Com mais de 60 anos em Pernambuco, Alcoólicos Anônimos amplia rede de apoio e acolhimento

Fundada no Recife em 1964, a irmandade reúne atualmente 284 grupos no estado e recebe diariamente entre 20 e 30 novos pedidos de ajuda por meio de encontros presenciais e canais digitais

Informações do JC

Uma rede de reuniões, voluntariado e troca de experiências entre pessoas que enfrentam o alcoolismo. O grupo Alcoólicos Anônimos (AA), que começou em Pernambuco dentro de uma garagem na década de 60, se transformou em 284 unidades ativas e acolhe diariamente entre 20 e 30 novas pessoas somente nos canais digitais.

Mais de 60 anos em Pernambuco

A reportagem do Jornal do Commercio visitou a sede administrativa da irmandade no bairro da Boa Vista, área central do Recife. Paulo, nome fictício escolhido por um membro do AA, conta que a história do grupo em Pernambuco começou há mais de 60 anos.

Em 1964, um jovem estudante retornava do Rio de Janeiro ao Recife após desistir de sua formação como militar. Devido ao álcool, teve problemas dentro do quartel e sofreu diversas repreensões, até alcançar um estopim. Um colega de internato indicou a ele o grupo Alcoólicos Anônimos, recém instalado no Brasil.

Ele encontrou nas reuniões um caminho para superar o vício e reerguer a vida. Ao chegar na capital pernambucana, tinha o objetivo de repassar a mensagem aos seus familiares, também alcoólatras, mas dobrou a aposta: divulgou o agrupamento no jornal.

Uma semana depois, já tinham 5 interessados. A primeira reunião foi na garagem da sua irmã, no bairro do Derby, Recife. Chegou a ser interrompida por agentes da polícia, num cenário já de ditadura militar. O local foi transferido e os encontros se mantiveram.

Hoje, além das 284 unidades presenciais, o estado também conta com grupos virtuais criados durante a pandemia. Paulo, que participa da comunicação do AA, comemora que “recebemos entre 20 e 30 pedidos de ajuda por dia em Pernambuco, por telefone ou redes sociais”.

Como são as reuniões do AA?

O funcionamento do AA é guiado por princípios de anonimato, voluntariado e autossuficiência. Não há cobrança de taxas nem financiamento externo, e toda a manutenção ocorre por contribuições dos próprios membros.

Maria, também membro do AA, explicou que “aqui nem é seita, nem é religião, nem tem envolvimento com partido político. A gente não se associa em nada”. Assim, as reuniões acontecem sempre em espaços cedidos, normalmente em salas de escola ou associações de moradores, em dias variados, com duração de 2 horas.

Elas seguem um formato estruturado. Há um silêncio inicial, a leitura da Oração da Serenidade e depoimentos livres dos participantes, que duram entre 15 e 20 minutos. A dinâmica também inclui a escuta de novos participantes, que são incentivados a observar antes de falar.

“Quando cheguei lá no grupo, eu eu comecei a ler o que tava lá no quadro. Coisas que eu nunca vi e nunca tinham me falado, só tinha visto ali”, lembra Nilson, que está sóbrio desde que entrou no AA há 33 anos. “Tinha frases como ‘evite o primeiro gole’, ‘vá com calma’ e ‘viva e deixe viver'”.

Identificação gera recuperação

Nilson não é o único que parou de beber logo após a primeira reunião, e isso se explica pelo fator da identificação: “se um médico, psicólogo, padre ou pastor disser algo ao alcoólatra, ele não aceita. Mas quando um diz pro outro ‘eu também sou alcoólatra’, aí a mensagem entra”, explica Maria.

Talita da Silva é psicóloga e Amiga de AA há mais de 10 anos. Isso significa que ela não é alcoólatra e nem membro da irmandade, mas auxilia como pode e atua como porta-voz não anônima. Na entrevista ao Jornal do Commercio, ela esclarece como a ciência entende a eficiência do método da organização:

“O AA e a psicologia têm pelo menos duas coisas em comum, que é o cuidado com o sofrimento e a cura pela fala”. Embora não acompanhe as reuniões fechadas, a psicóloga observa a superação de perto: “até então ele era ele era o bêbado da da rua, ele era o o marido que não vale nada. Ver essas pessoas ganhando o direito de usar o seu nome e recompor é coisa mais bonita”.

César começou a frequentar as reuniões depois que percebeu como ninguém mais o respeitava. Seus familiares o ignoravam nas reuniões de família por que ele “só conversava besteira”. No trabalho, mesmo quando não estava alcoolizado, o cheiro da bebida fazia ele ser culpabilizado por qualquer erro que outras pessoas cometiam.

