PSD oficializa Ronaldo Caiado à Presidência e confirma Gilberto Kassab como vice

Convenção nacional da sigla, realizada em São Paulo, formaliza a chapa para as eleições de 2026. Durante o evento, Caiado destacou o apoio de Kassab e afirmou que sua candidatura representa uma alternativa à polarização política

O Partido Social Democrático (PSD) realiza neste domingo (26) sua convenção nacional para oficializar a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República. O evento começou às 9h e acontece na sede nacional da legenda, no Centro de São Paulo.

Durante o evento, Caiado afirmou que “não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab a enfrentar todos que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria nenhum candidato fora da polarização”. 

Em formato de coletiva de imprensa, o partido também confirma o presidente nacional e fundador do PSD, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente na chapa. O nome de Kassab foi anunciado oficialmente pela sigla em 1º de julho, mas já era cotado para a posição desde junho.

Caiado deixou o governo de Goiás em março para se dedicar à disputa presidencial. Desde então, o estado passou a ser administrado pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB).

Pernambuco lidera crescimento da atividade econômica no Nordeste e registra 2º maior avanço do Brasil

Dados do Banco Central apontam alta de 5,1% entre janeiro e maio de 2026, desempenho acima das médias regional e nacional, com recorde na série histórica do IBCR

Pernambuco acelera sua atividade econômica em 2026. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o Estado lidera o crescimento da atividade econômica no Nordeste e registra o segundo maior avanço do Brasil no acumulado de janeiro a maio, com alta de 5,1% — resultado bem acima da média da região (2,7%) e do país (1,2%). Na comparação com abril, a economia pernambucana também apresentou desempenho superior, com crescimento de 0,5%, enquanto o Nordeste recuou 0,6% e o Brasil avançou 0,1%.

Na comparação com maio de 2025, Pernambuco cresceu 1,5%, superando novamente o Nordeste (0,7%) e o Brasil (0,8%). No acumulado dos últimos 12 meses, o Estado registrou expansão de 3,2%, mantendo a liderança entre os estados nordestinos.

Em maio, o índice dessazonalizado alcançou 111,56 pontos, o maior patamar já registrado por Pernambuco na série histórica do Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR). O resultado indica que a atividade econômica estadual está 11,6% acima da média de 2022, ano-base do indicador.

Para a secretária de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar Souto, os números demonstram a consistência do desempenho da economia pernambucana.  “Os dados confirmam que Pernambuco mantém uma trajetória consistente de crescimento, mesmo em um cenário de desaceleração da economia nacional. O desempenho reflete um ambiente mais favorável aos investimentos, à geração de empregos e ao fortalecimento da atividade econômica no Estado, consolidando Pernambuco entre os principais destaques do país em 2026”, afirma.

Cenário – A expectativa para os próximos meses é de continuidade desse desempenho, impulsionado principalmente pelo setor de serviços, pela recuperação da indústria e pelo bom momento do mercado de trabalho formal. O cenário reforça a posição de Pernambuco como um dos principais motores do crescimento econômico do Nordeste.

Brasil acionará Lei da Reciprocidade após nova tarifa dos Estados Unidos, afirma Secom

Governo federal classifica como arbitrária e injustificada a sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros e anuncia que levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC)

O governo brasileiro rechaçou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação 301, relativa à proibição de importação relacionada ao trabalho forçado, e afirmou que irá acionar a Lei da Reciprocidade.

“Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, diz a nota divulgada nesta quinta-feira, 23, pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

Para a União, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) optou por manipular temas caros aos direitos humanos. “Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.”

Segundo a Secom, ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho prestou explicações e apresentou documentação sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. Destacou ainda que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos “fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado”.

“Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções.” A nota destaca ainda que o Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado, e os Estados Unidos só ratificaram um desses instrumentos.

O governo lembra ainda que os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo Mercosul contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.

“Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de ‘Lista Suja’ de empregadores”, diz a nota.

