Governo de Pernambuco amplia situação de emergência para mais três municípios da Mata Sul do Estado

Decisão foi decretada após relatórios e notas técnicas levantadas pela Defesa Civil do Estado

Após novo monitoramento do impacto causado pelas chuvas em mais localidades da Mata Sul de Pernambuco, o Governo do Estado decretou mais três municípios em situação de emergência por conta das chuvas dos últimos dias. Em edição extra do Diário Oficial do Estado deste domingo (9), o governo publicou o Decreto nº 54.994 ampliando a situação de emergência para São José da Coroa Grande, Palmares e Primavera. Nesta segunda-feira (10), a governadora Raquel Lyra vai realizar agendas de visitas na região atingida pelas fortes chuvas.

Em articulação com o Governo Federal, a gestão estadual já garantiu o envio de 1,4 mil cestas básicas para a população dos municípios afetados. As cestas estão sendo enviadas através do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, e devem chegar ainda no início desta semana. Além disso, a Secretaria de Saúde do Estado está realizando diagnóstico de medicamentos e insumos das unidades básicas de saúde atingidas pelas intempéries para garantir o abastecimento dos respectivos estoques.

“O monitoramento realizado em tempo real por equipes do governo neste final de semana apontou para a necessidade de decretação de situação emergência nesses municípios. Após assistência imediata, o governo inicia nesta segunda uma próxima etapa de enfrentamento das consequências das chuvas, agora numa articulação ainda mais próxima dos municípios atingidos”, ressaltou a governadora Raquel Lyra.

Para decretar a situação de emergência nos três municípios, o governo levou em consideração notas técnicas e relatórios baseados no levantamento da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil do Estado.

 

Priscila Krause diz que situação do Estado é dificílima; Governo rebate acusações

Vice-governadora eleita diz que atual gestão acelerou contratos, licitações e ordens de serviço 

Quarenta e nove dias após o início do governo de transição e dias depois da entrevista em que o governador Paulo Câmara (PSB) garantiu entregar o Estado financeiramente equilibrado e com recursos em caixa, apesar das dificuldades, a vice-governadora eleita e coordenadora da equipe de transição do próximo Governo, Priscila Krause (Cidadania), afirmou ser “dificílima” a situação de Pernambuco e anunciou a urgência de “arrumar a casa”. Declarou que a atual gestão acelerou contratos, licitações e ordens de serviço no fim do Governo. Adiantou já ter solicitado a suspensão de atos administrativos e assegurou o cumprimento das principais promessas de campanha. Em nota, o Executivo estadual rebateu as acusações.

“Será que se Pernambuco fosse, efetivamente, esse Estado apresentado pelo Governo atual e que está nas propagandas, o pernambucano estaria sofrendo o que sofre com desemprego, miséria, pobreza, violência e falta de oportunidade na geração de emprego e renda?”, questionou Priscila Krause, observando que “há uma difscrepância muito grande entre números e realidade”.

A vice-governadora calculou que só na parte de custeio há um déficit superior a R$ 3 bilhões no valor das obras previstas pelo Executivo. “Isso é preocupante.” Ela apontou que um dos cenários mais graves está no Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Segundo o relatório do próximo governo, o órgão tem obras estimadas em R$ 1,2 bilhão, mas apenas R$ 322 milhões estão reservados para o próximo ano. “Como terminar essas obras?”, indagou

“Sim, nós estamos desdizendo, através de números, o que o governador disse. Pernambuco não é um Estado arrumado do ponto de vista fiscal e financeiro. A gente vai ter que arrumar essa casa”, ressalta, considerando “pouco responsável” a atitude do Executivo nos últimos meses. “Pedimos a suspensão de atos administrativos, mas o que a gente viu, a despeito da nossa solicitação, foi a assinatura de contratos, ordens de serviços, desapropriações”, pontuou. “A essa altura do campeonato, são coisas que só serão resolvidas no decorrer do próximo governo”

De acordo com Priscila Krause, a equipe de transição apurou que, desde outubro passado, foram publicados pelo menos 38 novos contratos de obras, totalizando R$ 328 milhões de novas despesas, além da abertura de 31 novos processos de licitação para obras que somam, quando os contratos forem assinados, mais R$ 284,8 milhões. A coordenadora avisou ter protocolado ofício ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), na segunda-feira (26), relatando a situação encontrada. Outros ofícios já haviam sido enviados. Um deles pedia a suspensão da contratação da obra no Complexo do Curado, assinada sem que se comprovasse a existência de recursos para executá-la. A votação da cautelar foi suspensa no início do mês com placar empatado.

