Maior convenção partidária do estado marca lançamento da candidatura à reeleição de Raquel Lyra pelo PSD

Convenção realizada neste domingo (2), no Bairro do Recife, oficializou a chapa com Priscila Krause como candidata à reeleição para vice-governadora e Túlio Gadêlha ao Senado, reunindo milhares de militantes, lideranças políticas e aliados em um dos maiores atos da campanha em Pernambuco

O PSD lançou, neste domingo (2), a candidatura da governadora Raquel Lyra à reeleição ao governo de Pernambuco. O anúncio foi feito durante convenção partidária realizada no espaço de festas Parador, no Bairro do Recife.

Raquel Lyra tenta conquistar um segundo mandato à frente do Palácio do Campo das Princesas, de onde saiu, neste domingo, em caminhada junto com militantes e lideranças políticas pelo Bairro do Recife até o local da convenção.

Na chapa encabeçada pela governadora, também foram oficializados os nomes de Priscila Krause (PSD), que vai se candidatar à reeleição como vice-governadora, e do deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), candidato ao Senado. No sábado (1º), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) foi anunciado como o outro candidato a senador pelo grupo.

Advogada de formação, Raquel Lyra é filha do ex-governador João Lyra Neto e procuradora concursada do governo do estado. Iniciou a carreira política como deputada estadual, foi prefeita de Caruaru por dois mandatos e, em 2022, tornou-se a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco.

Naquele ano, Raquel venceu a eleição em segundo turno, após terminar a primeira etapa da eleição atrás de Marília Arraes (à época, no Solidariedade) — que, hoje, é candidata ao Senado na chapa do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), principal adversário da governadora.

Em discurso na convenção, Raquel Lyra lembrou do marido, Fernando, que morreu no dia do primeiro turno das eleições de 2022.

Ela afirmou ter assumido o governo “com as contas quebradas” e disse ter ido a Brasília pelo menos 150 vezes, buscar investimentos para Pernambuco. Também falou sobre machismo na política e sobre ter sido a primeira mulher eleita para governar o estado.

“Duvidaram que uma mulher filha do interior pudesse ter a capacidade de devolver Pernambuco. Não a sua capacidade de investir, mas de fazer as pessoas acreditarem no presente, olhando para o futuro. Tentaram segurar nosso mandato de tudo que é jeito, inventaram todas as formas, cobraram de mim como nunca cobraram a um homem governador de Pernambuco”, afirmou.

Raquel Lyra também falou sobre sua própria gestão e afirmou ter andado desde Petrolina, no Sertão, ao Recife, para convocar as pessoas.

“Vim andando de cidade em cidade, conclamando e convocando para que a gente pudesse estar aqui hoje. Porque nada, nada é capaz de superar a força de um povo que se une. Não que se une em torno de um projeto de poder, mas que se une em torno de fazer o nosso estado crescer, sem deixar ninguém para trás”, disse.

Raquel Lyra (PSD) durante a convenção que oficializou a candidatura dela à reeleição no governo de Pernambuco — Foto: Pedro Alves/g1

Quem também teve a candidatura confirmada foi a vice-governadora Priscila Krause, que vai concorrer ao mesmo cargo. Na convenção, ela falou sobre os dois candidatos a senador, e afirmou que eles, se eleitos, vão ajudar na governabilidade. Ela também elogiou a correligionária e disse que as duas estão “mais juntas que nunca”.

“Quando a gente chegou, vocês sabem que a casa estava desarrumada. Que deu um trabalho danado, mas a gente escolheu uma líder, uma governadora que não tem medo de desafios. Aliás, toda vez que a gente diz a Raquel ‘essa bronca é grande, ela fala ‘pois é com ela eu vou me abraçar’. E a gente se abraçou com essa bronca. Diante da sua mesa se colocaram problemas e escolhas para você fazer que não foram as mais fáceis, mas você fez, todas as vezes, as escolhas certas. Você apontou nos apontou os caminhos, juntou um time”, declarou.

Candidatos ao Senado

A composição da chapa foi consolidada após meses de negociações políticas e mudanças nas alianças partidárias.

Um dos principais movimentos ocorreu em março, quando o União Brasil rompeu com o grupo liderado por João Campos (PSB) e passou a integrar a base da governadora.

A aproximação levou Miguel Coelho, presidente estadual do União Brasil, a participar de agendas políticas e entregas do governo. Posteriormente, no entanto, ele perdeu a disputa interna da Federação União Progressista pela candidatura ao Senado para o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e anunciou, no sábado, a retirada de seu nome da disputa.

No mesmo dia, Eduardo da Fonte oficializou seu nome como candidato ao Senado, em convenção partidária do PP.