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta parte das exportações

Nova taxação atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, enquanto mais de 2 mil produtos foram isentos; governo federal ainda avalia medidas de resposta

Entrou em vigor nesta quarta-feira, 22, a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A taxação foi justificada pelo governo americano como uma “punição” por práticas comerciais consideradas desleais após uma investigação que envolveu temas díspares como o Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano – o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques registrados em 2024. Se considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores alcançados pela medida cai para 15% das vendas aos Estados Unidos, correspondendo a US$ 5,8 bilhões.

Isso porque junto com o anúncio da nova tarifa veio também uma grande lista de exceções. Ao todo, 2.126 produtos brasileiros ficaram de fora da sobretaxa de 25%. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) justificou a isenção afirmando que tais insumos são matérias-primas que poderiam levar à indisponibilidade de oferta doméstica e causar “perturbações” na economia americana caso fossem submetidas à nova tarifa. Dentre os produtos que ficaram de fora estão café, suco de laranja e carne bovina.

O governo brasileiro considerou a taxação injustificável do ponto de vista técnico, uma vez que os Estados Unidos têm superávit no comércio com o Brasil. Mas especialistas consideram improvável que haja uma retaliação na mesma moeda, com o Brasil sobretaxando produtos americanos.

Nesta terça-feira, 21, após reuniões com o setor privado afetado pela tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo que tem etapas. Ele foi indagado por jornalistas sobre o fato de alguns dos setores se posicionarem contra a aplicação da lei.

“Foi aprovada uma lei, a Lei da Reciprocidade, por unanimidade (pelo Congresso). É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas, enfim. A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, disse Alckmin. “A reciprocidade é: ‘olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada'”, continuou.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que não há prazo para anunciar as medidas em resposta à tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. “Não tem prazo. Nós estamos colhendo as informações, colhendo os dados”, afirmou o ministro.

“Continuar negociando, essa é a orientação e, mais do que isso, continuar dialogando aqui internamente com o setor produtivo de modo a assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida”, disse. E prosseguiu: “Mas o fato de ser injusta, descabida, indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para, primeiro, socorrer quem precisa do governo brasileiro, o nosso setor produtivo, e, ao mesmo tempo, tentar reverter a decisão”.

Com o Brasil fora da Copa, empresas voltam a disputar a atenção do consumidor nos buscadores

Especialista aponta que marcas que investiram em SEO e produção de conteúdo antes do Mundial tendem a atravessar o período de desaceleração com menos impacto nas vendas

A eliminação do Brasil da Copa do Mundo costuma marcar o fim de um período de forte movimentação para diversos setores da economia. Bares, restaurantes, supermercados, e-commerces, varejistas e empresas que estruturaram campanhas em torno da competição naturalmente enfrentam uma redução no ritmo de consumo após o encerramento da participação da Seleção. Esse movimento, no entanto, não atinge todas as empresas da mesma maneira.

Para Giovanni Ballarin, estrategista digital e fundador da agência Mestres, os negócios que construíram presença digital de forma consistente chegam a esse momento em vantagem. Enquanto parte do mercado procura novas ações para recuperar o volume de vendas, essas empresas continuam sendo encontradas diariamente por consumidores que pesquisam soluções na internet.

“A Copa cria um pico de atenção, mas ela passa. O comportamento de pesquisar antes de comprar permanece. É justamente por isso que empresas que trabalham presença digital durante o ano inteiro sofrem menos quando termina um grande evento como esse”, afirma.

Na avaliação do especialista, um dos erros mais comuns é concentrar praticamente todo o orçamento em campanhas sazonais, deixando em segundo plano iniciativas que geram resultados contínuos.

“O empresário costuma investir muito para aparecer durante alguns dias, mas pouco para ser encontrado todos os outros. Quando termina o evento, a campanha acaba junto. Já quem investiu em conteúdo e posicionamento continua recebendo visitas, gerando oportunidades e fechando negócios.”

Segundo Ballarin, a jornada de compra mudou significativamente nos últimos anos. Antes de decidir uma compra, consumidores pesquisam avaliações, consultam comparativos, assistem a vídeos, buscam recomendações e procuram empresas que demonstrem conhecimento sobre aquilo que oferecem.

Nesse contexto, estar bem posicionado nos buscadores deixou de ser apenas uma questão técnica.

