A taça pertence ao time: Janguiê Diniz destaca a força do coletivo na conquista da Espanha

Em artigo, empresário utiliza a campanha da seleção espanhola na Copa do Mundo para refletir sobre liderança, trabalho em equipe e a importância de construir organizações onde o sucesso é resultado da colaboração, e não do protagonismo individual

Coluna Janguiê Diniz

Obstinados, quando o árbitro encerra uma final de Copa do Mundo, as câmeras imediatamente procuram um rosto que possa representar a dimensão daquela conquista. O capitão ergue a taça, o autor do gol decisivo é cercado pelos companheiros e o melhor jogador recebe os aplausos de um estádio que tenta transformar uma história coletiva em uma imagem simples, fácil de guardar na memória.

É natural que seja assim. Toda grande narrativa parece precisar de um herói. Quando a Espanha conquista uma Copa do Mundo, muitos nomes surgem para ocupar esse lugar. Tem o destaque para enaltecer o talento dos jovens que simbolizam uma nova geração, quem exalte a segurança dos mais experientes e quem atribua ao treinador o mérito de ter organizado uma equipe capaz de chegar ao último jogo sem conhecer a derrota.

Mas talvez a maior força dessa seleção esteja justamente na dificuldade de escolher apenas um protagonista. A Espanha não venceu porque um jogador decidiu todas as partidas sozinho, nem porque depositou o destino de uma nação sobre os ombros de um único craque. Sua conquista é consequência de algo menos vistoso, embora muito mais difícil de construir: um sistema no qual o talento individual não desaparece, mas aprende a trabalhar a serviço do coletivo.

O futebol costuma nos seduzir com a ideia do salvador. Esperamos pelo atleta capaz de resolver a partida em um lance genial, da mesma forma que, nas empresas, muitas vezes imaginamos que a contratação de uma pessoa extraordinária será suficiente para corrigir problemas que se acumularam durante anos. Raramente é.

Um grande talento pode decidir um jogo, mas dificilmente sustenta sozinho uma campanha inteira. Da mesma forma, um profissional brilhante pode produzir resultados importantes, mas não consegue compensar indefinidamente a ausência de processos, confiança, liderança e clareza de propósito.

Os campeões não são apenas grupos que reúnem os melhores indivíduos. São equipes que conseguem fazer com que habilidades diferentes se completem, de maneira que cada pessoa compreenda não apenas aquilo que deve fazer, mas também por que sua participação é indispensável para o funcionamento do conjunto. Essa é uma diferença fundamental. Em um grupo, as pessoas dividem o mesmo espaço. Em um time, elas compartilham o mesmo destino.

A Espanha campeã representa exatamente essa ideia. A bola passa por muitos pés antes de chegar ao gol, a defesa começa muito antes da própria área e cada movimento individual depende da leitura do que os demais estão fazendo. Mesmo o jogador mais criativo precisa confiar que encontrará um companheiro no lugar certo, assim como aquele que atua longe dos holofotes precisa compreender que sua movimentação pode abrir o espaço que outro usará para decidir a partida. O público vê o chute final. O time conhece todas as escolhas que o tornaram possível.

No mundo empresarial, ocorre algo semelhante. Os resultados mais visíveis costumam ser associados ao fundador, ao presidente ou ao executivo que aparece no centro da fotografia, embora nenhuma organização alcance relevância duradoura apenas pela força de uma pessoa.

Por trás de todo negócio consistente existe uma rede de profissionais que assumem responsabilidades diferentes, tomam pequenas decisões diariamente e sustentam a execução quando o entusiasmo inicial já não é suficiente. Há pessoas criando, vendendo, atendendo, organizando, corrigindo e protegendo a cultura da empresa, muitas vezes sem receber os mesmos aplausos destinados à liderança.

Um líder verdadeiramente competente não é aquele que se torna indispensável para todas as decisões, mas aquele que constrói um ambiente no qual as pessoas conseguem entregar o melhor de si sem disputar permanentemente o centro do palco.

Essa talvez seja uma das tarefas mais difíceis da liderança, porque exige conciliar duas forças que parecem contraditórias. É necessário estimular o protagonismo individual sem permitir que o ego se torne maior do que o projeto; reconhecer talentos sem transformar a organização em uma coleção de estrelas isoladas; e cobrar resultados sem destruir a confiança que permite às pessoas cooperarem. Grandes equipes não anulam as diferenças. Elas encontram uma forma de transformá-las em complementaridade.

Uma seleção campeã precisa do atleta capaz de improvisar, mas também daquele que obedece ao plano quando seria mais atraente procurar a glória individual. Precisa de quem marca o gol, de quem oferece a assistência e de quem faz uma corrida silenciosa que arrasta a defesa e abre o caminho. Algumas contribuições entram para as estatísticas; outras permanecem invisíveis, embora tenham sido igualmente decisivas.