Na chapa majoritária, Raquel também conta com a candidatura de Túlio Gadêlha ao Senado. Ele era filiado à Rede, que compõe federação com o PSOL, e se filiou ao PSD para viabilizar seu nome como candidato a senador, já que as duas legendas estavam alinhadas com o grupo de João Campos.

Em discurso na convenção, Túlio Gadêlha disse se sentir honrado por ter sido escolhido para ser candidato pelo partido da governadora, e afirmou que, se eleito, terá a missão de construir pontes com o governo Lula (PT), numa eventual reeleição de Raquel Lyra.

“Eu sei que eu posso construir as pontes com o presidente Lula para trazer mais desenvolvimento pra Pernambuco. E eu sei o quanto é importante. Quem é Lula faz o ‘L’, mas eu quero dizer uma coisa muito importante. Nesse palanque aqui não existe ódio. Aqui existe respeito a quem pensa diferente, a quem lutam e trabalham por Pernambuco”, declarou.

Trajetória de Raquel Lyra

Raquel Teixeira Lyra Lucena é advogada e política, nasceu no Recife e é filha do ex-governador João Lyra Neto, que assumiu o governo em 2014, após a renúncia de Eduardo Campos (PSB) para concorrer à Presidência. Ele, que era o pai do atual adversário da governadora, morreu num acidente aéreo.

João Lyra Neto e Mércia Lyra tiveram, além de Raquel, outras duas filhas, Paula e Nara.

Viúva, Raquel Lyra perdeu seu marido, o empresário Fernando Lucena, no dia das eleições de primeiro turno de 2022, quando era candidata a governadora. Ele teve um mal súbito e chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O casal teve dois filhos, João e Fernando, que têm 16 e 14 anos.

Raquel Lyra é formada em direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Já trabalhou como advogada do Banco do Nordeste e, em 2002, assumiu o cargo concursado de delegada da Polícia Federal, onde permaneceu até 2005.

Ela renunciou ao cargo após passar no concurso para a Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Durante a gestão de Eduardo Campos, foi chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do governo, entre 2007 e 2010.

Foi eleita deputada estadual em 2010, pelo PSB, mas licenciou-se do cargo para assumir a Secretaria da Criança e da Juventude no segundo mandato de Eduardo Campos. Em 2014, foi reeleita deputada estadual com a terceira maior votação do estado.

Durante o mandato na Assembleia Legislativa, presidiu a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, foi vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente e membra titular da Comissão de Negócios Municipais e suplente da Comissão de Ética.

Saiu do PSB em março de 2016, ano em que lançou candidatura à prefeitura de Caruaru pelo PSDB. Foi eleita em segundo turno, com 93.803, o que corresponde a 53,15% dos votos válidos, e se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na cidade. Em 2020, foi reeleita em primeiro turno, com 114.466 votos, ou 66,86% dos votos válidos.

Em 2022, deixou a prefeitura para disputar o governo de Pernambuco. Terminou o primeiro turno na segunda colocação e derrotou Marília Arraes no segundo turno, tornando-se a primeira mulher eleita governadora do estado.

Em março de 2025, Raquel deixou o PSDB e filiou-se ao PSD, legenda pela qual disputa a reeleição.

Calendário de convenções

As convenções são os eventos em que os filiados dos partidos se reúnem para escolher os candidatos nas eleições. A data limite é 5 de agosto.

Na sequência, os nomes devem ser registrados no Tribunal Superior (TSE) até o dia 15 de agosto. A campanha eleitoral começa oficialmente no dia seguinte. Nas eleições deste ano, em 4 de outubro, os brasileiros vão votar para:

  • presidente;
  • governador;
  • Senado (duas vagas por estado);
  • deputado federal;
  • deputado estadual.
Caiado diz que Raquel não pode ser cobrada por apoio e defende neutralidade da governadora em Pernambuco

Pré-candidato à Presidência pelo PSD elogiou a gestão de Raquel Lyra e afirmou que terá palanque próprio no estado, mesmo sem pedido de voto da governadora

O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou estar tranquilo com o fato de a governadora Raquel Lyra (PSD) não pedir voto para ele em Pernambuco.

A gestora, que faz diversas sinalizações de unidade institucional com o presidente Lula, recebeu o “aval” do líder do partido, Gilberto Kassab, para declarar voto no petista, o que Raquel não fez até então, optando pela neutralidade. Em entrevista à CNB Recife, Caiado teceu elogios à chefe do Executivo estadual e disse que ela não pode ser cobrada.

“Com muita tranquilidade. Sabe porque? Porque você não pode cobrar da governadora, que mostra toda a sua capacidade ímpar de gestão. Me dou maravilhosamente bem com a governadora Raquel. competentemente você viu enfrentar o que é superar os primeiros anos de dificuldade, dar a volta por cima e agora se consolidar no processo deste ano e, sem dúvida nenhuma, um segundo mandato será consagrador”, afirmou.

