Álvaro Porto diz que prefeitos devem pressionar deputados e senadores contra a redução do FPM

Declaração foi feita durante a abertura do 6° Congresso Pernambucano de Municípios

Ao discursar na abertura do 6° Congresso Pernambucano de Municípios, nesta segunda-feira (28.08), o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto foi firme ao cobrar mobilização de todas as instâncias da política para socorrer os municípios que, mês a mês, veem os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) serem reduzidos.

“Acho que vocês, senhoras e senhores prefeitos, têm que pressionar, os deputados estaduais, federais e senadores”, disse, acrescentando que é preciso uma solução imediata. “Queremos uma solução rápida. E esta solução tem que partir daqui, dos deputados, dos senadores. É isso que, eu sei, vocês (gestores) estão esperando ouvir hoje, aqui”, afirmou.

Referindo-se a declarações de aliados do governo federal, que, nos seus discursos, destacaram a volta programas estruturadores e a destinação de recursos da União para os municípios, o deputado afirmou que é fácil falar na existência de dinheiro e projetos, enquanto as prefeituras sofrem. “O que está sé precisando é de dinheiro na contas, ajuda direta aos municípios. Os municípios e os prefeitos não aguentam mais”.

Porto sugeriu que se já existe a previsão de aumento nos valores para os municípios, é preciso que se destine um quinhão certo ou um percentual específico para os municípios. Porque, segundo ele, são as prefeituras que sofrem para pagar saúde, educação com transporte escolar, TFD (Tratamento Fora do Domicílio).

“Então, é preciso esta ajuda direta. Tem que se fazer projetos para infraestrutura, mas o que a gente está vendo é o FPM caindo a cada dia que passa. Queremos uma solução rápida. A coisa tem que ser urgente. Os municípios estão quebrados. Ninguém aguenta mais este sofrimento”.

O deputado enfatizou que a realidade de redução de repasses penaliza especialmente os gestores por serem eles que estão na ponta, em contato direto com a população. “Vocês (dirigindo-se aos prefeitos) é que estão lá, com povo na porta, fazendo cobrança e a cada dia o dinheiro diminuindo”, disse. “Então, a gente tem que se unir a bancada federal, a estadual, os senadoras e, principalmente, vocês, senhores prefeitos. Vocês é que nos dão voto, vocês é quem trabalham para para eleger deputado e senadores. Então, vocês têm que cobrar da gente. E nós estamos juntos. Vamos correr atrás”, disse.

Destacando ser municipalista, Álvaro Porto lembrou que foi prefeito de Canhotinho por dois mandatos e que sabe bem das dificuldades que estão passando os municípios. Também observou que tem acompanhado de perto a preocupação da atual prefeita de Canhotinho, Sandra Paes, sua esposa, e do prefeito de Quipapá, Alvinho Porto, seu filho.

O presidente da Alepe alertou que, além da falta de recursos, inúmeras prefeituras estão hoje com orçamento comprometido por não poderem pagar a previdência própria. “Isso é uma lei que precisa ser mudada . Os deputados federais precisam fazer um trabalho para que as prefeituras que caíram no conto de ter a previdência própria, voltem para o regime geral. Isso tem que ser uma pressão de todos. O Brasil está precisando, as prefeituras de Pernambuco estão precisando”.

Fotos: Lucas Patrício

Marta chora e diz que ‘final’ contra Jamaica não será despedida da Copa

Rainha eleita seis vezes melhor do mundo se emociona ao falar de legado, se diz pronta para jogar 90 minutos se Pia Sundhage desejar e vê a sueca fazer mistério diante da obrigação de vencer a Jamaica.