“Hoje não basta existir na internet. É preciso ser relevante. Quando alguém faz uma pesquisa, o buscador procura entregar a resposta que considera mais útil. Empresas que produzem conteúdo consistente aumentam suas chances de aparecer exatamente nesse momento.”

O especialista ressalta que esse conceito vai além do Google. A busca por informações acontece em diferentes plataformas, como YouTube, marketplaces, redes sociais e, cada vez mais, ferramentas baseadas em inteligência artificial.

“O consumidor não pensa mais em canais. Ele simplesmente procura respostas. Pode pesquisar no Google, perguntar para uma IA, buscar um vídeo ou consultar uma rede social. Para as empresas, o desafio é construir autoridade em todos esses ambientes.”

Na prática, isso significa que artigos, estudos de caso, páginas institucionais bem estruturadas, conteúdos educativos e informações atualizadas passaram a desempenhar um papel importante na geração de negócios.

Ballarin observa que empresas que iniciaram esse trabalho meses ou anos antes da Copa tendem a enfrentar menos oscilações agora que o torneio já não mobiliza o consumidor brasileiro.

“SEO não produz resultado da noite para o dia. É um trabalho de construção. Quem começou antes está colhendo agora. Quem deixou para pensar nisso apenas quando as vendas desaceleraram provavelmente vai precisar de mais tempo para recuperar espaço.”

Para o estrategista, a saída do Brasil da Copa representa também uma mudança de foco para o mercado. Se durante o torneio boa parte da comunicação estava voltada para o calendário esportivo, agora as empresas precisam voltar a disputar atenção com base em relevância, informação e confiança.

“O consumidor continua comprando. O que muda é o motivo da compra. Sem o fator emocional da Copa, ele passa a pesquisar mais, comparar mais e decidir com mais calma. É nesse cenário que uma estratégia consistente de conteúdo faz diferença.”

Na visão de Ballarin, a principal lição para empresários é que grandes eventos devem potencializar uma estratégia de marketing, e não sustentá-la.

“Empresas que dependem exclusivamente de datas comemorativas vivem de picos. Empresas que investem continuamente em presença digital constroem uma operação comercial muito mais previsível. No fim das contas, o objetivo não é vender apenas durante a Copa. É ser encontrado todos os dias do ano.”

Sobre Giovanni Ballarin

Giovanni é fundador e CEO da Mestres, atua no mercado de Marketing Digital há mais de 23 anos. Especialista em Geração de Demanda pela Internet já posicionou mais de 3.500 empresas no Google e ChatGPT.

Sobre a Mestres 

A Mestres é uma agência de marketing digital e presença online, especializada em criação de sites, estratégias de marketing digital, geração de leads e oportunidades de negócio para empresas de diferentes setores. Pensada e estruturada por Giovanni Ballarin, a empresa nasceu para preencher uma lacuna de mercado relacionada à eficiência e inteligência embarcada em portais e sites voltados a variados segmentos de negócios. Para empresas que buscam crescimento previsível e dominância dos ambientes digitais frente a seus concorrentes, a Mestres é uma agência digital que entrega uma metodologia exclusiva que engloba todas as soluções de marketing digital com foco em geração de leads qualificadas. Ao contrário das agências tradicionais que focam nos meios (Ferramentas), a Mestres fala sobre Crescimento, Previsibilidade e Resultado (Ativo gerador de caixa), os meios (Ferramentas) são apenas o caminho para atingir o objetivo central. Há mais de uma década, a empresa atua no mercado nacional e internacional e já impactou positivamente a trajetória de milhares de negócios. A empresa conta com um método proprietário e exclusivo, validado em mais de 4 mil empresas e direcionado à orientação de processos de análise, planejamento e execução das estratégias, com foco em conversão e crescimento sustentável para os clientes.

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Cidades Pernambucanas são Beneficiadas com Projeto da Ambev de Acesso à Água Potável

Iniciativa da Ambev impacta municípios nordestinos, promovendo acesso à água limpa e potável para comunidades carentes em Pernambuco.

