O IPO de 1602 e a corrida espacial de 2026: por que o futuro sempre pertence aos obstinados

Em artigo, Janguiê Diniz compara a criação da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) com a trajetória da SpaceX para refletir sobre inovação, risco e a construção do futuro

Coluna Janguiê Diniz

Em 1602, um grupo de investidores decidiu financiar algo que jamais havia sido feito. Sob a liderança do estadista holandês Johan van Oldenbarnevelt, eles colocaram dinheiro em uma empresa que prometia navegar por oceanos desconhecidos, atravessar tempestades imprevisíveis e alcançar terras que poucos acreditavam existir.

Mais de quatro séculos depois, investidores fizeram algo semelhante. Apostaram bilhões em uma empresa cujo objetivo não era cruzar mares, mas conquistar o espaço. Separadas por 424 anos, a Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) e a SpaceX contam, na essência, a mesma história: a história de pessoas que transformaram o impossível em uma oportunidade de investimento. É também a história da obstinação humana, essa capacidade de seguir adiante mesmo quando o caminho parece incerto.

A tecnologia mudou. Os meios mudaram. Mas a natureza humana permanece a mesma. O progresso sempre foi financiado por aqueles que acreditaram antes das provas definitivas. Em outras palavras, por aqueles que tiveram a coragem de agir com obstinação quando a maioria preferiu esperar.

Quando a VOC foi criada, em 1602, o mundo era muito diferente. Não existiam bolsas de valores modernas, fundos de investimento ou mercados globais. Uma viagem da Europa até a Ásia podia durar mais de oito meses. Tempestades destruíam embarcações, doenças matavam tripulações inteiras e piratas atacavam rotas comerciais.

Mesmo assim, havia um prêmio gigantesco esperando do outro lado. Especiarias como pimenta, canela, noz-moscada e cravo tinham valor extraordinário na Europa, chegando a ser negociadas por preços equivalentes ao ouro. O problema era o financiamento. Nenhum comerciante individual possuía capital suficiente para bancar expedições tão arriscadas.

Foi então que Oldenbarnevelt ajudou a viabilizar uma ideia revolucionária: unir seis companhias rivais e dividir o risco entre milhares de investidores. A VOC captou aproximadamente 6,5 milhões de florins holandeses, uma quantia monumental para a época. Pela primeira vez na história, pessoas comuns podiam adquirir participação em uma empresa e compartilhar seus lucros.

Nascia o mercado de capitais moderno. Mais do que uma inovação financeira, era uma inovação de confiança. Hoje, quando um investidor compra ações pelo celular em poucos segundos, é difícil compreender o nível de incerteza existente em 1602.

Os acionistas da VOC não recebiam relatórios trimestrais. Não havia internet. Não havia comunicação instantânea. Muitas vezes, passavam anos sem saber se uma frota havia chegado ao destino ou desaparecido no mar. Era um investimento baseado em visão. Era preciso acreditar antes de ver. Era preciso, acima de tudo, ter obstinação.

Quatro séculos depois, o oceano deixou de ser o principal desafio e o novo território desconhecido passou a ser o espaço. Quando Elon Musk fundou a SpaceX, em 2002, a empresa parecia um projeto improvável. A indústria aeroespacial era dominada por governos e gigantes centenários. Especialistas afirmavam que foguetes reutilizáveis eram economicamente inviáveis.

Entre 2006 e 2008, os três primeiros lançamentos do Falcon 1 fracassaram. Após o terceiro desastre, a empresa estava próxima da falência e tinha recursos para apenas mais uma tentativa. Se o quarto lançamento falhasse, provavelmente deixaria de existir. Mas ele funcionou e mudou a história.

Aquele momento se tornou um exemplo emblemático de que grandes transformações raramente nascem da conveniência. Elas nascem da obstinação de continuar tentando quando todos os indicadores sugerem desistência.

A grande inovação da SpaceX não foi apenas construir foguetes. Foi tornar o acesso ao espaço muito mais barato por meio da reutilização. O resultado foi uma revolução econômica que transformou a empresa em uma das mais valiosas do mundo e protagonista da nova corrida espacial.

À primeira vista, uma empresa marítima do século XVII e uma companhia espacial do século XXI parecem não ter relação alguma. Mas possuem mais semelhanças do que diferenças. Ambas nasceram para explorar territórios desconhecidos. Ambas precisaram captar recursos para financiar jornadas extremamente arriscadas. E ambas exigiram investidores e líderes obstinados, capazes de enxergar décadas à frente.