De repente do riso fez-se o pranto. Mas não, ainda não é o Soneto da Separação definitiva de Marta da Copa do Mundo. A poesia de Vinícius de Moraes pode esperar mais um pouquinho. De preferência, quem sabe, até o sonhado título inédito. Mesmo em lágrimas ao admitir a possibilidade de a partida desta quarta-feira contra a Jamaica, às 7h (de Brasília), no Melbourne Rectangular, ser a última exibição no principal torneio da Fifa, e de se emocionar ao passar a limpo o legado de seis participações no torneio da Fifa, a recordista de prêmios de melhor do planeta (6) é mulher de muita fé.

“Estou tão focada na partida que não parei para pensar que esta pode ser minha última coletiva em uma Copa do Mundo, porque não vai ser. Estou confiante e acredito que vamos seguir na competição”, afirmou Marta, emocionada.

Aos 37 anos, a camisa 10 completou:” A Marta de 2007(vice na Copa do Mundo) tem mais experiência. Tenho que pensar mais em como agir em campo, porque eu era mais rápida, né? Com toda essa experiência, vou tentar de alguma forma, tanto dentro de campo, como fora, mostrar que somos capazes de vencer a Jamaica novamente. Aconteceu em 2007, aconteceu em 2019 e vai acontecer amanhã, assim espero”, profetizou a alagoana de Dois Riachos.

Não resta alternativa. Terceiro colocado no Grupo F depois de golear o Panamá por 4 x 0 e perder para a França por 2 x 1, o Brasil tem de derrotar a Jamaica para avançar às oitavas sem depender de uma improvável zebra panamenha contra a França. Vice-líder, a Jamaica tem a vantagem do empate contra a Seleção. As caribenhas conseguiram segurar as favoritas francesas na estreia ao segurar 0 x 0.

Sentada ao lado da técnica sueca Pia Sundhage na entrevista coletiva da Fifa, Marta não tem certeza da escalação contra a Jamaica, mas fez a parte dela. “Estou preparada para jogar, não sei quantos minutos, isso é com ela (Pia), mas se tiver que jogar os 90 minutos, vou jogar o tempo todo. Se tiver que jogar alguns minutos, vou jogar alguns minutos. Estou bem, treinando normal. Não tem nada que me impeça de entrar amanhã e jogar o tempo todo. Não sei se consigo jogar os 90 minutos, vou lutar para jogar os 90 se ela decidir me colocar em campo para jogar. Estou bem e preparada”, assegurou.

Marta ficou com os olhos marejados e a voz embargada ao falar sobre legado. “Eu não costumo pensar na Marta. Sabe o que é legal? Eu não tinha uma ídola no futebol feminino. Vocês (imprensa) não mostravam o futebol feminino. Como eu ia entender que eu poderia ser uma jogadora, chegar à Seleção, sem ter uma referência? Hoje, a gente sai na rua e os pais falam. ‘Minha filha quer ser igual a você’. Hoje, temos nossas próprias referências. Não teria acontecido isso sem superar os obstáculos. É uma persistência contínua. A gente pede muito que a nossa geração continue assim. A vovó que torce para o Corinthians. A gente fica feliz em ver tudo isso. Há 20 anos, em 2003 (primeira Copa do Mundo da rainha), ninguém conhecia a Marta. Em 2022, viramos referência para o mundo inteiro. Não só no futebol, mas no jornalismo também. Hoje, vemos mulheres aqui, o que não tinha antes. A gente acabou abrindo portas para a igualdade: comemorou a craque.

A referência do Brasil classificou o duelo contra a Jamaica como mata-mata, admitiu a tensão da partida e ponderou sobre o favoritismo canarinho. “Cada jogo é diferente. Favorito nem sempre ganha. Temos que respeitar o adversário independentemente de quem está do outro lado. São 11 contra 11. Nunca vi ninguém jogar com 12 ou 13. Temos que fazer acontecer dentro de campo, para que a gente possa se sentir confortável nessa situação. Antes da bola rolar, é tudo igual. Quando rolar, temos que mostrar o nosso futebol. Isso vai depender do nosso desempenho, até então, não tem nada definido”, observou.