“Eu tava bebendo 2,5 litros de cachaça por dia”, se recorda. Hoje, está sóbrio há 14 anos graças ao grupo. Em Pernambuco, qualquer pessoa pode procurar o apoio do Alcoólicos Anônimos, seja para si próprio ou para alguém conhecido, por meio dos contatos (81) 3221-1555 e (81) 9 8476-3207.

Também é possível ir até uma das 284 unidades ou até a sede administrativa no Recife, na Av. Conde da Boa Vista, número 50, sala 401. Paulo encerra a conversa com a mensagem de que “se você quer beber, o problema é seu. Mas se você quer parar de beber, o problema é nosso”.

Governo de Pernambuco lança primeiro Plano Estadual de Políticas sobre Drogas

Documento apresentado pela vice-governadora Priscila Krause estabelece diretrizes de prevenção, cuidado, proteção social e reinserção até 2030, além de lançar cartilha para qualificar comunidades terapêuticas

Representando a governadora Raquel Lyra, a vice-governadora do Estado, Priscila Krause lançou, nesta segunda-feira (29),  o Plano Estadual de Políticas sobre Drogas (Pepod). O documento reúne as diretrizes que devem orientar a atuação do Estado na área nos próximos anos, com foco em prevenção, cuidado, proteção social e reinserção de pessoas em situação de vulnerabilidade decorrente do uso de álcool e outras drogas.

Priscila Krause destacou que o plano é fruto de um processo de escuta e participação de toda a sociedade civil, agentes públicos e até mesmo dos usuários que são beneficiários dos programas de acolhimento..  

“Esse é o primeiro plano estadual de políticas sobre drogas da história de Pernambuco. Representa um avanço, um amadurecimento das nossas políticas, que são reveladas através das ações de prevenção, com dez secretarias envolvidas, desde Educação, Saúde, Direitos Humanos, Defesa Social, Empreendedorismo, Mulher. Esse plano foi construído por muitas mãos e dezenas e centenas de corações”, declarou a vice-governadora.

Priscila Krause  citou que a estratégia contou com a  colaboração do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A construção do plano foi coordenada pela Secretaria Executiva de Políticas sobre Drogas, vinculada à Secretaria de Ação Social e Combate à Fome. 

O secretário executivo, Yuri Ribeiro, explica que o plano organiza o compromisso do governo de Pernambuco com a prevenção e o cuidado às pessoas em situação de vulnerabilidade. “Mas, no fim das contas, o que ele representa é simples: mais qualidade no atendimento de quem está em situação de rua, das famílias que estão se reconstruindo e das comunidades terapêuticas que agora têm uma referência clara de como acolher melhor”, afirmou.

Priscila Krause destacou ainda que as ações a partir desse instrumento serão monitoradas e avaliadas. “O Pepod nasce com diretrizes e ações muito claras, o que vai nos permitir medir a sua eficácia ao longo dos anos. Então, acho que Pernambuco dá um salto de qualidade no que diz respeito às políticas públicas sobre drogas”, declarou a vice-governadora.  

Ribeiro reforçou o caráter coletivo do documento, construído com a participação do  Conselho Estadual de Política sobre Drogas (Cepad). “Ouvimos as pessoas, os trabalhadores que fazem a política sobre drogas, seja na prevenção, no cuidado, no acolhimento, na reinserção social, na repressão e no controle social”, informou. 

Na prática, o plano baliza a atuação da política sobre drogas até 2030, conduzido em parceria com o Escritório da ONU para Drogas e Crimes (Unodc).

Segundo o oficial de Projetos do Unodc, Rafael Sales, o plano sobre drogas do Estado faz parte de uma parceria maior que o escritório da ONU tem com o Governo de Pernambuco, numa cooperação que traz conceitos  internacionalmente estabelecidos e implementados.  “Essa é uma das entregas que a gente está fazendo agora em 2026. O plano é um conjunto sistemático de soluções, das mais sofisticadas que a gente tem no mundo, que vão ser implementadas aqui no Estado”, comentou. 

Com a parceria, o escritório das Nações Unidas  traz toda a sua expertise no enfrentamento às drogas e crime, de forma a  implementar políticas com base no cuidado,  respeito à vida e direitos humano e no desenvolvimento sustentável. “Nós facilitamos todas as oficinas, mobilizamos as secretarias, organizamos as consultas à sociedade civil, dialogamos com o Cepad, preparamos o diagnóstico, os dados e toda a visão geral”, observou  Rafael Sales. 