A Ambev, reconhecida por sua iniciativa em promover o acesso à água potável, anuncia um novo marco em seu projeto que impacta positivamente comunidades necessitadas em todo o Brasil. Depois de já ter beneficiado milhares de brasileiros com a “Água AMA“, o primeiro produto social da companhia, cujos lucros são integralmente direcionados para projetos de infraestrutura em comunidades carentes, a Ambev estende sua ação a todos os estados do Nordeste. Em Pernambuco, cidades como Belo Jardim, Buíque e Pesqueira estão entre os oito municípios pernambucanos que estão sendo atendidos por esse importante projeto.

A empresa conta com uma rede logística eficaz e dedicada, pronta para fornecer água a comunidades remotas e carentes. Além disso, a Ambev firmou parcerias estratégicas com organizações como a Fundação Avina, Deep e a startup Água Camelo, para financiar a construção de poços profundos e sistemas de canalização que distribuem água potável em diversas cidades do país.

Até o momento, o projeto “AMA” já apoiou 115 projetos e arrecadou mais de R$ 9 milhões. Para ilustrar o impacto, esse montante representa o número de pessoas beneficiadas pelo projeto equivalente a 1500 aviões com todas as poltronas vendidas e oito estádios do Maracanã lotados. A região Nordeste se destaca como a primeira a ser completamente contemplada por essa iniciativa, que continua sua expansão em todos os estados do país.

O compromisso da Ambev com o acesso à água potável é um exemplo inspirador de como empresas podem desempenhar um papel significativo na melhoria das condições de vida de comunidades em todo o Brasil, com um impacto particularmente notável nas cidades pernambucanas de Belo Jardim, Buíque e Pesqueira.

Nova política de avaliação do ensino superior busca fortalecer qualidade e inovação no Brasil

Artigo de Janguiê Diniz destaca a reformulação do Sinaes pelo Inep, com novos critérios de avaliação, foco na formação dos estudantes e maior alinhamento às demandas da sociedade e do mercado de trabalho

Coluna Janguiê Diniz

Poucas políticas públicas tiveram impacto tão profundo na educação superior quanto a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Instituída em 2004, a estrutura consolidou uma cultura de avaliação que passou a orientar processos regulatórios, estimular melhorias acadêmicas e oferecer maior transparência à sociedade sobre a qualidade das instituições e dos cursos.

Passadas mais de duas décadas, entretanto, o contexto já não é o mesmo. A educação superior tornou-se mais diversa, as demandas do mercado de trabalho evoluíram e a sociedade passou a exigir evidências mais consistentes sobre a formação dos estudantes e os resultados produzidos pelas instituições. Era natural, portanto, que chegasse o momento de revisar estruturalmente a política nacional de avaliação.

É exatamente esse movimento que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vem conduzindo, com a participação de instituições públicas e privadas, por meio de grupos de trabalho. Mais do que atualizar formulários ou revisar indicadores isolados, trata-se da mais ampla reformulação do Sinaes desde sua criação.

O processo incluiu uma nova arquitetura para a avaliação in loco; a definição de dimensões transversais e específicas para cada grande área do conhecimento; consulta pública sobre os instrumentos de avaliação; realização de testes-piloto; elaboração de guias orientadores; e a construção de uma nova escala de conceitos. Trata-se de um percurso técnico e participativo que confere legitimidade e segurança à implementação do novo modelo.

Segundo o Inep, os testes permitiram aperfeiçoar os instrumentos e confirmar que a nova metodologia amplia a capacidade de diferenciar os cursos avaliados, fortalece a análise da experiência formativa oferecida aos estudantes, valoriza dimensões qualitativas contemporâneas e estimula uma atuação mais formativa das comissões de avaliação.

Além disso, pela primeira vez, a avaliação irá considerar as especificidades das diferentes áreas do conhecimento. Em vez de um único modelo, foram desenvolvidos instrumentos próprios para as dez grandes áreas da Classificação Internacional Normalizada da Educação (Cine Brasil), além dos exames específicos implementados nos últimos anos para os graduandos das licenciaturas e dos cursos de Medicina.