Os continentes asiáticos eram a grande fronteira dos investidores da VOC. Marte representa esse mesmo conceito para os investidores da SpaceX. A geografia mudou, mas a mentalidade não.

O futuro nunca é construído pelos que esperam garantias absolutas. A VOC não possuía mapas completos e a SpaceX não possuía certeza de sucesso. Os grandes avanços surgem quando alguém decide agir antes que todas as respostas estejam disponíveis.

Vivemos uma época semelhante. A inteligência artificial, a biotecnologia, a computação quântica e a nova economia digital estão criando oportunidades comparáveis às grandes revoluções do passado. Muitos observam essas mudanças com medo. Outros observam com curiosidade. Mas poucos têm coragem de investir tempo, energia e recursos para participar delas.

Historicamente, são esses poucos que mudam o mundo. São os obstinados que enxergam possibilidades onde a maioria vê obstáculos. O verdadeiro otimismo não é ingenuidade. É a confiança de que vale a pena construir algo mesmo sem garantias.

No fim das contas, a história não recompensa quem prevê o futuro. Ela recompensa quem ajuda a criá-lo. E eu acredito profundamente que a diferença entre sonhadores e realizadores não está no tamanho da visão. Está na capacidade de convencer outras pessoas a acreditarem nela.

Johan van Oldenbarnevelt fez isso em 1602. Elon Musk faz isso no século XXI. E todo empreendedor que constrói algo relevante precisa aprender a fazer o mesmo.

Porque o futuro, ontem como hoje, continua pertencendo aos obstinados.

Janguiê Diniz  – Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group; diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular

MC Leozinho entra na política e anuncia pré-candidatura a deputado federal por Pernambuco

Com 25 anos de carreira no brega funk, artista afirma que quer levar a voz das periferias para o Congresso Nacional

Com uma trajetória marcada pela música, representatividade popular e forte ligação com as comunidades periféricas, MC Leozinho oficializou sua pré-candidatura a deputado federal pelo PSDB de Pernambuco. Reconhecido como um dos pioneiros do brega funk e um dos artistas mais populares do estado e do Nordeste, o cantor inicia uma nova etapa de sua história ao ingressar na vida pública.

Natural de Maranguape, no município de Paulista, MC Leozinho construiu uma carreira de aproximadamente 25 anos na música pernambucana, tornando-se referência para gerações de artistas e admiradores do gênero. Ao longo desse período, consolidou seu nome com sucessos que ultrapassaram as fronteiras de Pernambuco, levando a cultura das periferias para todo o Brasil.

A decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados surge a partir da experiência acumulada nos palcos e do contato direto com a população. Durante sua trajetória artística, Leozinho acompanhou de perto as dificuldades enfrentadas por moradores das periferias, juventudes, trabalhadores da cultura e empreendedores das comunidades populares.

Conhecido pelo carisma e pela proximidade com o público, o artista afirma que pretende transformar sua visibilidade em uma ferramenta de defesa das demandas sociais, culturais e econômicas da população pernambucana. Sua pré-candidatura busca ampliar a representatividade de setores historicamente pouco presentes nos espaços de decisão política.

Além de ser um dos nomes mais conhecidos do brega funk, MC Leozinho é reconhecido por sua contribuição para o fortalecimento da cultura popular e pela valorização dos talentos das periferias. Agora, o cantor pretende levar essa experiência para o Congresso Nacional, defendendo pautas ligadas à cultura, juventude, geração de oportunidades, empreendedorismo e inclusão social.

A filiação ao PSDB marca oficialmente o início de sua caminhada rumo às eleições de 2026, quando buscará representar Pernambuco na Câmara Federal levando consigo a voz das comunidades que acompanharam sua trajetória artística ao longo de mais de duas décadas.

Arena Nº1 reúne torcedores no Recife para celebrar vitória do Brasil sobre a Escócia durante o São João

Evento no Parque Dona Lindu combinou transmissão da Copa do Mundo, shows musicais e clima junino, atraindo milhares de pessoas para acompanhar a classificação da Seleção Brasileira

Em uma noite que dividiu atenções entre a Copa do Mundo e as comemorações de São João, a Arena Nº1 voltou a reunir torcedores no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, nesta quarta-feira (24). Promovido pela Brahma, o evento recebeu milhares de pessoas para acompanhar a partida entre Brasil e Escócia em uma programação que combinou futebol, música e o clima festivo característico do período junino em Pernambuco.

