Após férias na Bahia, Lula participa de reuniões com a equipe de transição

Com informações da Agência OGlobo

Depois de dias de descanso na Bahia, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de reuniões com a equipe de transição de governo, nesta segunda-feira (7), a partir das 10h, em São Paulo (SP). O foco está na manutenção do auxílio de R$ 600, retomando o Bolsa Família. O valor não está assegurado no Orçamento de 2023, e o desafio é negociar os ajustes com o Congresso Nacional. Lula vai tomar posse em 1º de janeiro de 2023.

Esta semana, ele desembarcará em Brasília para uma intensa agenda com autoridades do Legislativo e do Judiciário. Lula chegará à capital federal ao lado do vice-presidente eleito e coordenador da transição, Geraldo Alckmin (PSB), e de ampla comitiva.

O petista tem reuniões previstas com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. Será a primeira agenda oficial com Lira, que até então se posicionou como aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A transição em Brasília começará com reuniões marcadas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), espaço em Brasília a cerca de 7 km do Palácio do Planalto.

O CCBB abriga exposições, shows e cinema durante o ano. Desde 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, o local é cedido para a equipe de transição de governo. Em 2018, foi lá que a equipe nomeada por Bolsonaro se reuniu com integrantes da gestão de Michel Temer (MDB). Lula também transferiu seu governo para lá em 2009, durante reforma do Palácio do Planalto.

Avaliação das contas

O chefe da transição é Alckmin. Assim como Lula, ele terá seu próprio gabinete instalado nas salas de reunião do CCBB. Também haverá um espaço de reuniões e algumas salas para as equipes técnicas.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, visitou o local na última sexta-feira, acompanhada do coordenador do programa de governo da campanha, Aloizio Mercadante, e de parlamentares do partido, e disse que serão necessários os dois andares do prédio, já que haverá pessoas trabalhando como voluntárias.

O governo eleito deve indicar 50 nomes para avaliar as contas e os programas do atual governo, além de debater a viabilidade de promessas de campanha. Esses nomes serão divididos em grupos temáticos. O ex-ministro da Educação Fernando Haddad, por exemplo, vai liderar reuniões com colaboradores na área. A ideia é reunir sugestões de diversos setores incluindo fundações, parlamentares, organizações do terceiro setor e entidades representativas da educação.

Nem todos os participantes vão compor a equipe de transição, mas fornecerão subsídios para o grupo da linha de frente. A sistematização das sugestões dos colaboradores ficará sob responsabilidade de Henrique Paim, ex-ministro da Educação durante o governo Dilma Rousseff e braço direito de Fernando Haddad. Não há definição, no entanto, de que Paim será o coordenador da transição nesta área.

Área de educação

Entre os que foram chamados para a equipe da área de educação estão quadros do PT, como a senadora eleita Teresa Leitão, a deputada federal Rosa Neide e Heleno Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Também há representantes ligados a fundações como Neca Setubal, pessoa de confiança da ex-ministra Marina Silva (Rede); e a organizações do terceiro setor, como Daniel Cara, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Embora esteja à frente das discussões, Haddad tem deixado claro a interlocutores quer não quer assumir a área novamente. A pasta é uma das mais caras ao PT e uma das vitrines dos governos de Lula e Dilma.

Após eleição de Lula, autoridades fazem apelo à pacificação do Brasil

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), falou à imprensa logo depois do anúncio do resultado do segundo turno e declarou que Luiz Inácio Lula da Silva precisará trabalhar pela reunificação do Brasil. Ele se colocou à disposição para contribuir na apreciação de projetos do atual governo (Jair Bolsonaro) pelos próximos dois meses, assim como para ajudar na transição de poder. “Houve uma clara divisão da sociedade, por votações quase simétricas, muito próximas umas das outras, para um candidato e para outro candidato. O papel dos novos mandatários é seguramente o de reunificarem o Brasil. Buscarem encontrar, por meio da União, as soluções reclamadas pela sociedade brasileira”, disse.

De acordo com Pacheco, as instituições devem procurar acalmar os ânimos. Ele frisou que o futuro presidente da República deve governar para toda a sociedade, dar um “basta ao ódio e à intolerância” e recuperar o respeito pelas divergências. “Temos um país plural e diverso. O exemplo das instituições é fundamental para que a sociedade brasileira possa se reunir novamente e que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, possa governar para todos”, continuou.