Cartilha para Comunidades Terapêuticas

O documento foi lançado durante o seminário “Prevenção é Compromisso Coletivo”, realizado no Teatro do 1º Andar do Cais do Sertão, no Recife Antigo. O evento marcou a abertura da II Semana Estadual de Prevenção às Drogas e também apresentou a Cartilha de Boas Práticas para Comunidades Terapêuticas Acolhedoras.

Yuri Ribeiro explica que a cartilha é um manual que traz um compilado de legislações e  normativas que regulamentam as comunidades terapêuticas do Brasil e em Pernambuco. O objetivo é aperfeiçoar,  qualificar e fortalecer centros de cuidado e reabilitação de usuários, para garantir direitos e atender da melhor forma as pessoas que precisam desses serviços. “As comunidades terapêuticas acolhedoras são um serviço da sociedade civil, que hoje conta com o apoio do Governo do Estado de Pernambuco, e que agora podem, de maneira mais qualificada, garantir o atendimento às pessoas que são acolhidas e beneficiadas”, explicou o secretário executivo. 

Essas comunidades recebem pessoas que fazem uso de drogas, que saem das ruas, ou das suas casas, das cidades onde moram, e são acolhidas para um período de acolhimento em assistência social, com cuidado, escuta, e acolhimento para a transformação de suas vidas.

O seminário reuniu representantes de diversas secretarias estaduais, do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Cepad), da Federação Pernambucana das Comunidades Terapêuticas (Fepect) e de comunidades terapêuticas credenciadas no Programa Nova História. Também participaram representantes de organismos internacionais, como o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Brasil vence o Japão nos acréscimos e garante vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo

Com gol decisivo de Gabriel Martinelli aos 51 minutos do segundo tempo e outro de Casemiro, a Seleção Brasileira virou sobre os japoneses por 2 a 1 e agora aguarda o vencedor de Noruega e Costa do Marfim

Ufa! Em partida eletrizante, a seleção brasileira venceu o Japão por 2 a 1 e se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo. Acionado no segundo tempo, Gabriel Martinelli foi o herói do dia, com gol salvador aos 51 minutos. Casemiro também balançou as redes para o Brasil, enquanto Sano fez o dos japoneses.

Classificada, a seleção brasileira agora aguarda o vencedor de Noruega e Costa do Marfim, que se enfrentarão amanhã, para descobrir o adversário das oitavas de final. A partida será no próximo domingo (5), às 17h.

Dentro do possível, o Brasil teve boa atuação contra o Japão. Com exceção do lance do gol, que nasceu após erro de Danilo ainda no campo de defesa, os japoneses praticamente não levaram perigo para Alisson. O goleiro brasileiro, aliás, pouco pôde fazer na finalização de Sano que abriu o placar.

Após começar bem no primeiro tempo e ter o ímpeto esfriado pela pausa para hidratação, o Brasil sentiu o gol japonês e não soube se organizar em campo para tentar empatar a partida na primeira etapa. No segundo tempo, porém, o cenário foi outro. Certeiro, Ancelotti foi bem ao escalar Endrick no lugar do lesionado Paquetá. Ainda que o jovem não tenha brilhado tanto individualmente, o esquema com quatro atacantes bagunçou o antes implacável sistema defensivo japonês.

A seleção pressionou o Japão antes de chegar ao empate. Num lance impressionante, Casemiro já havia ensaiado seu gol, mas a bola foi tirada em cima da linha por um zagueiro, e depois por Suzuki. Mas depois do cruzamento certeiro de Gabriel Magalhães, não teve jeito. Aos 11 minutos do segundo tempo, o volante cabeceou sem chances para o bom goleiro japonês.

Quando a partida caminhava para a prorrogação — e com Neymar, que seria acionado por Ancelotti, segundo o próprio italiano —, brilhou mais uma vez a estrela do treinador da seleção. Martinelli, que entrou no segundo tempo na vaga de Matheus Cunha, recebeu passe brilhante de Bruno Guimarães e deu a vitória ao Brasil.

PL confirma visita de Flávio Bolsonaro a Pernambuco e intensifica articulação para 2026

Reunião liderada por Anderson Ferreira alinhou estratégias da legenda no Estado, debateu candidatura majoritária e confirmou agenda do senador para o dia 9 de julho

O Partido Liberal em Pernambuco realizou, nesta quinta-feira (25), um encontro com integrantes das bancadas estadual e federal para discutir o cenário político no Estado e alinhar os próximos passos da legenda para as eleições de 2026. A reunião, realizada no dia em que o PL completa 41 anos de fundação, contou com a condução do presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, e teve como um dos principais pontos de pauta a possibilidade de uma candidatura majoritária.

