Imprensa livre fortalece democracia, educação e desenvolvimento social

Em artigo, Janguiê Diniz destaca o papel estratégico do jornalismo na qualificação do debate público, na valorização da educação superior e no fortalecimento das instituições democráticas, tendo como exemplo o Prêmio ABMES de Jornalismo

Coluna Janguiê Diniz

Há instituições que são fundamentais em uma sociedade, e a imprensa é uma delas. Mais do que registrar acontecimentos, o jornalismo qualificado informa, investiga, contextualiza e amplia o debate público sobre os temas que definem o presente e o futuro de um país. Em um cenário marcado pela velocidade da circulação de informações, pela disseminação da desinformação e pela complexidade dos desafios, sua missão torna-se ainda mais relevante: oferecer à sociedade fatos rigorosamente apurados, múltiplas perspectivas e elementos que permitam a formação de uma opinião livre e consciente.

Essa contribuição também é indispensável para o fortalecimento da democracia. Ao acompanhar a atuação dos Poderes, investigar irregularidades, fiscalizar a aplicação de recursos públicos, cobrar transparência e dar visibilidade a temas de interesse coletivo, a imprensa exerce a função reconhecida como watchdog. Trata-se de um papel que ultrapassa a simples divulgação de notícias, sendo essencial para fortalecer as instituições democráticas e assegurar aos cidadãos condições para exercer plenamente sua cidadania.

Em outra frente, o bom jornalismo também identifica soluções, apresenta experiências inovadoras e dá visibilidade para iniciativas que produzem resultados concretos para a sociedade. Ao transformar boas práticas em conhecimento compartilhado, contribui para que ideias bem-sucedidas deixem de ser experiências isoladas e passem a inspirar novas políticas públicas, projetos institucionais e ações da sociedade civil. 

Em um país com dimensões continentais e profundas desigualdades como o Brasil, essa capacidade de conectar diferentes realidades talvez seja uma das maiores contribuições da imprensa para o desenvolvimento nacional. Uma experiência bem-sucedida implementada em uma universidade do Nordeste, uma pesquisa desenvolvida no Sul ou um projeto social realizado no interior do Centro-Oeste podem inspirar soluções em outros locais quando encontram no jornalismo um canal capaz de ampliar seu alcance.

Na esfera educacional, essa dupla missão é particularmente evidenciada. Ao mesmo tempo em que acompanha indicadores, analisa políticas públicas, questiona decisões governamentais e evidencia desafios históricos, o jornalismo também revela pesquisas científicas, projetos de extensão, iniciativas inovadoras de ensino, experiências de inclusão e histórias capazes de demonstrar o impacto transformador da educação na vida das pessoas.

No caso da educação superior, essa contribuição assume uma dimensão estratégica. Nela são formados profissionais qualificados, desenvolvidas pesquisas que impulsionam a inovação e produzidos conhecimentos que contribuem para o enfrentamento de desafios sociais, ambientais, tecnológicos e econômicos. Ainda assim, muitos desses temas permanecem distantes do cotidiano da população. O jornalismo é essencial para reduzir essa distância e ampliar a compreensão da sociedade sobre o papel da educação superior como vetor de desenvolvimento, competitividade, inovação e redução das desigualdades.

Foi justamente a partir desse entendimento que, em 2017, na minha primeira gestão como presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), criei o Prêmio ABMES de Jornalismo. Hoje em sua nona edição, a iniciativa nasceu com o objetivo de reconhecer e valorizar profissionais que contribuem para qualificar o debate público sobre a educação superior, estimulando uma cobertura jornalística pautada pelo rigor da apuração, pela profundidade das análises e pelo compromisso com o interesse público. 

Ao longo de quase uma década, a premiação consolidou-se como referência para os profissionais da imprensa, acompanhando o amadurecimento da produção jornalística sobre o tema. Essa evolução é perceptível não apenas no crescimento da participação, mas sobretudo na qualidade dos trabalhos apresentados. 

A edição de 2026 registrou o recorde de 322 inscrições e, segundo a comissão julgadora, composta pelos imortais da Academia Brasileira de Letras Arnaldo Niskier, Antonio Secchin e Merval Pereira, a definição dos vencedores foi desafiadora diante do elevado nível das reportagens finalistas. A avaliação considerou aspectos como relevância, qualidade narrativa, consistência editorial e rigor na apuração.

