Governo de Pernambuco lança primeiro Plano Estadual de Políticas sobre Drogas

Documento apresentado pela vice-governadora Priscila Krause estabelece diretrizes de prevenção, cuidado, proteção social e reinserção até 2030, além de lançar cartilha para qualificar comunidades terapêuticas

Representando a governadora Raquel Lyra, a vice-governadora do Estado, Priscila Krause lançou, nesta segunda-feira (29),  o Plano Estadual de Políticas sobre Drogas (Pepod). O documento reúne as diretrizes que devem orientar a atuação do Estado na área nos próximos anos, com foco em prevenção, cuidado, proteção social e reinserção de pessoas em situação de vulnerabilidade decorrente do uso de álcool e outras drogas.

Priscila Krause destacou que o plano é fruto de um processo de escuta e participação de toda a sociedade civil, agentes públicos e até mesmo dos usuários que são beneficiários dos programas de acolhimento..  

“Esse é o primeiro plano estadual de políticas sobre drogas da história de Pernambuco. Representa um avanço, um amadurecimento das nossas políticas, que são reveladas através das ações de prevenção, com dez secretarias envolvidas, desde Educação, Saúde, Direitos Humanos, Defesa Social, Empreendedorismo, Mulher. Esse plano foi construído por muitas mãos e dezenas e centenas de corações”, declarou a vice-governadora.

Priscila Krause  citou que a estratégia contou com a  colaboração do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A construção do plano foi coordenada pela Secretaria Executiva de Políticas sobre Drogas, vinculada à Secretaria de Ação Social e Combate à Fome. 

O secretário executivo, Yuri Ribeiro, explica que o plano organiza o compromisso do governo de Pernambuco com a prevenção e o cuidado às pessoas em situação de vulnerabilidade. “Mas, no fim das contas, o que ele representa é simples: mais qualidade no atendimento de quem está em situação de rua, das famílias que estão se reconstruindo e das comunidades terapêuticas que agora têm uma referência clara de como acolher melhor”, afirmou.

Priscila Krause destacou ainda que as ações a partir desse instrumento serão monitoradas e avaliadas. “O Pepod nasce com diretrizes e ações muito claras, o que vai nos permitir medir a sua eficácia ao longo dos anos. Então, acho que Pernambuco dá um salto de qualidade no que diz respeito às políticas públicas sobre drogas”, declarou a vice-governadora.  

Ribeiro reforçou o caráter coletivo do documento, construído com a participação do  Conselho Estadual de Política sobre Drogas (Cepad). “Ouvimos as pessoas, os trabalhadores que fazem a política sobre drogas, seja na prevenção, no cuidado, no acolhimento, na reinserção social, na repressão e no controle social”, informou. 

Na prática, o plano baliza a atuação da política sobre drogas até 2030, conduzido em parceria com o Escritório da ONU para Drogas e Crimes (Unodc).

Segundo o oficial de Projetos do Unodc, Rafael Sales, o plano sobre drogas do Estado faz parte de uma parceria maior que o escritório da ONU tem com o Governo de Pernambuco, numa cooperação que traz conceitos  internacionalmente estabelecidos e implementados.  “Essa é uma das entregas que a gente está fazendo agora em 2026. O plano é um conjunto sistemático de soluções, das mais sofisticadas que a gente tem no mundo, que vão ser implementadas aqui no Estado”, comentou. 

Com a parceria, o escritório das Nações Unidas  traz toda a sua expertise no enfrentamento às drogas e crime, de forma a  implementar políticas com base no cuidado,  respeito à vida e direitos humano e no desenvolvimento sustentável. “Nós facilitamos todas as oficinas, mobilizamos as secretarias, organizamos as consultas à sociedade civil, dialogamos com o Cepad, preparamos o diagnóstico, os dados e toda a visão geral”, observou  Rafael Sales. 

Cartilha para Comunidades Terapêuticas

O documento foi lançado durante o seminário “Prevenção é Compromisso Coletivo”, realizado no Teatro do 1º Andar do Cais do Sertão, no Recife Antigo. O evento marcou a abertura da II Semana Estadual de Prevenção às Drogas e também apresentou a Cartilha de Boas Práticas para Comunidades Terapêuticas Acolhedoras.