Durante o encontro, foi reforçado que qualquer definição sobre o caminho do PL no Estado é construída de forma conjunta com a direção nacional da legenda. A avaliação interna é de que Pernambuco terá papel importante no projeto nacional do partido, e Anderson Ferreira deverá levar à cúpula nacional o sentimento colhido junto às bancadas e lideranças locais antes de qualquer decisão oficial sobre uma candidatura majoritária a governo ou ao senado.

Um dos encaminhamentos anunciados na reunião foi a vinda do senador Flávio Bolsonaro a Pernambuco no próximo dia 9 de julho. A visita será tratada como um momento estratégico para fortalecer a presença do PL no Estado, ampliar o diálogo com lideranças políticas e consolidar a mobilização em torno do projeto nacional da legenda.

Segundo Anderson Ferreira, o partido vive um momento de escuta, articulação e responsabilidade política.

A reunião de hoje foi importante para avançarmos no alinhamento político do PL em Pernambuco diante dos desafios de 2026. Temos clareza do tamanho da nossa responsabilidade e vamos seguir fortalecendo o partido, preparando nossas bases e garantindo que o Estado esteja inserido de forma protagonista no debate nacional”, afirmou Anderson.

A expectativa é de que a agenda de Flávio Bolsonaro no Estado marque uma nova etapa de mobilização do PL em Pernambuco, com foco no fortalecimento da direita, na organização das bases e na construção de um palanque competitivo para 2026.

Almoço no Recife reforça aliança entre Anderson Ferreira e Robson Ouro Preto para 2026

Encontro entre o presidente estadual do PL e o empresário consolidou a pré-candidatura de Robson à Alepe e definiu estratégia conjunta para fortalecer a legenda em mais de 30 municípios do Agreste Meridional

Um almoço realizado nesta sexta-feira, no Recife, marcou mais um passo na articulação política do Partido Liberal (PL) em Pernambuco. O encontro reuniu o presidente estadual do partido, Anderson Ferreira, e o empresário Robson Ouro Preto, ocasião em que foi reafirmada a pré-candidatura de Robson à Assembleia Legislativa de Pernambuco pelo PL.

Durante a reunião, também foi consolidada a parceria política entre os dois líderes para a região do Agreste Meridional. A estratégia prevê uma atuação conjunta em mais de 30 municípios, fortalecendo o projeto político do partido no interior do estado.

Natural de Garanhuns, Robson Ouro Preto tem ampliado sua atuação política e fortalecido sua presença em diferentes regiões de Pernambuco. Com forte ligação com os setores da cultura, do esporte, da juventude e da comunicação, o empresário deverá coordenar e ampliar a base de apoio de Anderson Ferreira em diversos municípios do Agreste Meridional.

Além da força política em sua região de origem, Robson também vem consolidando espaços na Região Metropolitana do Recife, ampliando alianças e dialogando com novas lideranças. Reconhecido nacionalmente por sua atuação no setor da comunicação e do marketing, ele é apontado nos bastidores como um dos nomes em ascensão dentro do PL para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

A expectativa entre aliados é que a dobradinha formada por Anderson Ferreira e Robson Ouro Preto fortaleça o desempenho do partido em Pernambuco nas eleições de 2026, com uma atuação integrada no Agreste Meridional. A aliança aposta na expansão das bases partidárias e na construção de um projeto político voltado ao fortalecimento da legenda no estado.

Urna não é arquibancada

Em artigo, Janguiê Diniz reflete sobre os riscos da “futebolização” da política e defende um voto mais consciente, crítico e responsável em ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais

Coluna Janguiê Diniz

Janguiê Diniz – Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group; diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular

Em ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais, é inevitável que dois dos temas mais comentados pelos brasileiros ocupem espaço nas conversas, nas redes sociais e nos meios de comunicação. Embora ambos despertem interesse coletivo e mobilizem milhões de pessoas, existe uma diferença fundamental entre eles: enquanto o futebol é movido pela paixão, pela emoção e pela torcida, a política deveria ser guiada pela razão, pela análise e pela responsabilidade.

Torcer por uma seleção é um exercício legítimo de emoção. O futebol faz parte da cultura brasileira e desperta sentimentos intensos de pertencimento, identidade e entusiasmo. Durante uma Copa do Mundo, é natural que as pessoas defendam seu time, celebrem vitórias, lamentem derrotas e vivam intensamente cada partida. Nesse contexto, a paixão faz parte do espetáculo. Já as eleições seguem uma lógica completamente diferente. Quando um cidadão escolhe um presidente, um governador, um senador ou um deputado, não está escolhendo um time para torcer durante uma temporada. Está ajudando a definir os rumos do país, da economia, da educação, da saúde, da segurança pública e de inúmeras outras áreas que impactam diretamente a vida de milhões de pessoas.

