Governo Federal e Aena anunciam R$ 9,2 bilhões para modernização de aeroportos em quatro estados

Investimento inclui financiamento do BNDES via Novo PAC e contempla terminais em SP, MS, PA e MG, com obras previstas até 2026

O Governo Federal e a Aena Brasil anunciaram um investimento de R$ 9,2 bilhões voltado à modernização da infraestrutura aeroportuária em quatro estados brasileiros: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pará e Minas Gerais. O anúncio foi feito durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença do presidente Lula, do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, entre outras autoridades.

O principal eixo do investimento contempla o bloco de 11 aeroportos arrematado pela concessionária na última rodada de concessões. Para esses terminais, estão previstos R$ 6,2 bilhões, sendo R$ 4,6 bilhões financiados pelo BNDES, dentro das ações do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, os recursos visam enfrentar desafios históricos da aviação civil, como a saturação estrutural do Aeroporto de Congonhas, além de impulsionar a interiorização do transporte aéreo no país.

“Estamos executando o maior programa de aviação regional da história. Embora seja essencial ter um olhar para os grandes centros, como estamos fazendo com a ampliação de Congonhas, é fundamental garantir o crescimento da aviação no interior do país. A prioridade do presidente Lula é levar o desenvolvimento para todas as regiões, com novos aeroportos no Norte e no Nordeste, conectando o Brasil profundo aos grandes mercados”, afirmou o ministro Silvio Costa Filho.

Além dos R$ 6,2 bilhões destinados ao novo bloco, a Aena também está investindo R$ 3,1 bilhões nos aeroportos que já administra no Nordeste. Somados, os aportes chegam a R$ 9,2 bilhões. A concessionária é responsável por cerca de 20% do tráfego aéreo nacional.

As obras, com previsão de conclusão já em 2026, também contemplam outros dez aeroportos administrados pela Aena: Uberlândia, Uberaba e Montes Claros (MG); Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá (MS); Santarém, Marabá, Carajás e Altamira (PA).

O presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, classificou o momento como histórico e reforçou o compromisso da empresa espanhola com o país.

“Estamos aqui hoje para formalizar a maior operação de financiamento para infraestrutura aeroportuária da história do país. Graças ao apoio do Governo Federal e do BNDES, damos início a uma nova era para a aviação civil brasileira, ampliando a modernização de 11 aeroportos em quatro estados. Esse investimento demonstra nossa confiança no crescimento do Brasil: recebemos a oportunidade de contribuir para conectar este país consigo mesmo e com o mundo”, declarou.

Raquel Lyra Lança Programa Sertão Vivo em Pernambuco

O Programa Sertão Vivo foi lançado em Pernambuco nesta quinta-feira (20) pela governadora Raquel Lyra e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. A iniciativa vai beneficiar 75 mil famílias de pequenos agricultores (cerca de 300 mil pessoas) que vivem em 55 municípios do Estado com o investimento de R$ 299,1 milhões. O projeto é executado pelo governo federal, por meio do BNDES, em parceria com Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da Organização das Nações Unidas (ONU), e vai destinar R$ 1,8 bilhão a todos os nove estados do Nordeste.

“Hoje celebramos o investimento de quase trezentos milhões para cuidar das famílias que vivem no semiárido nordestino. Com esse movimento iremos incentivar a agroecologia, preservando nossos biomas e garantindo o acesso à água. Estamos iniciando esse programa junto ao BNDES e ao FIDA e, com isso, nós vamos garantir uma mudança de padrão na vida de quem faz agricultura familiar em Pernambuco. Essas famílias que produzem mesmo diante da escassez de água e que, agora, terão acesso à renda, incentivos e tecnologias para ampliar sua produção”, destacou Raquel Lyra.