Yuri Ribeiro explica que a cartilha é um manual que traz um compilado de legislações e  normativas que regulamentam as comunidades terapêuticas do Brasil e em Pernambuco. O objetivo é aperfeiçoar,  qualificar e fortalecer centros de cuidado e reabilitação de usuários, para garantir direitos e atender da melhor forma as pessoas que precisam desses serviços. “As comunidades terapêuticas acolhedoras são um serviço da sociedade civil, que hoje conta com o apoio do Governo do Estado de Pernambuco, e que agora podem, de maneira mais qualificada, garantir o atendimento às pessoas que são acolhidas e beneficiadas”, explicou o secretário executivo. 

Essas comunidades recebem pessoas que fazem uso de drogas, que saem das ruas, ou das suas casas, das cidades onde moram, e são acolhidas para um período de acolhimento em assistência social, com cuidado, escuta, e acolhimento para a transformação de suas vidas.

O seminário reuniu representantes de diversas secretarias estaduais, do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Cepad), da Federação Pernambucana das Comunidades Terapêuticas (Fepect) e de comunidades terapêuticas credenciadas no Programa Nova História. Também participaram representantes de organismos internacionais, como o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Facepe inicia 30ª Jornada de Iniciação Científica com mais de 500 projetos de pesquisa

Evento celebra três décadas de incentivo à ciência em Pernambuco e reúne bolsistas e ex-bolsistas para apresentação de trabalhos em diversas áreas do conhecimento até o dia 5 de junho

A 30ª edição da Jornada de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) começou nesta segunda-feira (01/06). O evento de abertura foi realizado presencialmente no auditório do Instituto de Pesquisa em Petróleo e Energia da Universidade Federal de Pernambuco (i-Litpeg/UFPE). A edição deste ano celebra três décadas de incentivo à ciência no estado com o tema “O futuro começou há 30 anos: trajetórias que projetam o amanhã”.

Ao longo da semana, mais de 500 bolsistas e ex-bolsistas de iniciação científica apoiados pela Facepe apresentarão os resultados de suas pesquisas em diversas áreas do conhecimento. O evento revela a força da produção científica pernambucana e o papel estratégico da formação de novos pesquisadores para o desenvolvimento regional. As apresentações ocorrerão entre os dias 2 e 5 de junho, em sessões virtuais via Google Meet. Organizadas por áreas temáticas, as salas promoverão debates, troca de experiências e integração entre estudantes, avaliadores e instituições.

Esta programação também marca um momento histórico. Ao completar 30 anos, a Jornada reafirma o compromisso da Facepe com o fortalecimento da pesquisa e da inovação, jogando luz sobre histórias de jovens cientistas que hoje ajudam a construir soluções para os desafios do presente e do amanhã.

Na abertura dos trabalhos, a professora Fernanda Pimentel, diretora-presidente da Facepe, deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou a importância da Iniciação Científica (IC) tanto para quem deseja seguir a carreira acadêmica quanto para quem visa ao mercado de trabalho. Segundo a gestora, a experiência na IC aprimora significativamente a formação pessoal, estimula a permanência do estudante na universidade, promove o sentimento de comunidade e fortalece o combate ao descrédito da ciência. “A iniciação científica atua diretamente no combate ao negacionismo e no despertar do senso crítico. Ela contribui também para diminuir a evasão escolar, pois o sentimento de pertencimento gerado pela pesquisa instrui a continuidade nos estudos”, afirmou.

Fernanda Pimentel também destacou a necessidade de ações que promovam a equidade e a diversidade no ambiente acadêmico. “Desde 2025, implementamos Ações Afirmativas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), pois acreditamos que a diversidade na ciência começa na base, dando oportunidades desde a IC para grupos sub representados”, observa. No ano de implementação das cotas, 20% das bolsas foram destinadas a políticas de inclusão, voltadas para estudantes negros e negras, quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. Em 2026, esse percentual subiu para 30%, passando a contemplar também discentes de graduação que são mães.