Também merece destaque a diversidade de temas contemplados pelas produções vencedoras. As reportagens premiadas abordaram questões centrais para compreender as transformações pelas quais passa o ensino superior brasileiro, como a regulamentação da educação a distância, os impactos da inteligência artificial e das novas tecnologias nas universidades, a presença crescente de pessoas com mais de 60 anos nas salas de aula e a influência da graduação na melhoria da renda das famílias. Embora tratem de assuntos distintos, todas compartilham uma característica em comum: demonstram como a educação superior dialoga com os grandes desafios contemporâneos.

Mais do que reconhecer boas reportagens, o Prêmio ABMES de Jornalismo reafirma uma convicção que se fortalece a cada edição: uma educação superior forte depende de um debate público igualmente qualificado. E esse debate somente é possível quando existe uma imprensa livre, ética, plural e comprometida com a produção de informação confiável. 

Valorizar jornalistas que se dedicam à cobertura educacional significa incentivar uma sociedade mais bem informada, fortalecer a circulação de boas ideias e ampliar a visibilidade de iniciativas capazes de inspirar transformações em diferentes partes do país. Em última análise, reconhecer o jornalismo comprometido com a educação superior é reconhecer que democracia, conhecimento e informação de qualidade caminham lado a lado. Afinal, sociedades que valorizam a liberdade de imprensa e a educação constroem instituições mais sólidas, cidadãos mais conscientes e um futuro muito mais promissor.

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Urna não é arquibancada

Em artigo, Janguiê Diniz reflete sobre os riscos da “futebolização” da política e defende um voto mais consciente, crítico e responsável em ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais

Coluna Janguiê Diniz

Janguiê Diniz – Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group; diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular

Em ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais, é inevitável que dois dos temas mais comentados pelos brasileiros ocupem espaço nas conversas, nas redes sociais e nos meios de comunicação. Embora ambos despertem interesse coletivo e mobilizem milhões de pessoas, existe uma diferença fundamental entre eles: enquanto o futebol é movido pela paixão, pela emoção e pela torcida, a política deveria ser guiada pela razão, pela análise e pela responsabilidade.

Torcer por uma seleção é um exercício legítimo de emoção. O futebol faz parte da cultura brasileira e desperta sentimentos intensos de pertencimento, identidade e entusiasmo. Durante uma Copa do Mundo, é natural que as pessoas defendam seu time, celebrem vitórias, lamentem derrotas e vivam intensamente cada partida. Nesse contexto, a paixão faz parte do espetáculo. Já as eleições seguem uma lógica completamente diferente. Quando um cidadão escolhe um presidente, um governador, um senador ou um deputado, não está escolhendo um time para torcer durante uma temporada. Está ajudando a definir os rumos do país, da economia, da educação, da saúde, da segurança pública e de inúmeras outras áreas que impactam diretamente a vida de milhões de pessoas.

Apesar disso, o que se observa cada vez mais é uma espécie de “futebolização” da política. Candidatos passam a ser tratados como ídolos intocáveis. Adversários são vistos como inimigos. O debate de ideias dá lugar aos confrontos emocionais. A análise racional é substituída por slogans, memes e ataques pessoais. Em vez de eleitores, surgem torcedores. Essa transformação é preocupante porque o fanatismo raramente convive bem com o pensamento crítico. O torcedor costuma defender seu time independentemente do desempenho em campo. O eleitor, por outro lado, deveria ser capaz de avaliar, questionar, concordar em alguns pontos e discordar em outros. A democracia saudável depende justamente dessa capacidade de reflexão.

Quando a política se transforma em torcida organizada, perde-se algo essencial: a disposição para ouvir. O diálogo se torna impossível. Cada grupo passa a consumir apenas informações que confirmam suas próprias crenças. O adversário deixa de ser alguém que pensa diferente e passa a ser tratado como alguém que precisa ser derrotado a qualquer custo. Esse comportamento enfraquece o debate público e empobrece a democracia. Afinal, nenhum candidato é perfeito, assim como nenhum projeto político está livre de falhas. A maturidade democrática exige reconhecer virtudes e limitações em todos os lados. Exige compreender que governantes são servidores públicos, não celebridades ou líderes infalíveis.