O relatório do futuro Governo registra ainda pelo menos 400 obras paradas, entre elas a Adutora do Agreste, uma estrutura que custou R$ 254,1 milhões, está prevista para ser entregue no começo de janeiro de 2023, mas ainda falta pagar R$ 10,2 milhões. O documento aponta também 78 mil pacientes na fila de espera por consultas e cirurgias; crescimento do endividamento da Compesa

Lei de Responsabilidade Fiscal
Agora, Priscila Krause quer saber se a Lei de Responsabilidade Fiscal permite deixar para uma nova gestão previsão de serviços, segundo ela, sem previsão financeira nem orçamentária. A futura gestora enfatizou ainda que mesmo diante das incertezas para 2023, as promessas de campanha serão consolidadas. “Aquilo posto como prioridade continuará sendo prioridade. A gente vai canalizar todas as nossas forças para que essas ações virem realidade no menor espaço de tempo possível do ponto de vista financeiro, orçamentário, administrativo e político”

Nota do Governo
Em nota divulgada na noite de ontem, o Governo de Pernambuco acusa a vice-governadora eleita de não ter descido do palanque quase dois meses após o resultado das eleições, e cobra da futura gestão a apresentação de propostas estruturadoras “O Governo de Pernambuco lamenta que a vice-governadora eleita, sessenta dias após o encerramento das eleições, não tenha descido do palanque”, registra a nota, alfinetando que o relatório da comissão de transição do próximo governo aponta falta de “familiaridade técnica” com as questões financeiras.

“Apesar de ter tido acesso total a mais de 26 mil páginas de documentos e colaboração irrestrita de todos os setores da administração atual, não há sinalização de propostas estruturadoras para o futuro, mas discussões pontuais sem familiaridade técnica sobre a matéria financeira.

A nota também assegura o que o governador Paulo Câmara (PSB) havia dito em entrevista na última sexta-feira (23), garantindo dinheiro em caixa e verba para as obras em execução.

“Todas as obras em andamento possuem recursos assegurados, tendo em vista que a gestão será encerrada com R$ 3 bilhões em caixa e outros R$ 3,4 bilhões em operações de crédito, com garantia da União, já pré-aprovadas”, enfatiza o texto.

Sobre a questão levantada por Priscila Krause de que será preciso discutir se a Lei de Responsabilidade Fiscal permite deixar para a próxima gestão contratos, licitações e ordens de serviço sem previsão orçamentária, a atual gestão ressalta na nota que “as contas do Governo de Pernambuco cumprem todas as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal e dos órgãos de controle”.

Mães de Pernambuco: Raquel apresenta programa para atender mulheres e crianças em situação de pobreza

A candidata ao Governo do Estado, Raquel Lyra (PSDB), apresentou, nesta quinta-feira (10), o programa Mães de Pernambuco, que irá atender, de forma imediata, mais de 200 mil crianças e cerca de 100 mil mulheres em situação de pobreza, com uma bolsa no valor de R$ 300. A bolsa será concedida a mães com filhos de até seis anos de idade.

“Venho visitando o estado há mais de 12 meses e é impressionante a quantidade de pessoas que não tem nada para comer, com geladeira e armários vazios. Por meio do Mães de Pernambuco, vamos socorrer, de forma imediata, mais de 200 mil crianças e cerca de 100 mil mulheres com fome, com uma bolsa no valor de R$ 300 às mães em situação de pobreza, que tenham filhos de até seis anos”, disse Raquel ao falar do programa em sabatina na Rádio Liberdade, de Caruaru.

Raquel chamou atenção para o Boletim Desigualdade nas Metrópoles, mostrando que metade da população da Região Metropolitana do Recife vive abaixo da linha da pobreza ou da extrema pobreza. O levantamento foi feito pelo Observatório das Metrópoles, a Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul e a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL).

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), Pernambuco foi o estado onde a pobreza mais cresceu em 2021. Já o IBGE mostra que mais de 1,2 milhão de pessoas vivem em situação de extrema pobreza, o que leva à insegurança alimentar.

Para enfrentar emergencialmente este cenário, Raquel também falou sobre o programa Bom Prato, que vai implantar restaurantes populares fixos e móveis em todas as regiões do estado, com alimentação de qualidade a preço simbólico. Raquel acrescentou também que vai criar 60 mil novas vagas de creches em Pernambuco, garantindo, dessa forma, educação de qualidade e cinco refeições diárias para as crianças.

Ainda na área de educação, Raquel falou sobre o programa TrilhaTec, maior programa de qualificação da história de Pernambuco, que tem como objetivo capacitar profissionalmente estudantes do Ensino Médio.

Na saúde, a candidata voltou a afirmar que vai construir cinco maternidades, em locais estratégicos do estado, garantindo segurança à mãe na hora de parir. Ela se comprometeu também em concluir as obras deixadas para trás pelo atual Governo do Estado, a exemplo do Hospital da Mulher.

Ter uma atenção especial à população da zona rural; rever a cobrança dos impostos, como o IPVA; impulsionar o turismo regional, através de capacitações com o trade turístico, divulgação e desburocratização, também estão entre as ações que Raquel irá realizar como governadora de Pernambuco.

“Quem conhece de perto o nosso trabalho sabe que não sou de fazer nada pela metade. Vou ser instrumento de transformação. A gente quer mudar Pernambuco, assim como mudamos Caruaru”, concluiu.