Outra inovação relevante consiste na reorganização do ciclo avaliativo. A proposta apresentada pelo Inep integra de maneira mais articulada a autoavaliação institucional, o Enade e as avaliações in loco. Dessa forma, o sistema passa a funcionar como um ciclo contínuo de produção de evidências sobre a qualidade da educação superior, permitindo um acompanhamento mais frequente e consistente da evolução dos cursos e das instituições.

Entre as mudanças na dinâmica das visitas in loco, estão o fim do formulário eletrônico preenchido previamente pelas instituições, a realização de análise documental prévia, a avaliação amostral de polos de educação a distância e a possibilidade de a instituição solicitar reconsideração de aspectos do relatório antes mesmo da fase recursal. São alterações que reduzem burocracias desnecessárias, aumentam a previsibilidade do processo e tornam a avaliação mais focada naquilo que realmente importa.

Talvez a mudança mais significativa esteja justamente naquilo que o novo modelo pretende avaliar. Durante muitos anos, os instrumentos concentraram grande parte de sua atenção na verificação da existência de documentos, normas e estruturas. Esses elementos continuam sendo importantes, mas deixam de ser suficientes. A nova lógica busca produzir evidências sobre aquilo que efetivamente acontece na formação dos estudantes.

Agora, o objetivo é identificar o que cada instituição realiza de forma diferenciada, produzindo informações capazes de apoiar decisões acadêmicas e políticas públicas. Ao substituir uma lógica excessivamente padronizada por avaliações mais aderentes às características de cada área, o novo modelo permite que boas práticas de ensino, inovação, responsabilidade social, integração com o setor produtivo, empregabilidade e impacto regional passem a produzir evidências concretas da qualidade institucional.

Nessa linha, não há dúvida de que os estudantes também serão beneficiados. Avaliações mais precisas oferecem melhores referências para a escolha dos cursos, fortalecem os processos de melhoria contínua e incentivam uma formação mais conectada às competências exigidas pela sociedade e pelo mundo do trabalho. 

A previsão do Inep é de que a nova política nacional de avaliação da educação superior comece a ser aplicada ainda neste ano. Naturalmente, nenhuma reforma dessa dimensão se esgota com a sua publicação. Seu sucesso dependerá da qualidade da implementação, do diálogo permanente entre o órgão e as instituições de ensino e da capacidade permanente de aperfeiçoamento do sistema.

Os sinais, contudo, são promissores. Ao construir um modelo mais técnico e mais aderente à realidade da educação superior, o país dá um passo importante para que a avaliação deixe de ser vista apenas como instrumento regulatório e passe a cumprir plenamente sua vocação: induzir qualidade, orientar melhorias e fortalecer o papel transformador da educação superior para o desenvolvimento do Brasil.

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Empresas norte-americanas enviaram manifestações ao governo dos Estados Unidos contra proposta de taxação e alertaram para impactos em custos, cadeias de suprimentos e produção interna

As multinacionais norte-americanas Coca-Cola, eBay e Tesla se manifestaram contra a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

As empresas enviaram contribuições ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) durante o período de consulta pública, encerrado em 1 de julho, pedindo mudanças na medida anunciada pelo governo de Donald Trump.

A proposta foi apresentada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite aos Estados Unidos impor tarifas sobre produtos de países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem o comércio americano.

O governo Trump justificou a iniciativa alegando preocupações relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Nas manifestações encaminhadas ao USTR, as empresas argumentam que a taxação pode provocar aumento de custos, prejudicar cadeias globais de suprimentos e afetar consumidores e fabricantes dos próprios Estados Unidos.

Coca-Cola pede isenção para insumos brasileiros

A Coca-Cola solicitou que o governo americano mantenha a isenção prevista para insumos de laranja importados do Brasil e inclua tratamento semelhante para derivados de limão utilizados na produção de bebidas.

Segundo a empresa, a substituição dos fornecedores brasileiros não seria imediata e exigiria novos processos de certificação, testes de segurança alimentar e validação de produtos, elevando os custos da operação.

A companhia também destacou a redução da produção de laranjas nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, afetada por doenças, eventos climáticos e mudanças no uso da terra. Para a empresa, o Brasil se tornou um fornecedor essencial para suprir a demanda da indústria americana.