Por isso, uma eleição presidencial exige um nível de responsabilidade muito maior do que uma simples preferência emocional. Antes de votar, é importante analisar a trajetória dos candidatos, sua experiência administrativa, sua capacidade de liderança, suas propostas, suas equipes e sua visão para o futuro do país. É preciso observar o histórico de realizações, a coerência entre discurso e prática e a viabilidade das promessas apresentadas.

Mais do que escolher uma pessoa, o eleitor escolhe um projeto de poder e uma direção para a nação. Cada candidatura representa prioridades diferentes, estratégias distintas e formas particulares de enfrentar os desafios nacionais. Algumas propostas podem privilegiar determinadas áreas; outras podem adotar caminhos alternativos. Cabe ao cidadão avaliar essas diferenças com atenção e decidir, de forma consciente, qual projeto considera mais adequado para o futuro do país. A boa política não nasce da paixão cega, mas da participação consciente. Ela exige informação, reflexão e disposição para analisar fatos. Isso não significa abandonar convicções ou valores pessoais. Pelo contrário. Significa fundamentar essas convicções em argumentos sólidos e em uma avaliação responsável da realidade.

Também é importante compreender que o resultado de uma eleição não encerra a responsabilidade do cidadão. A democracia não termina na urna. Governantes devem ser acompanhados, fiscalizados e cobrados durante todo o mandato. Quem vota de forma consciente também exerce cidadania de forma contínua.

Em tempos de polarização intensa, talvez seja necessário resgatar uma verdade simples: candidatos não são times de futebol. Eles não precisam de torcedores incondicionais. Precisam de cidadãos atentos, críticos e participativos. O Brasil não ganha quando um lado humilha o outro. Ganha quando a população faz escolhas informadas e mantém a capacidade de diálogo, mesmo diante das divergências.

Neste ano em que Copa do Mundo e eleições dividem as atenções dos brasileiros, vale lembrar que a arquibancada é o lugar da paixão. A cabine de votação, por sua vez, deve ser o espaço da consciência. Porque, enquanto um resultado esportivo produz alegrias ou frustrações passageiras, uma eleição tem o poder de influenciar o destino de uma nação por muitos anos. E o futuro de um país é importante demais para ser decidido como se fosse uma partida de futebol.

PRTB confirma Leonardo Avalanche na presidência nacional da legenda após disputa jurídica

Certidão da Justiça Eleitoral registra nova composição da Executiva Nacional do partido e marca reorganização da sigla para as eleições de 2026

A história recente do PRTB é uma demonstração clara de que a política brasileira ainda impõe desafios enormes àqueles que ousam enfrentar estruturas consolidadas e lutar por mudanças reais. Nos últimos meses, Leonardo Avalanche travou uma verdadeira batalha jurídica, política e institucional para garantir que a vontade legítima dos filiados e das instâncias partidárias fosse respeitada.

Mesmo após decisão judicial determinando o restabelecimento de Leonardo Avalanche à presidência nacional do partido, o processo de regularização e anotação perante a Justiça Eleitoral enfrentou obstáculos que colocaram em risco não apenas a direção da legenda, mas também a participação efetiva do partido no processo eleitoral de 2026. Segundo reportagens da época, o PRTB era apontado como a única legenda que corria o risco de ficar fora das eleições em razão da demora no cumprimento de decisões judiciais já reconhecidas pelos tribunais.  

Apesar das dificuldades, da pressão e das tentativas de enfraquecer o projeto político construído por milhares de brasileiros, a perseverança prevaleceu. A certidão da Justiça Eleitoral emitida em 16 de junho de 2026 confirma oficialmente a anotação da Comissão Executiva Nacional do PRTB, tendo Leonardo Alves de Araújo (Leonardo Avalanche) como presidente nacional da legenda.

Essa conquista não pertence apenas a uma pessoa. Ela pertence a todos os brasileiros que acreditam que a política pode ser diferente. Pertence àqueles que não desistiram do Brasil quando muitos diziam que não havia mais solução.