Apesar disso, o que se observa cada vez mais é uma espécie de “futebolização” da política. Candidatos passam a ser tratados como ídolos intocáveis. Adversários são vistos como inimigos. O debate de ideias dá lugar aos confrontos emocionais. A análise racional é substituída por slogans, memes e ataques pessoais. Em vez de eleitores, surgem torcedores. Essa transformação é preocupante porque o fanatismo raramente convive bem com o pensamento crítico. O torcedor costuma defender seu time independentemente do desempenho em campo. O eleitor, por outro lado, deveria ser capaz de avaliar, questionar, concordar em alguns pontos e discordar em outros. A democracia saudável depende justamente dessa capacidade de reflexão.

Quando a política se transforma em torcida organizada, perde-se algo essencial: a disposição para ouvir. O diálogo se torna impossível. Cada grupo passa a consumir apenas informações que confirmam suas próprias crenças. O adversário deixa de ser alguém que pensa diferente e passa a ser tratado como alguém que precisa ser derrotado a qualquer custo. Esse comportamento enfraquece o debate público e empobrece a democracia. Afinal, nenhum candidato é perfeito, assim como nenhum projeto político está livre de falhas. A maturidade democrática exige reconhecer virtudes e limitações em todos os lados. Exige compreender que governantes são servidores públicos, não celebridades ou líderes infalíveis.

Por isso, uma eleição presidencial exige um nível de responsabilidade muito maior do que uma simples preferência emocional. Antes de votar, é importante analisar a trajetória dos candidatos, sua experiência administrativa, sua capacidade de liderança, suas propostas, suas equipes e sua visão para o futuro do país. É preciso observar o histórico de realizações, a coerência entre discurso e prática e a viabilidade das promessas apresentadas.

Mais do que escolher uma pessoa, o eleitor escolhe um projeto de poder e uma direção para a nação. Cada candidatura representa prioridades diferentes, estratégias distintas e formas particulares de enfrentar os desafios nacionais. Algumas propostas podem privilegiar determinadas áreas; outras podem adotar caminhos alternativos. Cabe ao cidadão avaliar essas diferenças com atenção e decidir, de forma consciente, qual projeto considera mais adequado para o futuro do país. A boa política não nasce da paixão cega, mas da participação consciente. Ela exige informação, reflexão e disposição para analisar fatos. Isso não significa abandonar convicções ou valores pessoais. Pelo contrário. Significa fundamentar essas convicções em argumentos sólidos e em uma avaliação responsável da realidade.

Também é importante compreender que o resultado de uma eleição não encerra a responsabilidade do cidadão. A democracia não termina na urna. Governantes devem ser acompanhados, fiscalizados e cobrados durante todo o mandato. Quem vota de forma consciente também exerce cidadania de forma contínua.

Em tempos de polarização intensa, talvez seja necessário resgatar uma verdade simples: candidatos não são times de futebol. Eles não precisam de torcedores incondicionais. Precisam de cidadãos atentos, críticos e participativos. O Brasil não ganha quando um lado humilha o outro. Ganha quando a população faz escolhas informadas e mantém a capacidade de diálogo, mesmo diante das divergências.

Neste ano em que Copa do Mundo e eleições dividem as atenções dos brasileiros, vale lembrar que a arquibancada é o lugar da paixão. A cabine de votação, por sua vez, deve ser o espaço da consciência. Porque, enquanto um resultado esportivo produz alegrias ou frustrações passageiras, uma eleição tem o poder de influenciar o destino de uma nação por muitos anos. E o futuro de um país é importante demais para ser decidido como se fosse uma partida de futebol.

O IPO de 1602 e a corrida espacial de 2026: por que o futuro sempre pertence aos obstinados

Em artigo, Janguiê Diniz compara a criação da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) com a trajetória da SpaceX para refletir sobre inovação, risco e a construção do futuro

Coluna Janguiê Diniz

Em 1602, um grupo de investidores decidiu financiar algo que jamais havia sido feito. Sob a liderança do estadista holandês Johan van Oldenbarnevelt, eles colocaram dinheiro em uma empresa que prometia navegar por oceanos desconhecidos, atravessar tempestades imprevisíveis e alcançar terras que poucos acreditavam existir.

