De origem humilde ao topo do mundo: conheça a história de Lamine Yamal, campeão da Copa do Mundo aos 19 anos

A vitória do improvável. Com apenas 19 anos, Lamine Yamal já é um dos maiores nomes do futebol mundial, depois da conquista da Copa do Mundo pela Espanha neste domingo, 19 de julho. Mas a história dele começou bem longe dos grandes estádios e com muita dificuldade.

Filho de pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial, Yamal cresceu em Rocafonda, um bairro simples e estigmatizado da cidade de Mataró, na Espanha.

A família enfrentou problemas financeiras, e o jogador nunca escondeu as origens humildes. Ele costuma dizer que foi justamente essa realidade que o motivou a lutar pelos sonhos.

O irmãozinho querido nas redes

Outro personagem que conquistou o carinho dos torcedores é o irmão caçula, Keyne.

Ainda pequeno, ele virou sensação nas arquibancadas da Copa do Mundo com as brincadeiras, os sorrisos e o jeito espontâneo de torcer pelo irmão mais velho.

E não foi diferente na conquista da Copa do Mundo, neste domingo. O garotinho entrou no campo, correu para dar um abraço no irmão famoso e posou com a taça da copa para fotos.

O nome dele é homenagem

“Yamal” não é o sobrenome do jogador, mas sim o seu segundo nome próprio. Ele se chama Lamine Yamal Nasraouni Ebana.

O nome composto homenageia dois amigos africanos (um taxista chamado Lamine e outro chamado Yamal) que acolheram a família do jogador e ajudaram a pagar o aluguel quando eles passavam por dificuldades financeiras, antes do nascimento do atleta campeão.

Veja que a gratidão dele vem de família.

Número com as mãos

Depois de cada gol, Yamal sempre faz um gesto com as mãos formando o número 304 com os dedos.

Muita gente pensa que é apenas uma comemoração, mas o significado é maior: 304 são os três últimos números do CEP de Rocafonda (08304), o bairro carente e estigmatizado onde ele cresceu.

O gesto é uma homenagem às próprias raízes e uma resposta a quem tem preconceito contra comunidades pobres e de imigrantes.

Orgulho das origens

A trajetória de Lamine Yamal, que hoje tem mais de 53 milhões de seguidores no Instagram, mostra que talento, trabalho e orgulho das origens podem vencer qualquer barreira, sem jamais esquecer de onde viemos.

De jovem pobre a herói da Espanha, Yamal foi além da foto de bebê ao lado de Messi, justamente quem enfrentou na final da Copa do Mundo pela Argentina.

E uma das cenas mais marcantes foi a do jogador indo abraçar Messi, após a derrota da Argentina, com todo respeito que um grande jogador deve ter. E ele tem.

A vida também ensina quando perdemos

Em reflexão sobre vitórias, derrotas e crescimento pessoal, a psicóloga e escritora Marcia Bortolanza mostra como as perdas podem fortalecer a sabedoria, a integridade e a capacidade de seguir em frente

Coluna Por Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

Desde muito cedo somos ensinados a competir. Celebramos quem chega primeiro, quem conquista mais, quem acumula medalhas, títulos e reconhecimento. Quase ninguém, porém, nos ensina a lidar com aquilo que inevitavelmente também faz parte da existência: as perdas.

Perdemos oportunidades, relacionamentos, sonhos, pessoas e, muitas vezes, perdemos até mesmo a imagem que construímos de nós mesmos. E talvez seja justamente nesses momentos que a vida realize seu trabalho mais profundo.

A vitória costuma alimentar a autoestima. A derrota, quando bem compreendida, alimenta a sabedoria.

É comum associarmos o fracasso à incapacidade. Mas, sob o olhar da psicologia, o verdadeiro fracasso acontece quando desistimos de aprender. Quem transforma uma perda em crescimento jamais saiu derrotado. Apenas percorreu um caminho diferente daquele que imaginava.

Também é preciso aprender a vencer. O sucesso pode revelar grandezas, mas também pode expor vaidades, arrogâncias e a ilusão de que somos autossuficientes. A verdadeira conquista não precisa diminuir ninguém. Ela acolhe, inspira e reconhece que toda caminhada foi construída com esforço, apoio e oportunidades.

Há pessoas que vencem competições, mas perdem amigos. Alcançam posições importantes, mas deixam para trás a humildade. Conquistam aplausos, porém silenciam a própria consciência. Que vitória é essa?

Por outro lado, existem aqueles que atravessam derrotas com serenidade, preservam seus valores, respeitam quem pensa diferente e continuam acreditando na vida. Esses talvez não ocupem o primeiro lugar no pódio, mas ocupam um lugar muito mais importante: o da integridade.