Por isso, uma taça nunca pertence somente a quem a levanta. Ela pertence ao jogador que aceitou mudar de função, ao reserva que manteve o nível dos treinamentos, à comissão que corrigiu os detalhes, ao profissional que cuidou da preparação física e a todos aqueles que compreenderam que o sucesso coletivo exigiria, em determinados momentos, a renúncia a uma parcela do próprio protagonismo.

A vitória da Espanha também se torna uma lembrança importante para uma época obcecada por figuras individuais. Celebramos gênios, criadores e grandes líderes, mas frequentemente esquecemos que até os talentos mais raros dependem de estruturas capazes de transformar sua capacidade em resultados consistentes.

Sem o coletivo, o brilho pode produzir momentos extraordinários. Com ele, pode construir uma era. A fotografia mostrará um capitão segurando o troféu, já a história, porém, registrará uma equipe. Porque os grandes campeões podem até ter rostos que o mundo aprende a admirar, mas toda taça realmente importante é conquistada muito antes de chegar às mãos de quem a ergue.

Ela começa a ser levantada quando um grupo deixa de ser apenas um conjunto de pessoas e passa, finalmente, a agir como um time obstinado.

Janguiê Diniz – Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group; diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular

IA já é utilizada por mais da metade das incorporadoras brasileiras, aponta pesquisa

Estudo revela que 56,5% das empresas do setor imobiliário já adotam Inteligência Artificial, com foco em produtividade, redução de custos e melhoria no atendimento

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa de futuro para se consolidar no dia a dia do mercado imobiliário do País. De acordo com a pesquisa “Panorama da Inteligência Artificial no Mercado Imobiliário Brasileiro 2026”, desenvolvida pela BCB Inteligência em parceria com a Morada.ai e a Upload, 56,5% das incorporadoras brasileiras já utilizam IA em alguma etapa de suas operações. O dado reflete a busca acelerada de um setor tradicional por maior competitividade, eficiência e redução de custos.

A maior parte desse movimento é recente: 41,7% das empresas adotaram as ferramentas em um período que varia de um a três anos, sinalizando que a transformação digital ainda atravessa um processo de consolidação. Em vez de desenvolverem sistemas próprios em casa — o que representa apenas 15,4% dos casos —, a ampla maioria das organizações (67,9%) opta por contratar soluções prontas de terceiros.

Para Bruno Cantalupo, diretor da BCB Inteligência, o levantamento quebra o mito de que a inovação tecnológica está restrita às grandes corporações. O executivo destaca que o divisor de águas entre as companhias é a maturidade na gestão da ferramenta.

“A principal contribuição desta pesquisa é mostrar que a Inteligência Artificial já entrou definitivamente na agenda do mercado imobiliário brasileiro. O que observamos é que a diferença entre as empresas que estão avançando mais rápido e as demais não está no tamanho da operação, mas na capacidade de transformar interesse e testes pontuais em implantação estruturada, processos, governança e resultados mensuráveis. A IA tem potencial para gerar ganhos significativos de produtividade, mas seu impacto real depende da forma como as empresas incorporam essa tecnologia ao dia a dia dos negócios.”

Impacto nas operações

Os reflexos da automação já são sentidos no balanço das empresas. Quem utiliza a tecnologia aponta como principais benefícios a melhoria no atendimento ao cliente (35%), o ganho de produtividade (31,2%), a redução de custos (30,8%) e o suporte para tomadas de decisões mais estratégicas (30,8%).

Geograficamente, o estado de São Paulo lidera o perfil da amostra com 41,4% das empresas participantes, seguido por Minas Gerais (8,7%), Santa Catarina (8%) e Paraná (7,1%). O perfil predominante dos respondentes é de empresas de médio porte, que possuem entre 51 e 200 colaboradores (36,5%).

As áreas e os dilemas da IA no setor

Se por um lado plataformas como Claude e ChatGPT ganham espaço na gestão de obras, dúvidas sobre retorno financeiro e falta de mão de obra qualificada travam adesão de empresas restantes.

A aplicação da Inteligência Artificial no mercado imobiliário brasileiro tem frentes muito claras de atuação. O “Panorama da IA no Mercado Imobiliário” identificou que o marketing comercial e o gerenciamento de obras são as áreas que mais sentem o impacto da tecnologia, liderando com 31,6% das citações cada. Logo atrás aparecem os setores de projetos e engenharia (26,5%), redução do quadro de colaboradores (26,5%), controle financeiro (25,5%) e automação de processos internos (21,4%).

Esse ecossistema digital é alimentado por uma diversidade de grandes modelos de linguagem. O assistente Claude lidera a preferência do setor, sendo utilizado por 22,7% dos entrevistados. O ChatGPT aparece na sequência com 19,9%, seguido pelo Gemini (13,1%) e pelo Copilot (9,1%).

O que trava os 43,5% restantes?

Apesar do avanço, uma parcela significativa do mercado ainda se mantém à margem da tecnologia por entraves gerenciais e operacionais. Entre as empresas que ainda não utilizam IA, a incerteza sobre o Retorno sobre o Investimento (ROI) é o principal freio (23,8%). A escassez de profissionais preparados para lidar com as ferramentas aparece em segundo lugar (19,5%), empatada com a falta de conhecimento geral sobre o tema (17,3%) e a existência de outras prioridades institucionais mais urgentes (17,3%).