A movimentação começou ainda durante a tarde, quando os primeiros torcedores chegaram ao espaço para garantir lugar diante dos telões instalados à beira-mar. A programação musical teve início com a banda Sambarrasta, que preparou o público para a transmissão da partida e colocou os presentes para cantar e dançar antes de a bola rolar.

Quando começou o jogo, famílias, grupos de amigos e torcedores vindos de diferentes bairros do Recife e cidades da Região Metropolitana acompanharam juntos cada lance da Seleção Brasileira. A vitória por 3 a 0 sobre a Escócia levou o público a comemorar diante dos telões, em uma atmosfera marcada por bandeiras, cantos de torcida e muita animação.

Mesmo em uma das datas mais importantes do calendário cultural nordestino, a Arena Nº1 atraiu torcedores que decidiram viver a emoção da Copa do Mundo sem abrir mão do clima de celebração que toma conta de Pernambuco nesta época do ano.

Foi o caso do casal Michele Navarro e Fernades Sá, que escolheu acompanhar a partida no Parque Dona Lindu. Vestidos com camisas xadrez e, por baixo, a camisa da Seleção Brasileira, eles representavam a combinação entre a tradição junina e a paixão pelo futebol. Michele explicou a escolha do figurino. “A gente tinha que aproveitar hoje e entrar no clima do dia de São João. Estamos amando tudo aqui, principalmente a estrutura e a organização”, disse.

Após o apito final, a festa continuou com o show de Ju Marques. A cantora levou ao palco sucessos que fizeram o público permanecer no evento até o encerramento da programação, prolongando a comemoração para além dos 90 minutos de jogo.

Além da transmissão dos jogos e das atrações musicais, o festival ofereceu estrutura com bares, praça de alimentação, áreas de convivência, ativações de marca, banheiros, equipe de segurança e acessibilidade.

A Arena Nº1 faz parte do movimento “Tá Liberado Acreditar”, criado por Brahma para a Copa do Mundo de 2026. A iniciativa convida os brasileiros a voltarem a acreditar na conquista do título mundial e transforma os dias de jogos da Seleção Brasileira em experiências coletivas espalhadas por diversas cidades do país.

Próximos jogos

O espaço retorna no dia 29 de junho para mais uma transmissão da Copa do Mundo. A programação contará com shows de Felipe Amorim e Lipe, além da exibição da próxima partida da Seleção Brasileira.

O acesso ao Setor Arena é gratuito, mediante retirada de ingresso pela Sympla e doação de 1 kg de alimento não perecível na entrada. O evento também conta com a Área Premium, que oferece acesso a bares e banheiros, além de vista privilegiada para o palco e para a transmissão dos jogos, com valor a partir de R$ 70.

SERVIÇO
Arena Nº1 Recife
Local: Parque Dona Lindu – Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem.
Ingressos: sympla.com.br

Caiado diz que Raquel não pode ser cobrada por apoio e defende neutralidade da governadora em Pernambuco

Pré-candidato à Presidência pelo PSD elogiou a gestão de Raquel Lyra e afirmou que terá palanque próprio no estado, mesmo sem pedido de voto da governadora

O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou estar tranquilo com o fato de a governadora Raquel Lyra (PSD) não pedir voto para ele em Pernambuco.

A gestora, que faz diversas sinalizações de unidade institucional com o presidente Lula, recebeu o “aval” do líder do partido, Gilberto Kassab, para declarar voto no petista, o que Raquel não fez até então, optando pela neutralidade. Em entrevista à CNB Recife, Caiado teceu elogios à chefe do Executivo estadual e disse que ela não pode ser cobrada.

“Com muita tranquilidade. Sabe porque? Porque você não pode cobrar da governadora, que mostra toda a sua capacidade ímpar de gestão. Me dou maravilhosamente bem com a governadora Raquel. competentemente você viu enfrentar o que é superar os primeiros anos de dificuldade, dar a volta por cima e agora se consolidar no processo deste ano e, sem dúvida nenhuma, um segundo mandato será consagrador”, afirmou.