Tesla cita dependência da cadeia de suprimentos

A Tesla afirmou apoiar medidas voltadas ao fortalecimento da indústria americana, mas ressaltou que a transição para uma cadeia de suprimentos totalmente nacional levará tempo.

A montadora argumentou que determinados componentes e matérias-primas ainda dependem de fornecedores brasileiros e pediu que esses produtos sejam excluídos da lista de itens sujeitos à tarifa.

Segundo a empresa, impor restrições antes que existam alternativas viáveis no mercado interno pode gerar impactos negativos para fabricantes e consumidores dos Estados Unidos.

eBay pede exclusão de produtos usados

O eBay defendeu que produtos usados, seminovos e de segunda mão sejam excluídos da nova tarifa.

Para a plataforma de comércio eletrônico, a taxação sobre bens revendidos não afeta os fabricantes investigados nem contribui para corrigir eventuais distorções comerciais.

A empresa argumenta que a medida penaliza apenas revendedores e consumidores, além de estimular a compra de produtos novos, contrariando o objetivo da política comercial proposta pelo governo americano.

 

Avanços no ensino médio contrastam com gargalos históricos da educação brasileira

Artigo de Janguiê Diniz aponta melhora em indicadores de permanência escolar, mas alerta para analfabetismo, evasão, jovens “nem-nem” e baixo acesso ao ensino superior

Coluna Janguiê Diniz*

Nas últimas semanas, dois importantes retratos da educação brasileira revelaram um cenário de contrastes: avanços que merecem ser comemorados e desafios estruturais que continuam impondo limites ao desenvolvimento do país. Analisados de forma complementar, o Censo Escolar 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e a Pnad Contínua Educação 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são a síntese de um Brasil que caminha a passos lentos.

Enquanto o primeiro constatou uma melhora na trajetória dos estudantes do ensino médio, o segundo mostrou que o país ainda convive com gargalos históricos que comprometem a conclusão da educação básica, o acesso à educação superior e a formação de capital humano qualificado.

Por exemplo, entre 2022 e 2025, as taxas de reprovação, abandono escolar e distorção idade-série dos estudantes do ensino médio da rede pública caíram, respectivamente, 62%, 61% e 28%. No sentido oposto, a taxa de aprovação cresceu 11%. Não há dúvida de que trata-se de um resultado que merece ser celebrado. Há décadas, o ensino médio figura como uma das etapas mais frágeis da educação brasileira, marcada por altas taxas de evasão, repetência e desinteresse por parte dos estudantes. 

Essa melhora demonstra que políticas públicas voltadas à permanência escolar podem produzir resultados concretos quando bem estruturadas. Entre elas, destaca-se o programa Pé-de-Meia. Embora seja natural que diferentes fatores tenham contribuído para esse cenário, é difícil dissociar a melhora dos indicadores da adoção de uma iniciativa que enfrenta um dos principais obstáculos para milhares de jovens brasileiros: a necessidade de abandonar a escola para trabalhar e complementar a renda familiar.

Mas seria um equívoco interpretar esses números de forma isolada. Como mostra a PNAD Contínua Educação 2025, o país convive com um enorme passivo educacional. São 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever. Cerca de 43% dos jovens de 14 a 29 anos abandonaram ou nunca frequentaram a escola por necessidade de trabalhar. Entre os brasileiros com 25 anos ou mais, apenas 57,4% concluíram o ensino médio.

Outro dado que chama a atenção consiste no trágico cenário em que estão mergulhados os “nem-nem”. Em 2025, o país possuía 46,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 17,5% não trabalhavam, não estudavam no ensino regular e tampouco frequentavam cursos de qualificação profissional. Embora esse percentual represente uma redução em relação aos 22,4% registrados em 2019, ele ainda corresponde a milhões de brasileiros afastados simultaneamente da educação e do mercado de trabalho. Trata-se de um contingente que ilustra, talvez como nenhum outro indicador, o tamanho do desafio brasileiro na construção de trajetórias educacionais e profissionais consistentes.