Ainda assim, o apetite do setor por modernização segue forte. Para o futuro próximo, as companhias que pretendem entrar no segmento demonstram maior interesse em aplicar IA na análise de crédito (21,1%) e em projetos de engenharia (20%). O orçamento também deve acompanhar essa tendência: 37,1% dos atuais usuários planejam elevar os investimentos em IA ainda este ano, enquanto 35,8% pretendem manter o patamar atual.

Ramon Azevedo, CEO da Morada.ai, projeta que o mercado imobiliário nacional desenha agora os contornos de uma mudança estrutural definitiva. “O mercado imobiliário está entrando em uma nova fase de adoção da Inteligência Artificial. A discussão já não é mais se as empresas vão utilizar IA, mas como aplicar essa tecnologia para gerar eficiência, produtividade e melhores decisões de negócio. O próximo passo será conectar dados, sistemas e processos para ampliar ainda mais o impacto da tecnologia nas operações”.

Alepe fecha semestre com alta produtividade legislativa e ampliação de projetos sociais

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) fechou o primeiro semestre deste ano com alta produtividade Legislativa, implantação de novas regras para votação de matérias financeiras e tributárias e ampliação de projetos sociais, a exemplo do “Alepe Acolhe”. Buscando atender as necessidades da população, a Casa criou Frentes Parlamentares e comissões especiais, ofereceu serviços gratuitos de cidadania e saúde, e ainda desenvolveu ações focadas na valorização de seus servidores terceirizados, efetivos e comissionados.

Atendendo a uma antiga reivindicação dos deputados, a atual Mesa Diretora investiu no fortalecimento do Legislativo aprovando mudanças na Constituição do Estado como a que permite aos deputados propor leis que tratam de matérias financeiras e tributárias. Somente o Poder Executivo tinha essa prerrogativa. Também foi ampliado o valor das emendas impositivas dos parlamentares, cujos recursos são aplicados em melhorias na estrutura e serviços de saúde dos municípios.

Produção Legislativa

O primeiro semestre na Alepe também foi marcado por uma intensa agenda legislativa. Dentre os projetos de Lei Ordinária apresentados, 904 partiram do Legislativo, seis do Executivo, quatro do Judiciário, um do Ministério Público e um do Tribunal de Contas (TCE). Projetos de Lei Complementar foram oito: cinco do Legislativo, dois do Executivo, um do MPPE e um do TCE. Já os projetos de Resolução somaram 47. Houve um Decreto Legislativo de iniciativa da Alepe e 16 Propostas de Emendas Constitucionais (PECs).

Entre 1° de fevereiro e 27 de junho, a Alepe realizou 59 reuniões ordinárias, seis extraordinárias e 20 solenes, totalizando 85 encontros. Foram apresentados 988 projetos e Propostas de Emendas à Constituição (PECs), dos quais 973 de autoria da própria Casa. Oito partiram do Executivo, cinco do Judiciário, um do Ministério Público, um do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Já as indicações e requerimentos dos deputados somaram 3.754, dos quais 3.475 foram aprovados.

Conexão com pautas sociais

O início da atual Legislatura também foi movimentado pelas novas Frentes Parlamentares e comissões especiais pautadas pelas questões sociais que afetam os pernambucanos. No total, foram criadas sete comissões que promoveram debates em torno de questões como combate à fome, defesa das pessoas com transtorno do espectro autista, atenção e promoção à assistência materno infantil, defesa da retomada da economia, além da defesa da bacia leiteira do estado.

As Frentes Parlamentares também tiveram seu papel na atenção às questões em pauta na atualidade. Foram criados colegiados voltados para Combate ao Racismo, em defesa do Cooperativismo, da Transnordestina, do Plano de Macrodrenagem da Região Metropolitana do Recife, da Mata Norte do Estado, da Saúde Mental dos Pernambucanos, dos Direitos da Família, da Vida e de Política sobre Drogas.

O grave problema das chuvas e enchentes que castigam o Estado também mereceu atenção da Alepe na criação de uma Frente voltada para o tema, assim como o Direito à Primeira Infância e a implantação da Escola de Formação e Graduação de Sargentos de Carreira do Exército em Pernambuco.

Para presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), os resultados do semestre foram extremamente positivos para o Estado. “Desde o início da atual gestão, os deputados vêm trabalhando de forma harmoniosa, fortalecendo a autonomia e a independência da Casa, sem deixar de olhar para os servidores, com capacitação e valorização salarial”.

O primeiro secretário da Alepe, deputado Gustavo Gouveia (Solidariedade), entende que a Casa mostrou, nesses primeiros seis meses que “é possível conduzir os trabalhos com transparência, agilidade e responsabilidade”. “Focamos em projetos importantes. Todas as ações foram direcionadas para políticas públicas de inclusão, saúde e educação. Fortalecemos o parlamento em defesa da satisfação dos nossos servidores e dos interesses dos pernambucanos”, afirmou.