Caiado explicou que nacionalmente muitos candidatos estão adotando a mesma estratégia, uma vez que há eleitores que votam em um nome de determinado partido para governador e outro para a presidente. 

“Neste momento você tem que entender que existe um processo de nacionalização que um governador não quer entrar nele, é mais do que normal. As pessoas, às vezes, que votam nela votam em outros presidentes. Neste momento, ela está cuidando de Pernambuco, a função dela neste momento é cuidar de Pernambuco. Meu palanque aqui eu terei, com deputados, com cadidato ao Senado, terei com prefeitos que é a densidade do PSD no estado” completou.

Apesar da fala de Caiado, o nome do PSD que tem despontado como favorito para o Senado é o do deputado federal Túlio Gadêlha, que representa a ala lulista na chapa de Raquel. A pré-candidatura dele, inclusive, foi costurada pelo Planalto. O Blog Cenário registrou, durante um evento do PSD com prefeitos em Brasília, Kassab afirmou que o parlamentar trabalha pelo presidente.

“Na minha cédula eu vou tirar o presidente Lula, respeitosamente, e vou por o Caiado. A Raquel vai ter o Túlio trabalhando por Lula e tantos de vocês aqui. Se o Lula tiver o apoio de vocês aqui, é porque merece o apoio de vocês. Eu vou pescar alguns para fazer a campanha para o Caiado”, disse em tom bem humorado.

Terremotos de até magnitude 7,5 atingem a Venezuela e provocam desabamentos em Caracas

Sequência de fortes tremores deixou mortos e centenas de feridos, causou colapso de edifícios e levou o governo venezuelano a decretar estado de emergência

Na data em que comemorava um feriado nacional histórico pela sua independência, a Venezuela foi devastada pelo sismo mais forte registrado no país em mais de um século. Nesta quarta-feira (24), um terremoto de magnitude 7,5 atingiu o território venezuelano, causando o desabamento de edifícios na capital, Caracas, e deixando um saldo ainda indeterminado de vítimas fatais. O pânico tomou conta da população, que abandonou residências e escritórios às pressas enquanto estruturas rachavam e vinham abaixo.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o fenômeno, na verdade, consistiu em dois tremores principais com epicentros separados por apenas cinco quilômetros de distância. O abalo mais violento teve seu epicentro localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas, e ocorreu a uma profundidade superficial de 13 quilômetros. Devido à alta intensidade e à fragilidade das estruturas locais, o USGS emitiu uma projeção alarmante, alertando que o desastre deve ser generalizado e com potencial para deixar milhares de mortos e danos materiais extensos.

Em pronunciamento na televisão estatal, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou que prédios e casas desabaram na capital, ressaltando que protocolos de emergência já foram acionados para levantar o número exato de feridos e mortos. Entre as estruturas severamente danificadas estão o edifício do banco Bancaribe e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal terminal aeroportuário do país, que teve suas operações afetadas. Imagens do local mostram equipes de resgate trabalhando arduamente para retirar sobreviventes dos escombros.

IMPACTO NO BRASIL

O impacto do sismo cruzou fronteiras e foi sentido com clareza em partes da Colômbia e na região Norte do Brasil. Moradores de estados como Amazonas (Manaus), Pará (Belém), Amapá e Roraima relataram ter sentido as oscilações, o que levou à evacuação preventiva de diversos prédios nessas localidades brasileiras. Diante do cenário de forte atividade tectônica global, um alerta de tsunami chegou a ser emitido para ilhas do Caribe, mas acabou sendo retirado horas depois. Coincidentemente, um outro terremoto de magnitude 6,9 atingiu a ilha de Honshu, no Japão.

A tragédia traz memórias dolorosas na Venezuela, que não testemunhava um evento dessa magnitude na capital desde o histórico terremoto de julho de 1967. Naquela ocasião, um tremor de magnitude 6,6 ceifou a vida de centenas de pessoas e feriu mais de 1.500. Enquanto o país lida com sucessivos tremores secundários, as forças de segurança e socorristas concentram os esforços na busca por sobreviventes em meio aos destroços.