Fria e calculista, Pia visivelmente engoliu o choro enquanto Marta se emocionava na entrevista. Questionada se Marta começará a partida contra a Jamaica, a sueca despistou. “Amanhã você verá quem está no time titular. Essa “velha moça” é importante para todos nós, claro, por toda experiência que ela tem. Vamos ver. O plano de jogo contra a Jamaica é muito importante, porque é agora ou nunca. Então, temos uma chance de jogar um bom futebol e tentar vencer a partida”, respondeu a treinadora.

Pia fez um alerta sobre a Dinamarca. “Estudar a outra equipe é muito importante e passar às jogadoras que tipo de jogo está por vir também. Um empate 0 x 0, a Jamaica está dentro, um 1 a 0 para o Brasil, nós estamos dentro. Um gol muda o jogo totalmente. Então, é claro que estamos preparadas para isso.

Empresário Antônio Souza protesta contra exclusão de fundação da Missa do Vaqueiro

Nos últimos anos, o empresário Antônio Souza tem sido o maior patrocinador da tradicional Missa do Vaqueiro em Serrita. Há pouco, ele fez um manifesto de indignação pelo fato da Fundação João Câncio ter sido alijada do evento este ano por mera perseguição da Prefeitura Municipal.

“Mobilizados pela Fundação João Câncio, os músicos que retratam a cultura popular na Missa são patrocinados por nós. Estou indignado com essa postura da prefeitura, mas, desde já, garanto que nenhum deles, mesmo não estando na Missa, vão deixar de receber seus cachês”, disse Souza.

Partidos vão ao TSE alegando uso político do 7 de setembro por Bolsonaro

O PSOL e o PT vão acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontando abuso de poder econômico e político por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) nos atos comemorativos do 7 de setembro.

Com Estadão Conteúdo e AFP

O PSOL e o PT vão acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontando abuso de poder econômico e político por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) nos atos comemorativos do 7 de setembro, realizados nesta quarta-feira.

O presidente, candidato à reeleição, transformou atos públicos financiados com dinheiro público em atos de campanha.

RUY BARON / AFP
Bolsonaro em Brasília no 7 de setembro – RUY BARON / AFP

“Bolsonaro fez uso indiscutível de um evento oficial para discursar como candidato. Há abuso de poder econômico e político acachapante, com o uso de recursos públicos, de uma grande estrutura pública, para fazer campanha. Os discursos desse comício escancarado foram transmitidos ao vivo para toda a nação, inclusive por meio da TV Brasil, uma TV estatal”, afirmam os advogados que representam a Coligação Brasil da Esperança, que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como candidato.

Lula publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que Bolsonaro “utilizou a data para fazer campanha eleitoral e para ofender seus adversários”.

“Nós nunca usamos o dia da pátria, um dia que é do povo brasileiro, como instrumento político. Nosso país precisa de amor, não de ódio”, acrescentou o petista.

“Bolsonaro convocou os manifestantes às urnas, usou o slogan de campanha e usou as Forças Armadas para construir um comício”, disse Sâmia Bomfim, líder da bancada do PSOL na Câmara, ao Broadcast Político.

Atos de Bolsonaro no 7 de setembro

Bolsonaro discursou em Copacabana, no Rio de Janeiro, horas depois de um pronunciamento similar em Brasília, onde também foi aplaudido por uma multidão reunida para assistir ao desfile cívico-militar do 7 de setembro.

CARL DE SOUZA / AFP

Bolsonaro em Copacabana, Rio de Janeiro, no 7 de setembro – CARL DE SOUZA / AFP

“Não sou muito bem educado, falo palavrões, mas não sou ladrão”, disse, em alusão a seu principal adversário, Lula.

O presidente disse que o Brasil trava uma “luta do bem contra o mal” e que a esquerda “não vai voltar à cena do crime”, referindo-se aos escândalos de corrupção que sacudiram os governos de Lula e Dilma Rousseff entre 2003 e 2016.