A trajetória de Leonardo Avalanche prova que, mesmo quando tudo parece perdido, ainda é possível virar o jogo. Foi uma vitória conquistada praticamente “aos 45 minutos do segundo tempo”, quando muitos já consideravam impossível a recuperação do partido.

Agora começa uma nova etapa.

O Brasil vive um momento decisivo. As eleições de 2026 serão fundamentais para definir os rumos da nação. Muitos partidos enfrentam desafios para manter sua representatividade e superar as exigências cada vez maiores do sistema eleitoral brasileiro.  

Por isso, fazemos um apelo a todos aqueles que sonham com um país mais justo, mais livre, mais eficiente e mais comprometido com o cidadão comum:

Ainda há tempo.

Ainda há tempo para participar.

Ainda há tempo para construir.

Ainda há tempo para fazer a diferença.

Se conseguimos mudar o jogo quando poucos acreditavam ser possível, também podemos mudar o Brasil.

Assim como viramos a partida nos instantes finais para garantir a sobrevivência e a reorganização do partido, vamos mostrar que é possível transformar o país com coragem, determinação e participação popular.

Mudamos o jogo aos “28” do segundo tempo. Agora vamos mudar o Brasil.

Raquel Lyra prestigia posse de Erik Simões como vice-presidente e corregedor do TRE-PE

Cerimônia no plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco reuniu autoridades e reforçou compromisso com a democracia e o fortalecimento das instituições

A governadora Raquel Lyra prestigiou, nesta segunda-feira (23), no plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), a solenidade de posse do desembargador Erik Simões como novo vice-presidente e corregedor da Corte. A cerimônia reuniu magistrados, autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de representantes do sistema de Justiça. A vice-governadora Priscila Krause também acompanhou a solenidade.

Prestigiar a posse do desembargador Erik Simões é reafirmar o compromisso do Governo de Pernambuco com o fortalecimento das instituições e com a democracia. A Justiça Eleitoral tem um papel essencial na garantia do voto livre e na preservação da confiança da população no processo democrático”, ressaltou a governadora Raquel Lyra.

Desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) desde 2012, Erik Simões afirmou durante a posse que “o voto livre e consciente é o ciclo máximo da democracia”. E completou: “Vamos proteger a verdade, fortalecer a confiança no processo eleitoral e garantir a participação efetiva dos pernambucanos. A Justiça Eleitoral é um dos pilares para a construção do Brasil, garantindo a efetivação da cidadania e da democracia”.

A partir de maio de 2016, Simões passou a exercer o cargo de Coordenador-Geral da Conciliação do TJPE, atuando no fortalecimento de políticas voltadas à solução consensual de conflitos. Ele também esteve à frente da coordenação das ações de cidadania judiciária no âmbito da Política Nacional de Atenção a Pessoas em Situação de Rua (PopRua).

Acompanharam a governadora na posse o secretário Túlio Vilaça (Casa Civil) e a Procuradora-Geral de Pernambuco, Bianca Teixeira

Maria Arraes participa de entrega da Constituição Federal a estudantes de Direito na OAB-PE

Deputada federal destaca a importância da Constituição para a democracia e reforça compromisso com a educação jurídica.

A deputada federal Maria Arraes (SD) esteve, nesta segunda (24), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pernambuco (OAB-PE) para participar da cerimônia de entrega da Constituição Federal a estudantes do curso de Direito. Ao lado da vice-presidente da OAB-PE, Schamkypou Bezerra, e de outros integrantes da Ordem, a parlamentar discursou para os discentes e ressaltou a importância da Constituição.

Estamos passando por um momento em que nossa democracia foi atentada, então ter a Constituição sendo distribuída a vocês, que estão ingressando na área do Direito, é garantir que ela seja preservada e respeitada. A Constituição é a guardiã da nossa democracia”, afirmou Maria Arraes.

A deputada também mencionou sua formação em Direito e destacou como essa base acadêmica contribui para seu trabalho legislativo. “Em dois anos de mandato, conseguimos ter três leis sancionadas pelo presidente Lula e temos atuado de forma ainda mais consciente sobre a importância da nossa legislação”, pontuou.

A vice-presidente da OAB-PE, Schamkypou Bezerra, agradeceu o compromisso da parlamentar com a educação. “A gente vê o compromisso da deputada com a sociedade, com os estudantes, e quero agradecer sua presença e todo o apoio dado para o fortalecimento da formação desses estudantes”, declarou.