Dos quase R$ 300 milhões que serão destinados aos agricultores de Pernambuco, R$ 47,1 milhões são provenientes do FIDA (recursos doados) e o restante, R$ 252 milhões, virá de um financiamento firmado pelo Governo do Estado com o banco público. Ou seja, os homens e mulheres do campo não precisarão pagar nada pelo apoio. O BNDES já autorizou a operação de crédito e a minuta da lei autorizativa que contempla a operação foi enviada à Assembleia Legislativa (Alepe) em 17 de junho de 2024.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o Sertão Vivo representa a oportunidade de enfrentar as mudanças climáticas. “Conviver com a escassez hídrica, com a seca, nos inspira a olhar para o semiárido como um grande laboratório para entender como lidar com os extremos climáticos. Precisamos impedir a desertificação, recuperar a mata originária, a caatinga. Então esse é um programa que oferece um conjunto de políticas públicas articuladas para aumentar a renda e ofertar tecnologia para aprendermos a lidar com a crise climática e favorecer o Nordeste”, explicou.

A expectativa do Sertão Vivo é alcançar 75 mil famílias que moram em 55 municípios com maior incidência de pobreza rural, vulnerabilidade climática e exposição histórica à seca, incluindo comunidades tradicionais e povos indígenas. Nestas localidades estão previstas ações como quintais produtivos, cisterna de produção, sistema de reuso de águas, roçados, além de práticas de gestão hídrica eficiente e sistemas agroflorestais com espécies nativas da caatinga adaptadas ao semiárido.

“Agradeço o empenho do BNDES e ao estado de Pernambuco, que articulou, através da liderança da governadora Raquel Lyra, o projeto que foi contemplado pelo Sertão Vivo. Nosso objetivo é gerar oportunidades e maior capacidade para todos os agricultores atendidos. Mais de 80% das comunidades quilombolas estão presentes no semiárido, então essa é uma ação voltada, sobretudo, às comunidades tradicionais”, afirmou o coordenador do FIDA no Brasil, Hardi Vieira.

Agricultora da zona rural de Capoeiras, no Agreste, Josefa Quitéria, de 35 anos, comemorou a iniciativa. “Quando não recebemos iniciativas como essa, ficamos adormecidos. E agradeço muito por esse programa, pois ele nos fortalece. Os agricultores são fortes, trabalhadores e determinados. Então, tudo aquilo que vem para agregar, nos mantém firmes na nossa produção”, afirmou.

Em Pernambuco, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca (SDA) será responsável por executar o projeto, por meio do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). “O maior volume desse orçamento, mais de 50%, será destinado ao acesso de água para a produção, porque os nossos agricultores sabem muito bem a dificuldade que enfrentam no campo para ter água de qualidade. Então serão feitas cisternas, barragens subterrâneas para que consigam armazenar água no momento de maior dificuldade de acesso a esse bem tão precioso”, detalhou a presidente do IPA, Ellen Viégas.

Presente no evento, o senador Fernando Dueire, destacou a parceria entre os governos estadual e federal. “Essa é uma ação importante para o nosso semiárido, que enfrenta tantas dificuldades. Parabenizo a governadora Raquel Lyra por ter articulado esta iniciativa junto ao governo federal, que está atento para atender às populações mais carentes”, disse. Por sua vez, o deputado estadual João Paulo apontou que o Sertão Vivo irá transformar a vida no campo. “Esse programa vai resgatar a importância do semiárido, que se não for olhado, irá atingir as famílias mais pobres do nosso país. Então, o Sertão Vivo vem para transformar a vida das pessoas que mais precisam com ações concretas”, pontuou.