“Esse tipo de gente tem que ser extirpada da vida pública”, acrescentou, criticando também os governos de esquerda de Argentina, Nicarágua e Venezuela.

Bolsonaro usou a grande afluência dos atos em Brasília, Rio e São Paulo para atacar as pesquisas de intenção de voto, que o colocam em desvantagem para o primeiro turno das eleições em 2 de outubro.

CARL DE SOUZA / AFP

Apoiadores de Bolsonaro em Copacabana, Rio de Janeiro, no 7 de setembro – CARL DE SOUZA / AFP

“Aqui não tem a mentirosa Datafolha, aqui é o nosso ‘Datapovo’”, disse, em alusão ao instituto de pesquisas que lhe atribui 32% das intenções de voto contra 45% para Lula.

Essa ideia ecoou no público.

“Aqui dá para ver quanta gente o está apoiando. Acredito em sua vitória, se é que não vai haver fraude”, disse à AFP Luiz García, instrutor de tiro de 34 anos.

Em um tom menos belicoso do que no 7 de setembro do ano passado, quando assegurou que “apenas Deus” o tiraria do poder, Bolsonaro recomendou aos solteiros que procurassem uma “princesa”. Em seguida, beijou a primeira-dama, Michelle, e puxou um coro de “imbrochável”, sendo festejado por seus apoiadores.

Tradicionalmente, a parada militar do Rio acontecia na Av. Presidente Vargas, no centro da cidade, mas o presidente insistiu em que este ano os militares marchariam no local que costuma concentrar manifestações bolsonaristas, o que ajudou a misturar a festa nacional com uma manifestação política em seu apoio.

Antes do evento militar em Copacabana, Bolsonaro participou de uma motociata por bairros da zona sul.

“Bolsonaro claramente usou uma data simbólica e muito importante para a História do Brasil, os 200 anos da Independência, de uma forma eleitoral”, disse à AFP Adriano Laureno, analista político da consultoria Prospectiva.

Longe de tentar agradar os eleitores de centro ou indecisos, analistas coincidem em que dirigiu seu discurso para seus seguidores mais fiéis, muitos dos quais defenderam lemas golpistas, pedindo intervenção das Forças Armadas e o fechamento do Supremo Tribunal Federal, ao qual acusam de “ativismo judicial” contra Bolsonaro.

EVARISTO SA / AFP

Bolsonaro e Michelle durante desfile do 7 de setembro em Brasília – EVARISTO SA / AFP

O presidente “não fez ataques tão pesados e diretos às instituições, às urnas eletrônicas, nem a ministros do STF [como ocorreu em 2021]. Agora, ele estava presente e dando seu aval a uma manifestação na qual esse era o principal tema”, afirma Laureno.

“Bolsonaro lida muito com esse dualismo entre autorizar a base dele a fazer ataques mais pesados, enquanto ele próprio adota um tom mais moderado para não ser tão criticado”, avalia Laureno.

CARL DE SOUZA / AFP
Bolsonaro no Rio de Janeiro no 7 de setembro – CARL DE SOUZA / AFP

Suely Ferreira, de 64 anos, uma das participantes do ato, pedia intervenção militar. “O que está estragando esse país é a ditadura dos nossos togados, da nossa Corte, uma Corte totalmente omissa para o povo”, disse à AFP.

O STF abriu várias investigações contra Bolsonaro, especialmente por divulgação de notícias falsas, transformando a Suprema Corte em um dos alvos habituais do presidente e de seus seguidores mais fervorosos.

Para o cientista político Maurício Santoro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os atos desta quarta-feira “mostram que Bolsonaro mantém grande capacidade de mobilização entre seus apoiadores mais fieis, e que esse pode ser o núcleo a partir do qual o presidente seria capaz de contestar o resultado das eleições”.