Além dos exemplares da Constituição Federal, os estudantes também receberam o Vade Mecum, livro de referência que reúne leis, códigos, jurisprudências e outras normas jurídicas. Todo o material foi fornecido pelo gabinete da deputada Maria Arraes.

STF Decide: Parentes de até Segundo Grau Podem Ocupar Chefias do Executivo e Legislativo Simultaneamente

Da Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (5), que parentes de até segundo grau podem ocupar simultaneamente as chefias dos poderes Executivo e Legislativo no mesmo estado. Por maioria de votos, os ministros rejeitaram ação protocolada pelo PSB para proibir a ocupação dos cargos por familiares.

A legenda argumentou que a Constituição de 1988 combateu a “oligarquização do poder político” e não permite que parentes ocupem as chefias do Executivo e Legislativo ao mesmo tempo. O partido citou diversas cidades em que parentes de segundo grau exerceram as duas funções, como já ocorreu em Iguatu (CE), Ji-Paraná (RO), Cornélio Procópio (PR), entre outros.

Por 7 votos a 4, prevaleceu no julgamento o voto proferido pela relatora, ministra Cármen Lúcia, para quem não há comando expresso na Constituição para impedir a ocupação simultânea dos cargos por parentes.

A definição de nova hipótese de inelegibilidade é atribuição do Poder Legislativo. Como seria uma forma de estatuir uma nova norma de restrição de direito político fundamental não prevista pelo constituinte, nem pelo legislador, não há como se acolher a proposta apresentada”, afirmou a relatora.

O ministro Flávio Dino abriu a divergência para se manifestar contra a ocupação simultânea. Segundo o ministro, é frequente no país o exercício concomitante de mandatos entre marido ou esposa, pai e filho e irmãos na chefia do Executivo e Legislativo.

No entendimento de Dino, a Constituição impede a concentração de poder em uma família de políticos. “Essa ideia de concentração de poder, de casta, poder familiar, é incompatível com o conceito de República, de democracia”, completou.

Homenagem na Alepe: Luta contra o Golpe de 1964 é Relembrada com Emoção e Compromisso

Caminhada do Silêncio e Cerimônia na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) marcam repúdio aos 60 anos do regime militar no Brasil.

Os que lutaram contra o golpe militar de 1964 receberam uma homenagem na Assembleia Legislativa. Um pouco antes, houve a Caminhada do Silêncio, ato político-cultural que aconteceu no Monumento Tortura Nunca Mais em repúdio aos 60 anos do golpe militar, por memória, verdade, justiça, reparação e democracia. 

Os participantes do ato caminharam até a Alepe para participar da homenagem aos que resistiram nesse período de regime autoritário. A proposição foi do deputado estadual Waldemar Borges (PSB). A deputada Dani Portela (PSOL) presidiu a reunião, representando o presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB).

Não podemos esquecer, jamais, da violência desmedida e das agressões sofridas por muitos daqueles que lutaram contra o golpe. Milhares de brasileiros e brasileiras foram presos, torturados, exilados e assassinados durante os anos de chumbo da ditadura militar. Entre eles, muitos pernambucanos e pernambucanas, cujas vozes foram silenciadas à força e cujos sonhos de construir uma sociedade justa foram interrompidos pela brutalidade do regime autoritário”, frisou o deputado Waldemar Borges em seu discurso. 

Ao contar a verdadeira história do que ocorreu no Brasil nesse período, buscamos manter viva a chama que nos conecta aos nossos antepassados que lutaram pela liberdade, e assim podemos reafirmar nosso compromisso com a democracia enquanto um valor universal inegociável”, completou o deputado. 

A deputada Dani Portela lembrou que é filha adotada porque seu pai ficou estéril por conta das inúmeras torturas que sofreu durante a ditadura militar. “Se estamos fazendo essa homenagem é porque outros vieram antes de nós para contar essa história. A história da minha vida perpassa com história da luta pela democracia em nosso país”, disse. 