Muito além dos aplausos: o verdadeiro valor do reconhecimento

Artigo de Marcia Bortolanza reflete sobre a importância do reconhecimento, os riscos da dependência da aprovação externa e o poder de valorizar quem faz a diferença no cotidiano

Por Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

Vivemos em uma sociedade que valoriza resultados, conquistas e visibilidade. Somos frequentemente incentivados a buscar metas, superar desafios e alcançar novos patamares. No entanto, em meio a essa corrida constante, existe uma necessidade humana que permanece presente em todas as fases da vida: o reconhecimento. Mais do que ser admirado, todo ser humano deseja sentir que é importante para algo ou para alguém, que sua presença tem valor e que sua contribuição faz diferença no mundo ao seu redor.

Desde a infância, buscamos sinais de que somos vistos, acolhidos e valorizados. Uma palavra de incentivo, um elogio sincero ou um gesto de gratidão têm o poder de fortalecer nossa autoestima e alimentar nossa motivação. O reconhecimento não é apenas uma recompensa emocional; ele também confirma que nossos esforços produziram significado para alguém.

No ambiente profissional, o reconhecimento estimula o comprometimento e aumenta a sensação de pertencimento. Nas famílias, fortalece vínculos e constrói relações mais saudáveis. No voluntariado e nas ações solidárias, ele surge como um incentivo para continuar fazendo o bem. Afinal, todos nós gostamos de saber que aquilo que realizamos fez diferença na vida de alguém.

Entretanto, existe uma armadilha silenciosa quando passamos a depender exclusivamente do reconhecimento externo. Quando nossa felicidade fica condicionada aos aplausos, aos elogios ou à aprovação dos outros, corremos o risco de entregar nosso valor pessoal às opiniões alheias. Nem sempre o mundo reconhece imediatamente o esforço, a dedicação ou os sacrifícios que fazemos. Muitas vezes, os maiores trabalhos acontecem longe dos holofotes.

As redes sociais ampliaram ainda mais essa busca. Curtidas, comentários e compartilhamentos passaram a ser, para muitas pessoas, uma medida de aceitação e importância. Embora sejam formas legítimas de interação, não podem se tornar a única referência de valor pessoal. A necessidade constante de aprovação pode gerar ansiedade, frustração e a sensação equivocada de que só somos importantes quando somos notados.

Quantas mães dedicam suas vidas aos filhos sem receber agradecimentos diários? Quantos profissionais trabalham com excelência sem serem constantemente elogiados? Quantos voluntários transformam realidades sem jamais aparecerem nas manchetes? Quantos cuidadores, educadores e líderes silenciosos seguem firmes em sua missão sem qualquer reconhecimento público? Ainda assim, o impacto de suas ações permanece vivo, muitas vezes de forma muito mais profunda do que imaginam.

A maturidade emocional nos ensina que o reconhecimento mais importante é aquele que nasce dentro de nós. É a capacidade de olhar para a própria trajetória e compreender o valor do caminho percorrido. É reconhecer os desafios superados, as escolhas difíceis enfrentadas e as sementes plantadas ao longo da vida. Quando aprendemos a validar nossos próprios esforços, nos tornamos menos dependentes da aprovação externa e mais conscientes de quem somos.

Isso não significa abrir mão da gratidão ou ignorar a importância de valorizar as pessoas. Pelo contrário. Reconhecer o outro é um ato de generosidade e humanidade. Muitas vezes, uma simples palavra de agradecimento pode transformar o dia de alguém. Todos carregamos batalhas invisíveis, e o reconhecimento sincero pode ser o combustível necessário para continuar seguindo em frente.

Talvez devêssemos praticar mais essa virtude. Reconhecer o esforço de um colega, agradecer quem estende a mão, valorizar quem cuida, ensina, acolhe e serve. Pequenos gestos têm um impacto muito maior do que imaginamos. Em um mundo onde as críticas costumam ser mais rápidas do que os elogios, reconhecer o valor das pessoas é também uma forma de construir relações mais saudáveis e humanas.

No final das contas, o verdadeiro reconhecimento não está apenas nos títulos, nas homenagens ou nos aplausos. Ele está nas marcas que deixamos, nas vidas que tocamos e no bem que semeamos. Porque o tempo pode apagar muitas conquistas, mas jamais apaga o legado de quem fez a diferença na vida de outras pessoas.

E talvez seja justamente esse o reconhecimento que mais importa: aquele que permanece quando os aplausos terminam, as luzes se apagam e o silêncio volta a ocupar o espaço. O reconhecimento que nasce do respeito, da gratidão e da certeza de que nossa passagem pelo mundo teve significado. Esse, sim, vai muito além dos aplausos.