Marta chora e diz que ‘final’ contra Jamaica não será despedida da Copa

Rainha eleita seis vezes melhor do mundo se emociona ao falar de legado, se diz pronta para jogar 90 minutos se Pia Sundhage desejar e vê a sueca fazer mistério diante da obrigação de vencer a Jamaica.

De repente do riso fez-se o pranto. Mas não, ainda não é o Soneto da Separação definitiva de Marta da Copa do Mundo. A poesia de Vinícius de Moraes pode esperar mais um pouquinho. De preferência, quem sabe, até o sonhado título inédito. Mesmo em lágrimas ao admitir a possibilidade de a partida desta quarta-feira contra a Jamaica, às 7h (de Brasília), no Melbourne Rectangular, ser a última exibição no principal torneio da Fifa, e de se emocionar ao passar a limpo o legado de seis participações no torneio da Fifa, a recordista de prêmios de melhor do planeta (6) é mulher de muita fé.

“Estou tão focada na partida que não parei para pensar que esta pode ser minha última coletiva em uma Copa do Mundo, porque não vai ser. Estou confiante e acredito que vamos seguir na competição”, afirmou Marta, emocionada.

Aos 37 anos, a camisa 10 completou:” A Marta de 2007(vice na Copa do Mundo) tem mais experiência. Tenho que pensar mais em como agir em campo, porque eu era mais rápida, né? Com toda essa experiência, vou tentar de alguma forma, tanto dentro de campo, como fora, mostrar que somos capazes de vencer a Jamaica novamente. Aconteceu em 2007, aconteceu em 2019 e vai acontecer amanhã, assim espero”, profetizou a alagoana de Dois Riachos.

Não resta alternativa. Terceiro colocado no Grupo F depois de golear o Panamá por 4 x 0 e perder para a França por 2 x 1, o Brasil tem de derrotar a Jamaica para avançar às oitavas sem depender de uma improvável zebra panamenha contra a França. Vice-líder, a Jamaica tem a vantagem do empate contra a Seleção. As caribenhas conseguiram segurar as favoritas francesas na estreia ao segurar 0 x 0.

Sentada ao lado da técnica sueca Pia Sundhage na entrevista coletiva da Fifa, Marta não tem certeza da escalação contra a Jamaica, mas fez a parte dela. “Estou preparada para jogar, não sei quantos minutos, isso é com ela (Pia), mas se tiver que jogar os 90 minutos, vou jogar o tempo todo. Se tiver que jogar alguns minutos, vou jogar alguns minutos. Estou bem, treinando normal. Não tem nada que me impeça de entrar amanhã e jogar o tempo todo. Não sei se consigo jogar os 90 minutos, vou lutar para jogar os 90 se ela decidir me colocar em campo para jogar. Estou bem e preparada”, assegurou.

Marta ficou com os olhos marejados e a voz embargada ao falar sobre legado. “Eu não costumo pensar na Marta. Sabe o que é legal? Eu não tinha uma ídola no futebol feminino. Vocês (imprensa) não mostravam o futebol feminino. Como eu ia entender que eu poderia ser uma jogadora, chegar à Seleção, sem ter uma referência? Hoje, a gente sai na rua e os pais falam. ‘Minha filha quer ser igual a você’. Hoje, temos nossas próprias referências. Não teria acontecido isso sem superar os obstáculos. É uma persistência contínua. A gente pede muito que a nossa geração continue assim. A vovó que torce para o Corinthians. A gente fica feliz em ver tudo isso. Há 20 anos, em 2003 (primeira Copa do Mundo da rainha), ninguém conhecia a Marta. Em 2022, viramos referência para o mundo inteiro. Não só no futebol, mas no jornalismo também. Hoje, vemos mulheres aqui, o que não tinha antes. A gente acabou abrindo portas para a igualdade: comemorou a craque.

A referência do Brasil classificou o duelo contra a Jamaica como mata-mata, admitiu a tensão da partida e ponderou sobre o favoritismo canarinho. “Cada jogo é diferente. Favorito nem sempre ganha. Temos que respeitar o adversário independentemente de quem está do outro lado. São 11 contra 11. Nunca vi ninguém jogar com 12 ou 13. Temos que fazer acontecer dentro de campo, para que a gente possa se sentir confortável nessa situação. Antes da bola rolar, é tudo igual. Quando rolar, temos que mostrar o nosso futebol. Isso vai depender do nosso desempenho, até então, não tem nada definido”, observou.