Pacheco elogiou a apuração e disse que as eleições mostraram a confiabilidade das urnas eletrônicas. “No fim, o que identificamos foi a segurança, a lisura, a confiabilidade das urnas eletrônicas, que deram (…) resultados fidedignos da vontade popular de cada voto depositado nelas. Isso acabou sendo uma questão superada, em função desse trabalho duradouro e constante das instituições na afirmação da confiabilidade da Justiça Eleitoral”, admitiu Pacheco.

Propostas
Em relação à transição, o presidente do Senado prometeu que os parlamentares trabalharão para discutir e votar as propostas que faltam nos dois meses finais de governo e prometeu que a Casa trabalhará pela máxima eficiência da transferência de informações à próxima gestão (de Lula). Ele admitiu que o comportamento e a postura de Bolsonaro contribuirão para a transição. “Que a transição seja a mais eficiente possível. Para que novo governo possa colocar em prática o plano de governo a partir de 1º de janeiro. Acredito em transição pacífica e civilizada, não quero admitir hipótese contrária.”

Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a decisão dos brasileiros de eleger Lula “jamais deverá ser contestada”. “Ao presidente eleito, a Câmara dos Deputados lhe dá os parabéns e reafirma o compromisso com o Brasil, sempre com muito debate, diálogo e transparência. É preciso ouvir a voz de todos, mesmo divergentes, e trabalhar para atender às aspirações mais amplas.”

Lira afirmou que, passado o processo eleitoral, é hora de desarmar os espíritos, estender a mão aos adversários, debater, construir pontes, propostas e práticas que tragam mais desenvolvimento, empregos, saúde, educação e marcos regulatórios eficientes. “Tudo que for feito daqui para frente tem que ter um único princípio: pacificar o Brasil e dar melhor qualidade de vida ao povo”, defendeu. “A vontade da maioria jamais deverá ser contestada. Seguiremos em frente, na construção de um país soberano. Um Brasil no caminho das reformas, um Estado menor e mais eficiente. E esse recado foi dado e deverá ser levado a sério”, disse.

Segundo Lira, o momento não é de revanchismo ou de perseguições, mas de debater, dentro das instâncias democráticas, e avançar na melhoria da vida de todos e, principalmente, dos mais vulneráveis. O ex-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) disse que cumpria “o saudável dever democrático” de cumprimentar Lula. “Desejo ao presidente eleito toda a felicidade na honrosa missão a si concedida pela maioria de nosso povo.”

Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, avaliou que “saem de cena o grotesco, a barbárie e a intimidação como elementos indissociáveis do exercício cotidiano do poder; e a violação sistemática das leis e da Constituição como método de governar e como atalho para o atingimento de objetivos políticos e pessoais”.

Democracia
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou seu apoio a Lula nos últimos dias da campanha, limitou-se a postar uma curta mensagem em seu perfil no Twitter: “Parabéns Lula pela vitória. Venceu a democracia, venceu o Brasil!”, escreveu. FHC publicou uma foto em que aparece ao lado do presidente eleito.

No mesmo tom do ex-presidente, Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, destacou que, “acima de tudo, o país escolheu a democracia”. “Agora, temos que reconstruir um país destruído pela irresponsabilidade e pela incompetência. Na área ambiental, será uma longa jornada para refazer o que foi arrasado, a começar pela retirada dos invasores das áreas indígenas e pela retomada do combate ao crime ambiental. O pesadelo está quase no fim, porém não podemos esquecer que Bolsonaro ainda tem mais três meses com a caneta na mão e ainda pode, neste fim de mandato, promover mais retrocessos na agenda ambiental”, frisou.

F1 fecha as portas definitivamente para Rússia após guerra

CEO da categoria, Stefano Domenicali justificou decisão por valores inegociáveis; país recebia corridas desde 2014 e teve etapa de 2022 cancelada após invasão à Ucrânia.

Embora o assunto sobre a Guerra da Ucrânia seja menos recorrente no esporte desde a eclosão do conflito, a F1 não mudou seu posicionamento sobre a Rússia, que invadiu o país vizinho em 24 de fevereiro deste ano. Depois de cancelar o GP da Rússia, que seria em 25 de setembro deste ano, a categoria rescindiu contratos e reafirmou que seus valores impedem um futuro retorno ao calendário.

– Eles nos pagaram quantias insanas, mas há coisas que não são negociáveis. Não vamos mais lidar com eles. Não haverá mais corridas lá – sentencia Stefano Domenicali, presidente da F1.