Mais de quatro séculos depois, investidores fizeram algo semelhante. Apostaram bilhões em uma empresa cujo objetivo não era cruzar mares, mas conquistar o espaço. Separadas por 424 anos, a Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) e a SpaceX contam, na essência, a mesma história: a história de pessoas que transformaram o impossível em uma oportunidade de investimento. É também a história da obstinação humana, essa capacidade de seguir adiante mesmo quando o caminho parece incerto.

A tecnologia mudou. Os meios mudaram. Mas a natureza humana permanece a mesma. O progresso sempre foi financiado por aqueles que acreditaram antes das provas definitivas. Em outras palavras, por aqueles que tiveram a coragem de agir com obstinação quando a maioria preferiu esperar.

Quando a VOC foi criada, em 1602, o mundo era muito diferente. Não existiam bolsas de valores modernas, fundos de investimento ou mercados globais. Uma viagem da Europa até a Ásia podia durar mais de oito meses. Tempestades destruíam embarcações, doenças matavam tripulações inteiras e piratas atacavam rotas comerciais.

Mesmo assim, havia um prêmio gigantesco esperando do outro lado. Especiarias como pimenta, canela, noz-moscada e cravo tinham valor extraordinário na Europa, chegando a ser negociadas por preços equivalentes ao ouro. O problema era o financiamento. Nenhum comerciante individual possuía capital suficiente para bancar expedições tão arriscadas.

Foi então que Oldenbarnevelt ajudou a viabilizar uma ideia revolucionária: unir seis companhias rivais e dividir o risco entre milhares de investidores. A VOC captou aproximadamente 6,5 milhões de florins holandeses, uma quantia monumental para a época. Pela primeira vez na história, pessoas comuns podiam adquirir participação em uma empresa e compartilhar seus lucros.

Nascia o mercado de capitais moderno. Mais do que uma inovação financeira, era uma inovação de confiança. Hoje, quando um investidor compra ações pelo celular em poucos segundos, é difícil compreender o nível de incerteza existente em 1602.

Os acionistas da VOC não recebiam relatórios trimestrais. Não havia internet. Não havia comunicação instantânea. Muitas vezes, passavam anos sem saber se uma frota havia chegado ao destino ou desaparecido no mar. Era um investimento baseado em visão. Era preciso acreditar antes de ver. Era preciso, acima de tudo, ter obstinação.

Quatro séculos depois, o oceano deixou de ser o principal desafio e o novo território desconhecido passou a ser o espaço. Quando Elon Musk fundou a SpaceX, em 2002, a empresa parecia um projeto improvável. A indústria aeroespacial era dominada por governos e gigantes centenários. Especialistas afirmavam que foguetes reutilizáveis eram economicamente inviáveis.

Entre 2006 e 2008, os três primeiros lançamentos do Falcon 1 fracassaram. Após o terceiro desastre, a empresa estava próxima da falência e tinha recursos para apenas mais uma tentativa. Se o quarto lançamento falhasse, provavelmente deixaria de existir. Mas ele funcionou e mudou a história.

Aquele momento se tornou um exemplo emblemático de que grandes transformações raramente nascem da conveniência. Elas nascem da obstinação de continuar tentando quando todos os indicadores sugerem desistência.

A grande inovação da SpaceX não foi apenas construir foguetes. Foi tornar o acesso ao espaço muito mais barato por meio da reutilização. O resultado foi uma revolução econômica que transformou a empresa em uma das mais valiosas do mundo e protagonista da nova corrida espacial.

À primeira vista, uma empresa marítima do século XVII e uma companhia espacial do século XXI parecem não ter relação alguma. Mas possuem mais semelhanças do que diferenças. Ambas nasceram para explorar territórios desconhecidos. Ambas precisaram captar recursos para financiar jornadas extremamente arriscadas. E ambas exigiram investidores e líderes obstinados, capazes de enxergar décadas à frente.

Os continentes asiáticos eram a grande fronteira dos investidores da VOC. Marte representa esse mesmo conceito para os investidores da SpaceX. A geografia mudou, mas a mentalidade não.

O futuro nunca é construído pelos que esperam garantias absolutas. A VOC não possuía mapas completos e a SpaceX não possuía certeza de sucesso. Os grandes avanços surgem quando alguém decide agir antes que todas as respostas estejam disponíveis.

Vivemos uma época semelhante. A inteligência artificial, a biotecnologia, a computação quântica e a nova economia digital estão criando oportunidades comparáveis às grandes revoluções do passado. Muitos observam essas mudanças com medo. Outros observam com curiosidade. Mas poucos têm coragem de investir tempo, energia e recursos para participar delas.

