Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Empresas norte-americanas enviaram manifestações ao governo dos Estados Unidos contra proposta de taxação e alertaram para impactos em custos, cadeias de suprimentos e produção interna

As multinacionais norte-americanas Coca-Cola, eBay e Tesla se manifestaram contra a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

As empresas enviaram contribuições ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) durante o período de consulta pública, encerrado em 1 de julho, pedindo mudanças na medida anunciada pelo governo de Donald Trump.

A proposta foi apresentada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite aos Estados Unidos impor tarifas sobre produtos de países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem o comércio americano.

O governo Trump justificou a iniciativa alegando preocupações relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Nas manifestações encaminhadas ao USTR, as empresas argumentam que a taxação pode provocar aumento de custos, prejudicar cadeias globais de suprimentos e afetar consumidores e fabricantes dos próprios Estados Unidos.

Coca-Cola pede isenção para insumos brasileiros

A Coca-Cola solicitou que o governo americano mantenha a isenção prevista para insumos de laranja importados do Brasil e inclua tratamento semelhante para derivados de limão utilizados na produção de bebidas.

Segundo a empresa, a substituição dos fornecedores brasileiros não seria imediata e exigiria novos processos de certificação, testes de segurança alimentar e validação de produtos, elevando os custos da operação.

A companhia também destacou a redução da produção de laranjas nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, afetada por doenças, eventos climáticos e mudanças no uso da terra. Para a empresa, o Brasil se tornou um fornecedor essencial para suprir a demanda da indústria americana.

Tesla cita dependência da cadeia de suprimentos

A Tesla afirmou apoiar medidas voltadas ao fortalecimento da indústria americana, mas ressaltou que a transição para uma cadeia de suprimentos totalmente nacional levará tempo.

A montadora argumentou que determinados componentes e matérias-primas ainda dependem de fornecedores brasileiros e pediu que esses produtos sejam excluídos da lista de itens sujeitos à tarifa.

Segundo a empresa, impor restrições antes que existam alternativas viáveis no mercado interno pode gerar impactos negativos para fabricantes e consumidores dos Estados Unidos.

eBay pede exclusão de produtos usados

O eBay defendeu que produtos usados, seminovos e de segunda mão sejam excluídos da nova tarifa.

Para a plataforma de comércio eletrônico, a taxação sobre bens revendidos não afeta os fabricantes investigados nem contribui para corrigir eventuais distorções comerciais.

A empresa argumenta que a medida penaliza apenas revendedores e consumidores, além de estimular a compra de produtos novos, contrariando o objetivo da política comercial proposta pelo governo americano.

 

Caso Odebrecht: ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo, é condenado a 20 anos de prisão

Em uma decisão de grande impacto na política peruana, o ex-presidente Alejandro Toledo foi condenado nesta segunda-feira (21) a 20 anos e seis meses de prisão. A sentença, proferida pelo Segundo Juizado Colegiado da Corte Superior Nacional de Justiça Penal Especializada, marca um ponto crucial na luta contra a corrupção no país. Toledo foi acusado de conluio agravado e lavagem de dinheiro no escândalo envolvendo a Odebrecht, uma das maiores construtoras do Brasil.

O julgamento, acompanhado de perto pela mídia internacional, revela o envolvimento de Toledo em um esquema de suborno em que ele teria favorecido a Odebrecht na concessão de contratos para os trechos 2 e 3 da Rodovia Interoceânica Sul, recebendo, em troca, uma propina de 35 milhões de dólares. Esse caso é parte de um escândalo global que abalou governos em toda a América Latina, expondo como projetos de infraestrutura foram usados para desviar recursos e lavar dinheiro.

O advogado de Toledo, Roberto Su, anunciou que recorrerá da sentença, destacando que a batalha legal ainda não terminou. No entanto, a condenação já é vista como um marco histórico no combate à impunidade, com o promotor José Domingo Pérez reforçando que a decisão envia “uma mensagem clara de que a corrupção não ficará impune”.

A condenação de Toledo, que governou o Peru de 2001 a 2006, agrava a crise política no país, que já enfrentou a prisão e julgamento de outros ex-presidentes, como Alberto Fujimori e Pedro Castillo. O episódio evidencia a necessidade urgente de reformas no sistema político peruano, que luta para reconquistar a confiança pública e estabilizar a economia em meio a sucessivas denúncias de corrupção.

A extradição de Toledo dos Estados Unidos para o Peru também sublinha a importância da cooperação internacional no combate a crimes financeiros. O sistema judiciário peruano, ao lidar com casos de alta complexidade como esse, reforça sua posição na aplicação rigorosa da lei e no enfrentamento à corrupção sistêmica.