Caiado explicou que nacionalmente muitos candidatos estão adotando a mesma estratégia, uma vez que há eleitores que votam em um nome de determinado partido para governador e outro para a presidente. 

“Neste momento você tem que entender que existe um processo de nacionalização que um governador não quer entrar nele, é mais do que normal. As pessoas, às vezes, que votam nela votam em outros presidentes. Neste momento, ela está cuidando de Pernambuco, a função dela neste momento é cuidar de Pernambuco. Meu palanque aqui eu terei, com deputados, com cadidato ao Senado, terei com prefeitos que é a densidade do PSD no estado” completou.

Apesar da fala de Caiado, o nome do PSD que tem despontado como favorito para o Senado é o do deputado federal Túlio Gadêlha, que representa a ala lulista na chapa de Raquel. A pré-candidatura dele, inclusive, foi costurada pelo Planalto. O Blog Cenário registrou, durante um evento do PSD com prefeitos em Brasília, Kassab afirmou que o parlamentar trabalha pelo presidente.

“Na minha cédula eu vou tirar o presidente Lula, respeitosamente, e vou por o Caiado. A Raquel vai ter o Túlio trabalhando por Lula e tantos de vocês aqui. Se o Lula tiver o apoio de vocês aqui, é porque merece o apoio de vocês. Eu vou pescar alguns para fazer a campanha para o Caiado”, disse em tom bem humorado.

Datafolha: Raquel Lyra aparece com 48% e João Campos com 43% na disputa pelo Governo de Pernambuco

Pesquisa divulgada pela TV Tribuna aponta liderança da governadora no cenário estimulado e vantagem também na simulação de segundo turno

O Instituto Datafolha divulgou, nesta quinta-feira (28), nova pesquisa com as intenções de voto para o Governo de Pernambuco. De acordo com o levantamento, divulgado pela TV Tribuna, a governadora Raquel Lyra (PSD) lidera com 48% das intenções de voto, contra 43% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), no cenário estimulado.

Ivan Moraes (PSOL) tem 2% das intenções de voto. Brancos e nulos somam 4%, enquanto 2% dos entrevistados não sabem ou não responderam. 

Confira os números abaixo:

  • Raquel Lyra (PSD): 48% (+10)
  • João Campos (PSB): 43% (-7)
  • Ivan Moraes (PSOL): 2% (+1)
  • Brancos/nulos: 4% 
  • Não sabe/não respondeu: 2%

De acordo com a pesquisa divulgada nesta quinta-feira, Raquel Lyra e João Campos estão empatados dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Com isso, Raquel Lyra varia entre 45% e 51%, enquanto João varia entre 40% e 46% pontos. 

A pesquisa ouviu 1022 pessoas, entre os dias 25 e 27 de maio. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O grau de confiança da pesquisa é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as inscrições PE-07888/2026 e BR-04242/2026 e foi o primeiro divulgado pela TV Tribuna.

Pesquisa espontânea

O levantamento do Datafolha também trouxe os dados da pesquisa espontânea, cenário onde o eleitor não é informado sobre o nome dos pré-candidatos. Nesse cenário, a governadora Raquel Lyra também lidera, com 35% das intenções de voto, contra 22% do ex-prefeito do Recife João Campos.

Também foram registradas respostas como “no atual governador” (1%), ou “no filho de Eduardo Campos” (1%) e até no ex-governador Eduardo Campos (1%). 31% dos entrevistados não sabem em quem votar. Brancos, nulos ou nenhum, somam 5%. Outras respostas chegam a 4%.

Segundo turno

O levantamento também trouxe os números da simulação de segundo turno entre Raquel Lyra e João Campos. De acordo com a pesquisa, a governadora lidera o cenário com 51%, contra 44% do ex-prefeito do Recife.

Neste cenário, a governadora lidera de forma isolada. Dentro da margem de erro, Raquel varia entre 48% e 54%, enquanto João tem entre 41% e 47%. Brancos e nulos são 4%, enquanto indecisos somam 1%.

Confira os números abaixo:

  • Raquel Lyra (PSD): 51%
  • João Campos (PSB): 44%
  • Brancos/nulos: 4%
  • Indecisos: 1%

Rejeição

O levantamento também trouxe o índice de rejeição aos candidatos ao Governo de Pernambuco.

De acordo com a pesquisa Datafolha, Ivan Moraes é o candidato mais rejeitado pelos eleitores, com 59%. O ex-prefeito do Recife João Campos tem 29% de rejeição, enquanto a governadora Raquel Lyra aparece com rejeição de 25% dos entrevistados.

Confira os números abaixo:

  • Ivan Moraes (PSOL): 59%
  • João Campos (PSB): 29%
  • Raquel Lyra (PSD): 25%