Historicamente, são esses poucos que mudam o mundo. São os obstinados que enxergam possibilidades onde a maioria vê obstáculos. O verdadeiro otimismo não é ingenuidade. É a confiança de que vale a pena construir algo mesmo sem garantias.

No fim das contas, a história não recompensa quem prevê o futuro. Ela recompensa quem ajuda a criá-lo. E eu acredito profundamente que a diferença entre sonhadores e realizadores não está no tamanho da visão. Está na capacidade de convencer outras pessoas a acreditarem nela.

Johan van Oldenbarnevelt fez isso em 1602. Elon Musk faz isso no século XXI. E todo empreendedor que constrói algo relevante precisa aprender a fazer o mesmo.

Porque o futuro, ontem como hoje, continua pertencendo aos obstinados.

Janguiê Diniz  – Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group; diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular

MC Leozinho entra na política e anuncia pré-candidatura a deputado federal por Pernambuco

Com 25 anos de carreira no brega funk, artista afirma que quer levar a voz das periferias para o Congresso Nacional

Com uma trajetória marcada pela música, representatividade popular e forte ligação com as comunidades periféricas, MC Leozinho oficializou sua pré-candidatura a deputado federal pelo PSDB de Pernambuco. Reconhecido como um dos pioneiros do brega funk e um dos artistas mais populares do estado e do Nordeste, o cantor inicia uma nova etapa de sua história ao ingressar na vida pública.

Natural de Maranguape, no município de Paulista, MC Leozinho construiu uma carreira de aproximadamente 25 anos na música pernambucana, tornando-se referência para gerações de artistas e admiradores do gênero. Ao longo desse período, consolidou seu nome com sucessos que ultrapassaram as fronteiras de Pernambuco, levando a cultura das periferias para todo o Brasil.

A decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados surge a partir da experiência acumulada nos palcos e do contato direto com a população. Durante sua trajetória artística, Leozinho acompanhou de perto as dificuldades enfrentadas por moradores das periferias, juventudes, trabalhadores da cultura e empreendedores das comunidades populares.

Conhecido pelo carisma e pela proximidade com o público, o artista afirma que pretende transformar sua visibilidade em uma ferramenta de defesa das demandas sociais, culturais e econômicas da população pernambucana. Sua pré-candidatura busca ampliar a representatividade de setores historicamente pouco presentes nos espaços de decisão política.

Além de ser um dos nomes mais conhecidos do brega funk, MC Leozinho é reconhecido por sua contribuição para o fortalecimento da cultura popular e pela valorização dos talentos das periferias. Agora, o cantor pretende levar essa experiência para o Congresso Nacional, defendendo pautas ligadas à cultura, juventude, geração de oportunidades, empreendedorismo e inclusão social.

A filiação ao PSDB marca oficialmente o início de sua caminhada rumo às eleições de 2026, quando buscará representar Pernambuco na Câmara Federal levando consigo a voz das comunidades que acompanharam sua trajetória artística ao longo de mais de duas décadas.

Arena Nº1 reúne torcedores no Recife para celebrar vitória do Brasil sobre a Escócia durante o São João

Evento no Parque Dona Lindu combinou transmissão da Copa do Mundo, shows musicais e clima junino, atraindo milhares de pessoas para acompanhar a classificação da Seleção Brasileira

Em uma noite que dividiu atenções entre a Copa do Mundo e as comemorações de São João, a Arena Nº1 voltou a reunir torcedores no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, nesta quarta-feira (24). Promovido pela Brahma, o evento recebeu milhares de pessoas para acompanhar a partida entre Brasil e Escócia em uma programação que combinou futebol, música e o clima festivo característico do período junino em Pernambuco.

A movimentação começou ainda durante a tarde, quando os primeiros torcedores chegaram ao espaço para garantir lugar diante dos telões instalados à beira-mar. A programação musical teve início com a banda Sambarrasta, que preparou o público para a transmissão da partida e colocou os presentes para cantar e dançar antes de a bola rolar.

Quando começou o jogo, famílias, grupos de amigos e torcedores vindos de diferentes bairros do Recife e cidades da Região Metropolitana acompanharam juntos cada lance da Seleção Brasileira. A vitória por 3 a 0 sobre a Escócia levou o público a comemorar diante dos telões, em uma atmosfera marcada por bandeiras, cantos de torcida e muita animação.

Mesmo em uma das datas mais importantes do calendário cultural nordestino, a Arena Nº1 atraiu torcedores que decidiram viver a emoção da Copa do Mundo sem abrir mão do clima de celebração que toma conta de Pernambuco nesta época do ano.

