Prefeitura do Recife ultrapassa orçamento do turismo com campanha que exalta gestão de João Campos

Denúncia aponta que recursos destinados à promoção turística financiaram publicidade institucional da administração municipal; gastos da rubrica já alcançam R$ 18,9 milhões, acima dos R$ 15,6 milhões previstos na LOA para 2026

A Prefeitura do Recife está no centro de uma denúncia de desvio de finalidade orçamentária ao utilizar verbas destinadas à promoção turística para financiar propaganda política da gestão João Campos (PSB). De  acordo com reportagem publicada no blog do jornalista Manoel Medeiros a rubrica “promoção, estruturação e fortalecimento turístico”, que deveria atrair visitantes de outros destinos, está sendo usada para custear a campanha “Recife, faz gosto mostrar pro mundo”, veiculada na TV, streamings e redes sociais com foco na população local. Até julho de 2026, os gastos nessa área já somam R$ 18,9 milhões, ultrapassando os R$ 15,6 milhões previstos para o ano inteiro, conforme a Lei Orçamentária Anual – LOA.

As peças publicitárias destacam ações administrativas como a construção de pontes, hospitais e creches, temas que não possuem relação direta com o fortalecimento do setor turístico, mas sim com o apelo político-eleitoral. Além do desvirtuamento do recurso, os dados apresentados na campanha são questionados: enquanto a propaganda exalta “100 novas creches”, a gestão teria inaugurado cerca de apenas 15 unidades próprias, recorrendo a contratos com creches privadas de ONGs ligadas à lideranças políticas, cabos eleitorais de vereadores e em muitas localidades as “creches parceiras” apresentam infraestrutura precária e sinais de improviso. O foco das inserções em veículos de comunicação da própria cidade reforça a tese de uso indevido da máquina pública, já que o público-alvo do turismo reside, por lógica, fora da capital pernambucana.

Sob o comando do prefeito Victor Marques(PCdoB) que até abril era vice de João Campos, o montante total investido em publicidade, somando a institucional e a turística utilizada indevidamente, atingiu o patamar recorde de R$ 57,2 milhões. O pagamento desses valores está concentrado em cinco agências de publicidade, evidenciando uma estratégia agressiva de comunicação que prioriza a exaltação da gestão em detrimento da real divulgação do destino Recife para o Brasil e o mundo. O caso levanta sérias dúvidas sobre a transparência e a legalidade do uso de recursos públicos em um contexto de promoção política.

João Campos tem gestão mal avaliada e Recife cai no maior ranking de serviços públicos do Brasil

Levantamento do Instituto Veritá mostra que a capital pernambucana ficou fora do top 10 nacional e aparece entre as piores do Nordeste em áreas essenciais

O Recife vive um momento de forte desgaste na avaliação da gestão municipal. Dados do Instituto Veritá, responsável pelo maior levantamento independente sobre serviços públicos do Brasil, mostram que a capital pernambucana ficou fora do top 10 das capitais com melhor desempenho. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2025, com dados preliminares divulgados na segunda semana de janeiro de 2026, e revela que o município não atingiu a nota mínima de 4,9 necessária para integrar o grupo de excelência.

A maioria dos recifenses avalia de forma negativa a prestação de serviços essenciais e aponta falhas graves na transparência, no apoio social e no atendimento direto ao cidadão, indicando que a gestão do prefeito João Campos enfrenta uma crise de credibilidade.

O abismo da transparência

A nota 3,2 em Transparência (informações e gastos públicos) coloca o Recife em posição delicada no Nordeste. A capital empata com Teresina e supera apenas Natal (3,1), ficando muito atrás de São Luís (4,7) e Maceió (4,2). Para a maioria da população, o acesso a dados sobre o uso dos recursos públicos é insuficiente, o que dificulta o controle social e amplia a desconfiança na gestão.

Saúde mental em crise

Um dos piores desempenhos individuais do Recife está no apoio ao tratamento de dependência química, com nota 3,1 — abaixo da média nacional de 3,5. O dado evidencia uma lacuna severa na rede de proteção social e de saúde mental, em uma área de extrema sensibilidade.

Atendimento deficiente

O atendimento ao cidadão também aparece entre os piores indicadores, com nota 3,6. O resultado reflete a dificuldade da população em ter suas demandas resolvidas nos canais oficiais da prefeitura, reforçando a percepção de lentidão e ineficiência da máquina pública municipal.

O teto de vidro da excelência

Mesmo nos serviços considerados “melhores”, o Recife segue distante do padrão de excelência das capitais líderes. A limpeza urbana, melhor área avaliada na cidade, recebeu nota 5,3, enquanto Boa Vista alcançou 7,8. O contraste mostra que, mesmo onde a gestão local se destaca, ainda há grande distância em relação às referências nacionais.

Entre ilhas e abismos

Áreas como coleta de lixo (6,4) e educação (5,1) aparecem acima da média geral da cidade, mas não são suficientes para elevar o desempenho do Recife. No cenário regional, capitais como São Luís (5,7) e Maceió (5,4) se consolidam como exemplos, enquanto a capital pernambucana permanece marcada por opacidade administrativa e fragilidade social.

Os dados do Instituto Veritá apontam que a crise vai além de números: trata-se de uma ruptura na confiança entre a população e a gestão municipal. Enquanto outras capitais avançam, o Recife segue distante do padrão de excelência, com uma sociedade que cobra mais transparência, eficiência e políticas públicas que saiam do papel e cheguem a quem mais precisa.

TCE-PE Adota Linguagem Simples em Suas Decisões para Facilitar Compreensão dos Cidadãos

A partir do último dia (21), o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) vai publicar as notícias sobre as suas decisões com uma versão resumida em linguagem simples. A novidade vale tanto para decisões tomadas por um só conselheiro (chamadas monocráticas), quanto para as colegiadas (votadas nas Câmaras e no Pleno). 

O leitor poderá ler o resumo simplificado clicando no ícone no topo da matéria. Para retornar ao texto completo, que também estará escrito segundo os princípios da linguagem simples, basta fechar a caixa de diálogo. A primeira notícia simplificada já está no site do TCE-PE, e pode ser lida aqui. 

A medida faz parte do Projeto Linguagem Simples, uma das prioridades da gestão do conselheiro Valdecir Pascoal na presidência do TCE-PE. O objetivo é tornar as decisões do TCE-PE mais compreensíveis ao cidadão, respeitando o direito fundamental à informação. 

Resolvemos aderir a esse movimento mundial pela linguagem simples por entender que a cidadania não poderá ser plena enquanto a linguagem for excludente. Além disso, em uma quadra histórica como a que vivemos, marcada pelo avanço da desinformação no meio digital, comunicar-se com clareza torna-se ainda mais necessário”, explica o presidente do TCE-PE. 

O projeto também prevê, como piloto, a simplificação de documentos típicos, como relatórios de auditoria, votos e acórdãos. A ação segue a nota recomendatória 04/2023 da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).