O ex-deputado e ex-vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, representou os homenageados. “Dizem os historiadores que a cada momento importante da vida de um país, a sociedade é convidada a revisitar a sua história. E cada vez que nós revisitamos a nossa própria história, o fazemos descobrindo ou percebendo mais elementos para compreensão da nossa trajetória como nação e como povo. É preciso que a palavra de ordem “Ditadura nunca mais” seja dita pelas novas gerações ao revisitar essa história e compreender o significado do que é o regime autoritário”, reforçou.

O deputado Waldemar Borges dedicou a reunião aos 51 mortos e desaparecidos políticos que foram identificados e que constam na lista da Comissão da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara e também ao seu pai, conhecido por Deminha, ex-deputado cassado na Ditadura Militar. 

Também fizeram parte da mesa, o presidente do Conselho Deliberativo do Memorial da Democracia e secretário executivo de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Jaime Asfora; o promotor de justiça e coordenador do Centro de Apoio da Cidadania, representando o procurador geral de Justiça do MPPE, Marcos Carvalho, Fabiano de Melo Pessoa; o presidente da OAB-PE, Fernando Ribeira Lins, o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Marcelo Canuto; o representante da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife,  Padre Fábio Potiguar, o reitor da Unicap, Padre Pedro; e o filho do Dr. Fernando Coelho (in memorial) – primeiro presidente da Comissão da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, Ricardo Coelho, que recebeu uma placa da Alepe em homenagem ao seu pai em nome dos que lutaram contra o golpe militar de 64.

Dilma Rousseff reforça importância da memória do golpe de 1964 e critica ataques à democracia

Ex-presidente alerta para perigos de esquecer episódios históricos e pede pela recriação de comissão sobre mortos e desaparecidos.

A ex-presidente Dilma Rousseff foi às redes neste domingo (31), reforçar a importância de se manter a “memória e a verdade histórica” sobre o golpe de 1964. Em meio a vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a atos que relembrem a data, com a intenção de evitar um tensionamento na relação com as Forças Armadas, Dilma pontuou que manter essa memória “é crucial para assegurar que essa tragédia não se repita”.

Comparando o golpe militar de 1964 com o ataque do bolsonarismo contra os três poderes no dia 8 de janeiro de 2023, Dilma disse que “a História não apaga os sinais de traição à democracia e nem limpa da consciência nacional os atos de perversidade”. As informações são do UOL.

“Como tentaram agora, naquela época, infelizmente, conseguiram. Forças reacionárias e conservadoras se uniram, rasgaram a Constituição, traíram a democracia, e eliminaram as conquistas culturais, sociais e econômicas da sociedade brasileira”, escreveu.

A ex-presidente, que atualmente preside o Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como banco do Brics, foi presa em 1970 em uma onda de repressão a grupos de esquerda. Na prisão, ela foi torturada e posteriormente teve sequelas. Dilma seria solta no final de 1972, quando tinha 25 anos. Em sua mensagem neste domingo, pediu: “Ditadura nunca mais!”

Comissão Especial

A bancada do PT na Câmara pediu por meio de uma nota, na última quinta-feira (28), a recriação imediata da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que funcionou durante as gestões Lula e Dilma Rousseff. O documento, assinado pelo líder do PT na Câmara, Odair Cunha (MG), afirma que é “imperativo” recordar e repudiar o golpe “em nome da justiça, da memória e da verdade”.

Os deputados também citam a invasão das sedes do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023 ao lamentar que segmentos da sociedade ainda sejam saudosos do regime militar.

Governadora Raquel Lyra Reforça Compromisso com Democracia em Atuação em Brasília

Participação no ato “Democracia Inabalada” e discussões sobre parcerias com ministro marcam agenda da governadora em Brasília.

A governadora Raquel Lyra participou, na tarde desta segunda-feira (8), do ato Democracia Inabalada, ocorrido em Brasília. O evento marcou um ano das invasões às sedes dos Três Poderes da República e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos presidentes do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, além de senadores, deputados, ministros e governadores.

Fazemos parte de um Estado Democrático de Direito. Os valores democráticos são essenciais na nossa Constituição Federal. Estivemos presentes no ato do dia 9 de janeiro do ano passado em solidariedade, em respeito às instituições e reafirmando o nosso compromisso com a democracia. E hoje, mais uma vez, estamos nos colocando, pois quando a democracia falta, ela não falta só para um partido, falta para o nosso povo”, destacou Raquel Lyra.