A vida muda o tempo todo. Quem hoje vence poderá perder amanhã. Quem hoje chora uma derrota talvez esteja apenas sendo preparado para uma conquista ainda maior. Por isso, nem o sucesso deve nos tornar soberbos, nem o fracasso deve nos fazer desistir.

No fim das contas, o que permanece não é o placar da vida, mas a pessoa que nos tornamos durante o jogo.

Porque ganhar é circunstancial. Crescer é permanente. E essa é, sem dúvida, a vitória que realmente vale a pena.

A Copa do Mundo e o Coração dos Brasileiros: quando o futebol une emoções e histórias

Artigo de Marcia Bortolanza, escritora e psicóloga, aborda como a competição vai além do esporte e fortalece vínculos, identidade coletiva e esperança entre os brasileiros

Coluna Marcia Bortolanza Escritora e Psicóloga

A Copa do Mundo é muito mais do que uma competição esportiva. Para os brasileiros, ela representa um momento de encontro, esperança e pertencimento. Durante esse período, pessoas de diferentes idades, histórias e realidades se unem por um sentimento comum: o amor pelo país e o desejo de ver sua seleção alcançar a vitória.

Do ponto de vista psicológico, a Copa desperta emoções profundas. Ela fortalece a identidade coletiva, promove conexões sociais e cria memórias afetivas que atravessam gerações. Quem não se lembra de assistir aos jogos ao lado da família, dos amigos ou dos colegas de trabalho? São momentos que permanecem vivos na memória e ajudam a construir laços significativos.

Em tempos marcados por tantas divisões e desafios, o futebol tem a capacidade de aproximar pessoas. Ainda que por alguns instantes, diferenças ficam em segundo plano e surge um sentimento de união que lembra a importância de caminharmos juntos.

A Copa também nos ensina sobre superação. Cada partida traz a possibilidade da vitória, mas também o risco da derrota. E é justamente nessa dinâmica que encontramos valiosas lições para a vida. Nem sempre alcançamos os resultados que desejamos, mas sempre podemos aprender, crescer e recomeçar.

Para as crianças, a Copa desperta sonhos. Para os adultos, resgata lembranças. Para os idosos, revive histórias que atravessaram décadas. Ela conecta passado, presente e futuro em uma mesma emoção.

Independentemente do resultado dentro de campo, a maior conquista da Copa talvez seja nos lembrar de que fazemos parte de algo maior. Ela nos convida a torcer, acreditar e compartilhar emoções, reforçando valores como união, respeito, perseverança e esperança.

Porque, no fundo, a Copa não fala apenas de futebol. Ela fala sobre pessoas, sentimentos e sobre a capacidade humana de sonhar coletivamente. E quando um povo sonha junto, ele descobre que sua maior força está na união de seus corações.

Dupla pernambucana busca vaga na Paraolimpíada de Paris em competição nacional de atletismo

Cinthia Barbosa e João Victor enfrentam desafio em São Paulo com tecnologia de ponta em suas próteses.

Em busca de uma oportunidade de representar o Brasil na Paraolimpíada de Paris, a dupla pernambucana formada por Cinthia Barbosa e João Victor enfrenta um desafio importante neste fim de semana em São Paulo, na 1ª fase nacional de Atletismo Circuito Loterias Caixa 2024.

Cinthia, de 33 anos, e João Victor, modelo e estudante de Direito, têm histórias marcadas por superação. Cinthia perdeu a perna esquerda em um acidente de moto em 2020, enquanto João Victor enfrentou um tumor ósseo aos 15 anos, levando à amputação da perna direita. Hoje, ambos são atletas medalhistas nas provas de 100 e 200 metros, treinados por Fellipe Diniz e apoiados pelo fisioterapeuta Tiago Bessa, da Ortopedia Boa Viagem.

A competição em São Paulo é um marco para a dupla, que estreará oficialmente uma nova lâmina com tecnologia de ponta, especialmente desenvolvida para corridas de velocidade. Com o objetivo de alcançar tempos ainda melhores, Cinthia e João Victor se preparam para enfrentar uma prova altamente competitiva, que selecionará os três melhores atletas de cada categoria.

Fellipe Diniz, treinador da dupla, destaca a determinação e a resiliência de Cinthia e João Victor, vendo neles não apenas atletas, mas exemplos inspiradores de superação. Apesar das dificuldades de uma prova pré-olímpica, a confiança no potencial da dupla é evidente, impulsionando-os a alcançar seus objetivos e representar o Brasil nos maiores palcos esportivos do mundo.