o comando do 1º Batalhão de Operações Psicológicas em Goiânia, e o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, que atuava como comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais em Manaus.

A Polícia Federal conduz investigações sobre um suposto golpe de Estado envolvendo esse grupo, que abrange militares, o ex-presidente Jair Bolsonaro e políticos próximos. A operação sugere que o grupo se articulou para minar a credibilidade das instituições e promover um golpe, visando manter Bolsonaro no poder.

De acordo com as informações obtidas pela PF, o grupo dividia suas ações em dois “eixos“. O primeiro concentrava-se na construção e disseminação de informações falsas sobre uma suposta fraude nas urnas, destacando uma “falaciosa vulnerabilidade do sistema eletrônico de votação“. Esse discurso, segundo a PF, era repetido pelos investigados desde 2019 e persistiu após os resultados do segundo turno das eleições de 2022.

O segundo “eixo” visava ações práticas para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, ou seja, concretizar o golpe. Nessa etapa, os militares investigados estariam ligados a táticas e forças especiais, dando suporte a essa tentativa de subverter a ordem democrática.

Presidente da Câmara, Arthur Lira, cancela participação em evento que relembra atos golpistas no Congresso Nacional

Ausência do político, justificada por problemas de saúde na família, altera programação da cerimônia que marca um ano dos incidentes em Brasília.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), cancelou sua participação no evento no Congresso Nacional destinado a lembrar um ano dos atos golpistas que resultaram em depredações nas sedes dos Três Poderes em Brasília, ocorridos em 8 de janeiro de 2023. A ausência de Lira, justificada pela sua assessoria devido a “problemas de saúde na família“, alterou a programação da cerimônia, onde estava previsto seu discurso e sua presença na “mesa de honra”.

A expectativa era de que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, participassem do ato, discursando sobre os acontecimentos do ano anterior.

Além destes, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, estava prevista para discursar representando os governos estaduais. Outras autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja, e a segunda-dama Lu Alckmin também deveriam compor a mesa de honra.

A ausência de Arthur Lira, uma das figuras-chave na política nacional, por razões de saúde na família, ressalta a complexidade do cenário político brasileiro e acrescenta um novo elemento à cerimônia, que ocorre em meio às reflexões sobre os eventos de um ano atrás.