O ato foi organizado pelo Palácio do Planalto e teve como objetivo reafirmar a força da democracia brasileira. Na ocasião, foram reinaugurados de maneira simbólica alguns patrimônios que foram depredados no dia 8 de janeiro de 2023, como uma réplica da Constituição Federal de 1988 e uma tapeçaria de Burle Marx de 1973 que foi vandalizada.

Durante seu discurso, o presidente Lula afirmou que a democracia é importante para combater as desigualdades. “É preciso avançar cada vez mais na construção de uma democracia plena. Uma democracia que se traduza em igualdade de direitos e oportunidades, que promova a melhoria da qualidade de vida, sobretudo para quem mais precisa. Estamos nesta caminhada e chegaremos mais longe se caminharmos de braços dados”, apontou.

Estamos todos reunidos para renovar a nossa crença na democracia, na harmonia entre os poderes e na vida vivida com boa fé e boa vontade, componentes indispensáveis para um país melhor e maior”, afirmou o presidente do STF, Luís Roberto Barroso. “A democracia venceu. O estado constitucional prevaleceu. Demonstramos a solidez, a resiliência e a força das nossas instituições, mas também celebramos a união de todas as autoridades dos Três Poderes em torno da Constituição e defesa da democracia”, disse o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes.

Por sua vez, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, reforçou a maturidade das instituições. “Este é um ato de reafirmação da opção democrática feita pelo povo brasileiro, reafirmação de que a defesa da democracia é uma ação permanente e constante e reafirmação da maturidade e da solidez das nossas instituições”, pontuou.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, discursou representando todos os chefes de Executivos estaduais. “Represento, honrosamente, os governadores neste ato que reflete a união em torno do que é inegociável, que é a democracia. O 8 de janeiro foi uma das páginas mais infelizes da nossa história contemporânea. E o dia de hoje representa a volta da normalidade democrática, o respeito às instituições, a retomada do pacto federativo, a valorização da soberania popular e o repúdio ao autoritarismo, fascismo e à barbárie”, disse.

Previdência

Durante a manhã, a governadora Raquel Lyra foi recebida pelo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.

Tivemos a oportunidade de debater assuntos importantes para o Estado. Discutimos parcerias entre o Estado e a Federação para otimizar os atendimentos à população pernambucana”, afirmou Raquel Lyra.

Tratamos de assuntos estratégicos da Previdência Social no Estado de Pernambuco. Estamos trabalhando sempre em conjunto para melhorar a qualidade de vida dos nossos segurados”, destacou o ministro.

Carvana 10123 encerra campanha defendendo a democracia e fortalecendo a família pernambucana

O deputado estadual William Brigido (Republicanos), candidato à reeleição, encerrou a caravana 10123 ao lado do povo. De acordo com o candidato foram 90 dias de caminhadas, visitas e reuniões por todas as regiões de Pernambuco, levando esperança, compromisso e prestando contas do primeiro mandato. E esse novo modelo de fazer política, ouvindo as pessoas, explicando os projetos feitos, as leis aprovadas e colando as famílias no centro das demandas que a caravana conseguiu o apoio das comunidades, das lideranças e fortaleceu a parceria com os cristãos.

“Conheci novas histórias de vida, me comprometi com grandes prioridades e sempre fui recebido em cada casa, com confiança. Enxerguei ainda mais de perto que cuidar das famílias é a maior obra do próximo mandato”, disse o deputado William Brigido. Segundo ele, cuidar da família é olhar os filhos que precisam ter educação de qualidade. É cuidar dos pais que precisam de emprego e renda para manter a família. É cuidar dos avós que necessitam de uma saúde dignar para seguir com a jornada. É cuidar do desenvolvimento para gerar moradia, comida no prato e uma vida mais saudável.

Em seu discurso, o deputado agradeceu o apoio das lideranças de disse: “a nossa caravana 10123 defende a democracia e deseja que neste domingo, o seu voto seja sempre pela liberdade, pela defesa dos bons costumes e dos valores cristãos. Desejo que você possa fortalecer a fé, a força e a esperança em dias melhores. O meu compromisso é cuidar das pessoas e, portanto, faça valer a sua escolha”.