A professora Dayanne Diniz, vice-diretora do i-Litpeg/UFPE, instituição que sediou o encontro, também esteve presente. Ao desejar que a Jornada reafirme o compromisso com uma ciência cada vez mais inclusiva, Dayanne reforçou o papel central da pesquisa na graduação. “A IC ocupa um lugar importante nesse processo de formação, pois é o momento em que os jovens têm o primeiro contato com a pesquisa, despertam seu pensamento crítico e passam a enxergar a ciência como um verdadeiro instrumento de transformação social”, observou Dayanne.

O diretor de Sensibilização e Difusão Científica da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, Diogo Lopes, destacou o valor da experiência científica independentemente do caminho escolhido pelo estudante. “Mesmo que muitos estudantes não sigam formalmente a carreira acadêmica, a IC oferece acesso a ferramentas fundamentais que contribuem para qualquer trajetória profissional. Afinal, essa formação vai muito além da pesquisa, contribuindo diretamente para a construção de cidadãos conscientes”, concluiu Diogo.

Após a mesa de abertura, o público acompanhou as palestras do professor Sergio Campello, diretor da Escola Politécnica de Pernambuco (Poli/UPE), e da diretora científica da Facepe, professora Flávia Lucena. Ambos compartilharam como a iniciação científica impactou suas próprias trajetórias.

O professor Sergio destacou que a IC foi o alicerce de suas conquistas profissionais: seu primeiro projeto de graduação em Engenharia Eletrônica desdobrou-se em seu mestrado e, mais tarde, no doutorado. Ele ressaltou, contudo, que o maior legado vai além dos diplomas. “Minha trajetória mostra como a Iniciação Científica é a base de tudo. A passagem que fiz pela IC, combinada com a monitoria, pavimentou o meu caminho. Mas, quando olho para trás, percebo que o verdadeiro patrimônio não são apenas os títulos, mas as pessoas que influenciei ao longo dessa trajetória e a oportunidade de testemunhar a transformação profunda que a educação proporciona” afirmou.

Já a professora Flávia apontou a urgência de discutir a sub-representação feminina nos níveis mais altos das carreiras técnica, acadêmica e profissional. Engenheira de pesca, a Diretora Científica da Facepe entrou no mundo administrativo no decorrer do Governo de Transição, em 2022. “Em 2023, continuei em Brasília, quando assumi a Secretaria Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura. A área da gestão, pela qual eu tomei gosto, é um campo majoritariamente masculino. Sentimos de perto o ‘Efeito Tesoura’, fenômeno que descreve a diminuição drástica da participação feminina ao longo da trajetória acadêmica e profissional”, ressaltou, defendendo a criação de políticas específicas para mitigar a redução da presença de mulheres nos ambientes técnicos e políticos.

Encerramento e premiação – A cerimônia de encerramento da 30ª Jornada de Iniciação Científica da Facepe ocorrerá de forma remota no dia 9 de junho, com início às 10h. Na ocasião, serão anunciados os trabalhos de maior destaque desta edição, com a entrega de Menções Honrosas e do “Prêmio Ricardo Ferreira ao Talento Jovem Cientista”, honraria que reconhece os grandes talentos do ano.

Sertânia pode ganhar Hospital Universitário após reunião entre prefeita Pollyanna Abreu, UFPE e EBSERH

Projeto reforça interiorização da saúde e da educação superior em Pernambuco, com impacto direto na geração de empregos e na assistência médica da região.

A prefeita de Sertânia, Pollyanna Abreu, participou de uma reunião estratégica na sede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), em Brasília, onde discutiu a implementação do Hospital Universitário no município. O encontro contou com a presença do reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes. Assim como do vice-presidente da EBSERH, Daniel Beltrammi, reforçando a importância do projeto.

A iniciativa é considerada um marco para a saúde e o desenvolvimento regional, pois ampliará o acesso da população a serviços de qualidade. Bem como, fortalecerá a interiorização tanto da saúde pública quanto da educação superior. Além disso, a implantação do hospital deve impulsionar a formação acadêmica, gerar empregos e promover avanços significativos na assistência médica, beneficiando Sertânia e cidades vizinhas.