Foi o caso do casal Michele Navarro e Fernades Sá, que escolheu acompanhar a partida no Parque Dona Lindu. Vestidos com camisas xadrez e, por baixo, a camisa da Seleção Brasileira, eles representavam a combinação entre a tradição junina e a paixão pelo futebol. Michele explicou a escolha do figurino. “A gente tinha que aproveitar hoje e entrar no clima do dia de São João. Estamos amando tudo aqui, principalmente a estrutura e a organização”, disse.

Após o apito final, a festa continuou com o show de Ju Marques. A cantora levou ao palco sucessos que fizeram o público permanecer no evento até o encerramento da programação, prolongando a comemoração para além dos 90 minutos de jogo.

Além da transmissão dos jogos e das atrações musicais, o festival ofereceu estrutura com bares, praça de alimentação, áreas de convivência, ativações de marca, banheiros, equipe de segurança e acessibilidade.

A Arena Nº1 faz parte do movimento “Tá Liberado Acreditar”, criado por Brahma para a Copa do Mundo de 2026. A iniciativa convida os brasileiros a voltarem a acreditar na conquista do título mundial e transforma os dias de jogos da Seleção Brasileira em experiências coletivas espalhadas por diversas cidades do país.

Próximos jogos

O espaço retorna no dia 29 de junho para mais uma transmissão da Copa do Mundo. A programação contará com shows de Felipe Amorim e Lipe, além da exibição da próxima partida da Seleção Brasileira.

O acesso ao Setor Arena é gratuito, mediante retirada de ingresso pela Sympla e doação de 1 kg de alimento não perecível na entrada. O evento também conta com a Área Premium, que oferece acesso a bares e banheiros, além de vista privilegiada para o palco e para a transmissão dos jogos, com valor a partir de R$ 70.

SERVIÇO
Arena Nº1 Recife
Local: Parque Dona Lindu – Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem.
Ingressos: sympla.com.br

Caiado diz que Raquel não pode ser cobrada por apoio e defende neutralidade da governadora em Pernambuco

Pré-candidato à Presidência pelo PSD elogiou a gestão de Raquel Lyra e afirmou que terá palanque próprio no estado, mesmo sem pedido de voto da governadora

O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou estar tranquilo com o fato de a governadora Raquel Lyra (PSD) não pedir voto para ele em Pernambuco.

A gestora, que faz diversas sinalizações de unidade institucional com o presidente Lula, recebeu o “aval” do líder do partido, Gilberto Kassab, para declarar voto no petista, o que Raquel não fez até então, optando pela neutralidade. Em entrevista à CNB Recife, Caiado teceu elogios à chefe do Executivo estadual e disse que ela não pode ser cobrada.

“Com muita tranquilidade. Sabe porque? Porque você não pode cobrar da governadora, que mostra toda a sua capacidade ímpar de gestão. Me dou maravilhosamente bem com a governadora Raquel. competentemente você viu enfrentar o que é superar os primeiros anos de dificuldade, dar a volta por cima e agora se consolidar no processo deste ano e, sem dúvida nenhuma, um segundo mandato será consagrador”, afirmou.

Caiado explicou que nacionalmente muitos candidatos estão adotando a mesma estratégia, uma vez que há eleitores que votam em um nome de determinado partido para governador e outro para a presidente. 

“Neste momento você tem que entender que existe um processo de nacionalização que um governador não quer entrar nele, é mais do que normal. As pessoas, às vezes, que votam nela votam em outros presidentes. Neste momento, ela está cuidando de Pernambuco, a função dela neste momento é cuidar de Pernambuco. Meu palanque aqui eu terei, com deputados, com cadidato ao Senado, terei com prefeitos que é a densidade do PSD no estado” completou.

Apesar da fala de Caiado, o nome do PSD que tem despontado como favorito para o Senado é o do deputado federal Túlio Gadêlha, que representa a ala lulista na chapa de Raquel. A pré-candidatura dele, inclusive, foi costurada pelo Planalto. O Blog Cenário registrou, durante um evento do PSD com prefeitos em Brasília, Kassab afirmou que o parlamentar trabalha pelo presidente.

“Na minha cédula eu vou tirar o presidente Lula, respeitosamente, e vou por o Caiado. A Raquel vai ter o Túlio trabalhando por Lula e tantos de vocês aqui. Se o Lula tiver o apoio de vocês aqui, é porque merece o apoio de vocês. Eu vou pescar alguns para fazer a campanha para o Caiado”, disse em tom bem humorado.