O conflito que já se estende há seis meses provocou após certa resistência da F1 o cancelamento da etapa, promovida desde 2014 no Circuito de Sochi – dentro do Parque Olímpico da cidade que sediou as Olimpíadas de Inverno no mesmo ano.

Uma série de medidas sucedeu a decisão inicial, como a proibição do uso de símbolos, hinos e bandeiras por pilotos da Rússia e Belarus – atletas dos dois países passaram a utilizar a bandeira da Federação Internacional do Automobilismo (FIA), caso de Alexander Smolyar, da Fórmula 3.

Sebastian Vettel com seu capacete em protesto pedindo o fim da guerra na Ucrânia — Foto: Dan Istitene/F1 via Getty Images

A entidade ainda afastou temporariamente, de sua comissão, representantes das nacionalidades em questão, e vetou a realização de eventos nos territórios.

Em março, a Haas, até então mantida na F1 pelo patrocínio do magnata russo de fertilizantes Dmitry Mazepin, anunciou a saída do piloto Nikita Mazepin, filho do bilionário, e da marca da família, a empresa Uralkali.

No mesmo mês, a F1 rescindiu definitivamente o contrato com o GP da Rússia, inviabilizando ainda a transferência da prova de Sochi para o Circuito de Igora Drive em São Petesburgo, que seria concluída em 2023.

Stefano Domenicali, chefe da Fórmula 1 — Foto: Lars Baron/Getty Images

Stefano Domenicali, chefe da Fórmula 1 — Foto: Lars Baron/Getty Images

 

Permanência polêmica, ausência questionada

Se a F1 não hesitou em encerrar suas atividades na Rússia por razões sociais – devido à guerra -, a categoria se mantém firme no Oriente Médio, correndo há anos no Bahrein e na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi. No último ano, foram inclusas provas no Catar e Arábia Saudita, países acusados de mortes e violações aos direitos humanos.

Pilotos discutiram situação do GP da Arábia Saudita após atentados em Jeddah por mais de 4 horas — Foto: Clive Rose - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

Pilotos discutiram situação do GP da Arábia Saudita após atentados em Jeddah por mais de 4 horas — Foto: Clive Rose – Formula 1/Formula 1 via Getty Images

Enquanto a corrida no Circuito de Losail fará uma pausa em 2022 devido à Copa do Mundo de futebol no Catar, Jeddah já retornou ao calendário na atual temporada, em etapa marcada por ameaças de grupos armados e um atentado a menos de 10 km do circuito durante o GP.

Fumaça de atentado na Arábia Saudita é vista do Circuito de Jeddah — Foto: Intel Omarion

Fumaça de atentado na Arábia Saudita é vista do Circuito de Jeddah — Foto: Intel Omarion

Apesar das críticas do público, entidades de direitos humanos e até pilotos como Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, Domenicali defendeu a permanência da F1 no Oriente Médio:

– Queremos usar a força do nosso esporte para impulsionar a mudança. E vemos que algo está acontecendo.

Outro ponto abordado pelo italiano foi a ausência da F1 na Alemanha, que recebeu a categoria de 1951 até 2020 com os GPs da Alemanha, Luxemburgo e Eifel, revezando-se nos últimos anos nos Circuitos de Nurburgring e Hockenheimring.

Pilotos da F1 no GP de Eifel, em Nürburgring — Foto: Bryn Lennon/Getty Images

Pilotos da F1 no GP de Eifel, em Nürburgring — Foto: Bryn Lennon/Getty Images

Domenicali alfinetou os organizadores da corrida alemã que, apesar da intenção da categoria de viabilizar o retorno ao país, não conseguiu trazer a F1 de volta.

 

– Eles falam, falam, falam, mas no final você precisa de fatos. É um mistério para mim como alguém não consegue construir um negócio em torno de um GP. Uma corrida em Hockenheim ou Nurburgring seria atraente, mas tem valer a pena. Não podemos arcar com todos os custos – explicou.

Domenicali alfinetou os organizadores da corrida alemã que, apesar da intenção da categoria de viabilizar o retorno ao país, não conseguiu trazer a F1 de volta.

 

– Eles falam, falam, falam, mas no final você precisa de fatos. É um mistério para mim como alguém não consegue construir um negócio em torno de um GP. Uma corrida em Hockenheim ou Nurburgring seria atraente, mas tem valer a pena. Não podemos arcar com todos os custos – explicou.