Presidente Jair Bolsonaro com caneta Bic vermelha no Lançamento da Campanha Semana do Brasil, Palácio do PlanaltoFoto: Sérgio Lima/PODER 360
O presidente Jair Bolsonaro está indignado com os ataques que vem recebendo depois de ser questionado sobre o que ele espera das eleições do ano que vem e respondeu: “O que eu vejo nas eleições é que é um self-service. Tem uns 10 produtos na mesa. Tem uns oito tóxicos, né? Tem uns oito estragados”. Ele garante que está recebendo muito ataques por causa da fala. “Ontem eu falei uma coisa aqui que um cara ligou pra mim indignado. Eu falei: ó, eleição é igual self-service, é o que tá na mesa. Às vezes tem um negócio estragado ali. Pronto, ele disse que eu ofendi o pessoal do self-service no Brasil todo. Impressionante, né? Você não pode falar nada. Eu só não como o que não tem. Agora pra complicar: eu gosto de comer num pé sujo”.
São Paulo, setembro de 2021 – A boa safra de ventos deste ano tem sido uma aliada importante para o Brasil enfrentar a severa crise hídrica que ameaça o abastecimento de energia no país. O mês de julho foi marcado por sucessivos recordes da geração eólica no Nordeste e a região, que há alguns anos era mera coadjuvante no setor, assumiu o protagonismo na exportação de energia renovável para outras regiões do Brasil, como o Sudeste e Centro-Oeste. Em agosto a geração eólica manteve-se em alta e foi imprescindível para que o país não amargasse uma volta ao túnel do tempo com o apagão nos idos de 1999.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a região Nordeste gerou em julho 11.094 MW médios, montante capaz de atender a 100% da demanda da região. “Atualmente, a energia eólica representa 10,7% da matriz elétrica do Brasil e a expectativa é que a fonte alcance 11,2%, enquanto a solar representa 1,9% da matriz elétrica do país com potencial para atingir 2,6% até o fim de 2021”, diz a organização.
A severa estiagem tem agitado os agentes do mercado desde geradoras, distribuidoras, comercializadoras, associações, até órgãos reguladores. E não é para menos. Os especialistas mais otimistas afirmam que o Brasil está muito próximo de um racionamento e os pessimistas alardeiam um provável apagão no fornecimento de energia, gerando impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) ainda neste ano.
A situação seria ainda mais complicada se não fosse a excelente safra dos ventos que tem contribuído para mitigar os riscos de desabastecimento. “Hoje, as eólicas já atendem por ano em média mais de 10% da demanda de energia no Brasil e agora no segundo semestre a previsão é que este percentual atinja cerca de 20% de abastecimento”, afirma Renato Amaral, sócio da RFA Holding e fundador da Renova Energia, pioneira na geração de energia por meio da fonte eólica e uma das principais companhias do mercado.
Renato Amaral, sócio da RFA Holding e fundador da Renova Energia
Há alguns anos a fonte eólica era considerada por agentes do mercado como uma geração que poderia trazer instabilidades ao sistema e agora é assimilada como estratégica para blindar o país no fornecimento de energia. Claro que o amadurecimento do mercado também permitiu uma visão mais apurada do mercado.
Hoje, o Brasil possui 726 parques eólicos, que reúnem 8.585 aerogeradores, distribuídos em 12 estados. “Embora 80% da capacidade instalada da fonte eólica estejam na região Nordeste, o Sul também possui capacidade instalada importante”, analisa Amaral. Os dados da reportagem foram extraído do InfoVento, da Abeeólica, de julho de 2021.
A geração eólica que já era relevante para a matriz energética do Brasil ganhou ainda mais representatividade com a crise hídrica e reforçou como a diversidade das fontes é estratégica para garantir a segurança do abastecimento do país.