Fim do sigilo bancário? Especialista alerta para riscos do atual posicionamento do STF e STJ

O atual entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que autoriza o compartilhamento de dados bancários e fiscais entre os Fiscos da União, Estados e Municípios sem necessidade de autorização judicial ou conhecimento prévio do contribuinte, gerou forte reação entre especialistas em Direito Tributário. O advogado Rodrigo Totino, atuante em reestruturações fiscais e contencioso tributário, alerta para os riscos jurídicos da medida, classificada por ele como um retrocesso em garantias constitucionais básicas.

Segundo Totino, a decisão firmada no TEMA 990 do STF vem abrindo caminho para autuações arbitrárias, aumento de contenciosos tributários e violação direta aos princípios do contraditório, ampla defesa e direito à privacidade. “A decisão permite que órgãos estaduais e municipais acessem dados bancários sigilosos sem qualquer controle formal, fragilizando o direito de defesa dos contribuintes e fomentando uma cultura de autuações baseadas apenas em presunções”, afirma o tributarista.

Ele também chama atenção para a ausência de regulação específica que traga salvaguardas mínimas à aplicação prática da medida, apontando incompatibilidades com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Na prática, autos de infração baseados exclusivamente em movimentações bancárias sem origem fiscal definida vêm se multiplicando. Isso inverte indevidamente o ônus da prova, exigindo dos contribuintes a difícil tarefa de comprovar a inexistência de omissões”, explica.

Totino defende a criação urgente de mecanismos infralegais que garantam mais transparência, rastreabilidade e finalidade explícita no uso de informações compartilhadas entre entes tributantes. Para ele, o uso de tecnologia na administração pública é bem-vindo, desde que respeite os limites constitucionais. “Não se trata de barrar o avanço tecnológico do Estado, mas sim de assegurar garantias mínimas aos cidadãos em qualquer tipo de procedimento fiscalizatório”, conclui.

As observações foram feitas durante a participação de Totino no painel “Compartilhamento de Dados Fiscais entre os Fiscos – Avanço ou Violação ao Devido Processo Legal?”, realizado nesta semana no Fórum Amazônico de Direito Processual.

Sobre a MBT Advogados – Rodrigo Totino é sócio gestor da banca MBT Advogados Associados, referência em Direito Tributário, Agronegócio e Recuperação Judicial, e atua nacionalmente em demandas estratégicas nas áreas Tributária, Societária e de Planejamento Patrimonial.

Julia Abdul Hak
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Inmet emite alerta vermelho de chuvas para RMR e Zona da Mata; chuvas podem passar dos 100 mm

Diante do acumulado de chuvas, Recife entrou em estágio de alerta

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) elevou o alerta de chuvas para nível vermelho na Região Metropolitana do Recife e Zona da Mata de Pernambuco. O aviso de acumulado de precipitação, que indica “grande perigo” para as regiões, vale até 20h desta sexta-feira (7).

De acordo com o Inmet, as chuvas podem ser superiores a 60 mm/h ou 100 mm/dia. Há também “grande risco” de grandes alagamentos e transbordamento de rios, bem como deslizamentos de enconstas, em cidades com essas áreas de risco.

O Centro de Operações do Recife (COP) informou que a cidade entrou em estágio de alerta às 7h33. “Isso indica que a rotina da cidade foi impactada pelo volume de chuvas e pelo agravamento das condições meteorológicas, que provocam ocorrências em diferentes locais. As equipes municipais estão mobilizadas, agindo em diversas frentes e monitorando a situação”, disse o centro.

O sistema nacional do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) está fora do ar e, por isso, o COP não pode informar os índices pluviométricos. Os dados da Apac também estão indisponíveis.

No pluviômetro da Prefeitura do Recife situado na avenida Abdias de Carvalho, na Zona Oeste da cidade, o total chegou a 44 mm nas 24 horas contadas até 7h45.

O transporte de umidade do Oceano Atlântico para o continente contribui para o aumento da nebulosidade e da chuva na costa leste da região, segundo o Inmet. A previsão se estende para a faixa leste da região Nordeste, entre o litoral dos estados da Paraíba e do Sergipe.