Esse cenário também ajuda a explicar por que o acesso à educação superior continua avançando em ritmo inferior ao necessário. Segundo a Pnad, apenas 21,4% dos brasileiros com 25 anos ou mais concluíram uma graduação. A meta do novo Plano Nacional de Educação (PNE) é elevar para 40% a população de 18 a 24 anos com acesso a cursos superiores. Trabalhar para que esse percentual seja atingido é fundamental para um país que pretende aumentar sua produtividade, fortalecer sua capacidade de inovação e competir em uma economia baseada no conhecimento.

Nesse contexto, o ensino médio assume um papel ainda mais estratégico. Não apenas porque representa a etapa final da educação básica, mas porque o fechamento desse ciclo é indispensável para o acesso ao ensino superior. Cada estudante que abandona a escola reduz significativamente suas possibilidades de qualificação profissional, inserção produtiva e mobilidade social. Da mesma forma, cada jovem que conclui o ensino médio amplia suas chances de dar continuidade aos estudos, acessar melhores oportunidades de trabalho e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Os resultados divulgados pelo Inep demonstram que o Brasil é capaz de melhorar seus indicadores quando há políticas públicas consistentes, financiamento adequado e foco na permanência dos estudantes. Já os dados da PNAD lembram que o caminho ainda é longo e que o desafio não termina com a conclusão do ensino médio. É preciso transformar esse avanço em uma verdadeira ponte para a educação superior, ampliando as oportunidades de acesso e permanência na graduação.

Celebrar os avanços é necessário. Mas eles só produzirão os efeitos esperados se forem compreendidos como parte de uma estratégia mais ampla, capaz de conectar educação básica, ensino médio, educação superior e mercado de trabalho. Afinal, reduzir a evasão é uma conquista importante. Transformar esses jovens em universitários e profissionais qualificados é o desafio que realmente definirá o futuro do Brasil.

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Brasil vence o Japão nos acréscimos e garante vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo

Com gol decisivo de Gabriel Martinelli aos 51 minutos do segundo tempo e outro de Casemiro, a Seleção Brasileira virou sobre os japoneses por 2 a 1 e agora aguarda o vencedor de Noruega e Costa do Marfim

Ufa! Em partida eletrizante, a seleção brasileira venceu o Japão por 2 a 1 e se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo. Acionado no segundo tempo, Gabriel Martinelli foi o herói do dia, com gol salvador aos 51 minutos. Casemiro também balançou as redes para o Brasil, enquanto Sano fez o dos japoneses.

Classificada, a seleção brasileira agora aguarda o vencedor de Noruega e Costa do Marfim, que se enfrentarão amanhã, para descobrir o adversário das oitavas de final. A partida será no próximo domingo (5), às 17h.

Dentro do possível, o Brasil teve boa atuação contra o Japão. Com exceção do lance do gol, que nasceu após erro de Danilo ainda no campo de defesa, os japoneses praticamente não levaram perigo para Alisson. O goleiro brasileiro, aliás, pouco pôde fazer na finalização de Sano que abriu o placar.

Após começar bem no primeiro tempo e ter o ímpeto esfriado pela pausa para hidratação, o Brasil sentiu o gol japonês e não soube se organizar em campo para tentar empatar a partida na primeira etapa. No segundo tempo, porém, o cenário foi outro. Certeiro, Ancelotti foi bem ao escalar Endrick no lugar do lesionado Paquetá. Ainda que o jovem não tenha brilhado tanto individualmente, o esquema com quatro atacantes bagunçou o antes implacável sistema defensivo japonês.

A seleção pressionou o Japão antes de chegar ao empate. Num lance impressionante, Casemiro já havia ensaiado seu gol, mas a bola foi tirada em cima da linha por um zagueiro, e depois por Suzuki. Mas depois do cruzamento certeiro de Gabriel Magalhães, não teve jeito. Aos 11 minutos do segundo tempo, o volante cabeceou sem chances para o bom goleiro japonês.

Quando a partida caminhava para a prorrogação — e com Neymar, que seria acionado por Ancelotti, segundo o próprio italiano —, brilhou mais uma vez a estrela do treinador da seleção. Martinelli, que entrou no segundo tempo na vaga de Matheus Cunha, recebeu passe brilhante de Bruno Guimarães e deu a vitória ao Brasil.