Fria e calculista, Pia visivelmente engoliu o choro enquanto Marta se emocionava na entrevista. Questionada se Marta começará a partida contra a Jamaica, a sueca despistou. “Amanhã você verá quem está no time titular. Essa “velha moça” é importante para todos nós, claro, por toda experiência que ela tem. Vamos ver. O plano de jogo contra a Jamaica é muito importante, porque é agora ou nunca. Então, temos uma chance de jogar um bom futebol e tentar vencer a partida”, respondeu a treinadora.

Pia fez um alerta sobre a Dinamarca. “Estudar a outra equipe é muito importante e passar às jogadoras que tipo de jogo está por vir também. Um empate 0 x 0, a Jamaica está dentro, um 1 a 0 para o Brasil, nós estamos dentro. Um gol muda o jogo totalmente. Então, é claro que estamos preparadas para isso.

FRANÇA X MARROCOS: França busca bater Marrocos e ter chance de bater recorde do Brasil na COPA DO MUNDO

Se os ‘Bleus’ levantarem o troféu no estádio Lusail no domingo (18), a França será a primeira seleção a repetir o feito do Brasil de Pelé, Zagallo e Garrincha

AFP

O sonho do segundo título mundial consecutivo para a França de Kylian Mbappé, um feito que não acontece desde os tempos de Pelé, terá nesta quarta-feira (14) um desafio de alta exigência nas semifinais da Copa do Mundo, contra o Marrocos, surpresa do torneio e que no Catar joga praticamente em casa.

Especialistas em reverter situações complicadas, entre elas a lesão do Bola de Ouro Karim Benzema e de outros nomes como Paul Pogba e N’Golo Kanté, a seleção de Didier Deschamps enfrenta os ‘Leões de Atlas’ que, em solo árabe, souberam se profissionalizar na arte de derrubar gigantes.

Embora expressem abertamente sua admiração pela seleção marroquina, uma equipe defensiva impenetrável que só levou um gol na competição e que tem um contra-ataque mortal, os franceses preferem se concentrar em não perder uma oportunidade histórica.

Se os ‘Bleus’ levantarem o troféu no estádio Lusail no domingo (18), a França será a primeira seleção a repetir o feito do Brasil de Pelé, Zagallo e Garrincha, que faturaram duas edições de forma consecutiva, em 1958 e 1962.

“Quanto mais avançamos na competição, mais nos aproximamos de algo forte e grande, todos queremos levar essa aventura o mais longe possível. Isso exige uma extrema concentração”, disse o capitão francês Hugo Lloris aos jornalistas nesta terça (13).

– Oponente de alto risco –
Para “continuar a aventura”, em que já quebrou a ‘maldição dos campeões’ e sobreviveu a uma chuva de lesões, a França terá que encontrar um caminho para furar a defesa de aço da seleção marroquina, a menos vazada da competição, com apenas um gol sofrido em cinco jogos.

Para tal desafio, Deschamps tem à disposição o astro Mbappé, que já tem cinco gols no Mundial, Olivier Giroud, o maior artilheiro da história dos ‘Bleus’ com 53 gols e que anotou quatro no Catar e os armadores Antoine Griezmann e Ousmane Dembélé, que somam cinco assistências para a equipe.

Destaque na competição pelas suas defesas e simpatia, o goleiro marroquino Yassine Bounou só levou um gol até agora na competição, contra o Canadá, país onde nasceu.

“Quando um time é capaz de superar Bélgica, Espanha e Portugal, e terminar em primeiro lugar no grupo, é muito difícil. Há muitas qualidades dentro de campo e certamente fora dele, em termos de coesão e espírito de equipe. Será um adversário formidável”, avaliou Lloris.

O embate desta quarta também tem contornos para além das quatro linhas: a influência do Estado francês na região do Magrebe, antes da independência do Marrocos, em 1956. Um histórico que traçou laços de dominação e amizade que tornam este encontro muito simbólico para os milhares de marroquinos que vivem em território francês.

“Continua sendo uma partida de futebol, mesmo que haja história e muita paixão”, disse Didier Deschamps em coletiva de imprensa na véspera do confronto.

– Recuperação e apoio da torcida –
A expectativa é que o estádio Al-Bayt seja um caldeirão de torcedores do Marrocos, a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo, que se tornou referência em seu continente e conta com o apoio de muitos fãs no primeiro Mundial organizado no mundo árabe.