Participaram da cerimônia os secretários estaduais Fabrício Marques (Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional), Ana Luiza Ferreira (Meio Ambiente e Sustentabilidade, e Fernando de Noronha), Keynes Bonatti (em exercício de Ciência, Tecnologia e Inovação), Guilherme Cavalcanti (Desenvolvimento Econômico), Juliana Gouveia (interina da Mulher), Fernando Holanda (Assessoria Especial e Relações Internacionais) e Hercílio Mamede (Casa Militar). Também estiveram presentes a diretora de crédito digital para micro, pequena e média empresa do BNDES, Maria Fernanda Coelho; a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello; o superintendente da Caixa Econômica Federal em Pernambuco, Paulo Nery; o superintendente da Sudene, Danilo Cabral; o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae, Fausto Pontual; o superintendente estadual do Banco do Nordeste, Hugo Luiz de Queiroz; o superintendente do Banco do Brasil em Pernambuco, Henrique Dantas; e o vice-presidente regional da CICRED, Romeu Krause.

Confira, abaixo, os municípios que serão contemplados com recursos do Sertão Vivo e a estimativa de famílias atendidas em cada um deles:

  1. Afrânio (2.200)
  2. Águas Belas (2.600)
  3. Alagoinha (1.200)
  4. Altinho (800)
  5. Betânia (1.200)
  6. Bodocó (2.000)
  7. Bom Jardim (3.000)
  8. Brejão (1.000)
  9. Buíque (1.800)
  10. Cabrobó (3.000)
  11. Caetés (3.000)
  12. Calçado (800)
  13. Calumbi 600
  14. Canhotinho (400)
  15. Capoeiras (2.000)
  16. Carnaubeira da Penha (1.400)
  17. Caruaru (400)
  18. Casinhas (1.200)
  19. Cumaru (1.800)
  20. Dormentes (2.000)
  21. Exu (2.000)
  22. Flores (800)
  23. Frei Miguelinho (2.200)
  24. Iati (2.000)
  25. Inajá (800)
  26. Ingazeira (600)
  27. Itaíba (800)
  28. Jataúba (1.800)
  29. Jucati (500)
  30. Jupi (800)
  31. Jurema (500)
  32. Lagoa do Ouro (500)
  33. Lagoa dos Gatos (700)
  34. Lagoa Grande (1.200)
  35. Manari (2.000)
  36. Mirandiba (900)
  37. Moreilândia (1.200)
  38. Orobó (700)
  39. Orocó (1.400)
  40. Ouricuri (1.800)
  41. Paranatama (1.300)
  42. Pedra (2.700)
  43. Poção (900)
  44. Riacho das Almas (1.100)
  45. Sairé (1.200)
  46. Saloá (700)
  47. Santa Filomena (1.200)
  48. Santa Maria da Boa Vista (3.000)
  49. Santa Maria do Cambucá (1.800)
  50. São João (2.000)
  51. São Joaquim do Monte (700)
  52. Serrita (800)
  53. Tupanatinga (800)
  54. Vertente do Lério (800)
  55. Vertentes (400)
Alckmin anuncia linha de crédito de R$ 15 bilhões para empresas afetadas por catástrofe no RS

O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou em coletiva de imprensa, na tarde desta segunda-feira (27), que uma linha de crédito de R$ 15 bilhões, voltada para as grandes empresas afetadas pela catástrofe ambiental no Rio Grande do Sul, deve ser definida hoje pelo presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ainda segundo Alckmin, o auxílio será por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O presidente vai definir com o ministro da Fazenda, está praticamente elaborada a medida provisória e deve definir a questão desse crédito para as grandes empresas. Será anunciado entre hoje e amanhã”, garantiu Alckmin, que está no Rio Grande do Sul para cumprir agendas com setor produtivo gaúcho.

Durante a coletiva, o vice-presidente fez ainda um breve balanço sobre as ações para o setor frente às fortes chuvas na região. “Foram liberados recursos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), juros zero na rede de bancos públicos, e também nas cooperativas. O Rio Grande do Sul tem um sistema de cooperativas de crédito muito forte de grande capilaridade, nasceram aqui as cooperativas de crédito, Pronaf, depois o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), atendendo as médias empresas agrícolas com juro zero; Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), com juros real zero. Na próxima medida provisória, o presidente Lula vai incluir cooperativas de crédito, para elas poderem também participar”, explicou Alckmin.