Essa atmosfera é vital para injetar energia e força a uma equipe que vem crescendo na competição, mas que sofre dificuldades para administrar um elenco com jogadores lesionados, sobretudo pelo intenso ritmo da fase final, como na prorrogação e disputa de pênaltis nas oitavas contra a Espanha.

O lateral-direito Achraf Hakimi tem jogado com problemas físicos desde o início do torneio e a dupla de zagueiros, formada por Nayef Aguerd e Romain Saïss, é dúvida para a semifinal, embora o treinador Walid Regragui tenha tranquilizado a torcida nesta terça ao dizer que o time titular está “recuperado e sem baixas”.

“Temos muitos lesionados, mas estão se recuperando bem, temos uma equipe médica de alto nível, todo dia nos dão boas notícias”, disse Regragui aos jornalistas.

O vencedor da partida enfrenta quem passar da outra semifinal, entre a Argentina de Lionel Messi e a Croácia de Luka Modric, no estádio Lusail, na grande final.

O que esperar das semifinais da Copa do Mundo do Catar

Yassine Bounou tentará parar Giroud, enquanto Modric e Messi farão semifinal dos maestros 

Assim como tudo que é bom, a Copa do Mundo do Catar está próxima de acabar. A edição, que já é histórica por marcar a primeira vez que um país do Oriente Médio sedia o torneio, chegou às fases de semifinais e o roteiro das partidas pode render algo ainda mais grandioso. Quatro seleções seguem vivas na competição: Argentina e Croácia, que duelam por vaga na final na próxima terça-feira (13), às 16h; e França e Marrocos, que se enfrentam na quarta-feira (14), no mesmo horário e buscam a tão sonhada taça. A final da Copa do Mundo do Catar acontecerá no dia 18 de dezembro.

Argentina x Croácia
Os argentinos vivem altos e baixos no Catar, mas seguem fortes em busca do tricampeonato mundial. Apesar de terem perdido na estreia para a Arábia Saudita, por 2 a 1, a albiceleste conseguiu se organizar ao redor do seu maior craque e capitão, Lionel Messi e enfrenta a Croácia por vaga na final. As seleções já se encontraram em outras duas edições de Copa do Mundo: em 1998, com vitória argentina por 1 a 0 e em 2018, com triunfo croata por 3 a 0. Se passarem de fase, os argentinos podem realizar uma final inédita contra Marrocos ou buscar uma revanche por 2018 contra a França, que eliminou os hermanos nas oitavas de final daquele ano.

Os croatas estão disputando a sexta edição de Copa do Mundo em sua história. Já em 1998, na sua primeira participação, a Croácia terminou em terceiro lugar e, em 2018, fez a melhor campanha da sua história, quando ficaram na segunda colocação do Mundial após serem derrotados pela França na final. Embalados após eliminarem o Brasil nas quartas de final, os croatas podem se vingar por 2018 e enfrentar os franceses novamente. Outro possível confronto seria contra o Marrocos, sensação da Copa até aqui.

França x Marrocos

A França segue a todo vapor no Catar. Campeões em 2018, na Rússia, os franceses vêm em busca do terceiro título de sua história. Na atual edição, passaram com facilidade no Grupo D e eliminaram a Polônia, nas oitavas, e a Inglaterra, nas quartas. Favoritos, agora irão enfrentar os marroquinos em busca de mais uma final de Copa do Mundo. Se levantar a taça, a França poderá ser a primeira seleção a conquistar um bicampeonato seguido do torneio desde o Brasil, que levou os títulos de 1958 e 1962. Além disso, o astro da equipe e artilheiro da Copa do Mundo com 5 gols, Kyliian Mbappé pode chegar ao seu segundo título mundial ainda aos 23 anos e estaria atrás apenas de Pelé como jogador mais novo a ter conquistado duas Copas.

Marrocos é a primeira seleção da África a chegar às semifinais da Copa do Mundo em 92 anos de história do torneio. Após eliminarem Espanha, nas oitavas, e Portugal, nas quartas, Marrocos terá pela frente a poderosa seleção francesa. Por mais que os franceses sejam claros favoritos, os marroquinos já provaram que podem encarar qualquer time de igual para igual dentro de campo. Com a melhor defesa da competição, Marrocos está contando que o goleiro Yassine Bounou, herói do time na Copa, feche o gol novamente nas semifinais e garanta uma vaga inédita na final da competição.