Lula discute hoje com Pedro Sánchez acordo entre Mercosul e União Europeia

No dia seguinte após assumir a presidência temporária do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversa por telefone, nesta quarta-feira (5/7), com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Assim como o mandatário brasileiro no contexto sul-americano, a Espanha ocupa o cargo de liderança temporária no bloco europeu.

Conforme a agenda do brasileiro, a ligação telefônica está marcada para 15h, no horário de Brasília. Os dois líderes devem debater os próximos passos para concretizar o tratado de livre comércio entre os blocos, travado há mais de duas décadas, e dar continuidade ao diálogo aberto durante a visita do brasileiro a Madri, no final de abril.

Lula assume presidência do Mercosul com desafio de destravar negociação com a União Europeia

Presidente precisa construir posição unificada entre os países e manter relevância do bloco em acordos internacionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume a presidência rotativa do Mercosul a partir desta terça-feira (4), com o desafio de tentar destravar o acordo entre o bloco e a União Europeia.

No comando da organização, o presidente brasileiro terá que tentar construir uma posição unificada no continente, diante das novas exigências dos europeus. Outro obstáculo é o processo de aproximação da China junto à Argentina e ao Uruguai.

Presidido por Luis Lacalle Pou, líder da direita no país, o Uruguai cogita construir um acordo bilateral com os chineses separadamente. Mas o governo brasileiro argumenta que qualquer negociação desse tipo precisa primeiro da concordância dos demais sócios do Mercosul.

A 62ª cúpula de presidentes do Mercosul começa oficialmente nesta segunda-feira, quando acontecerá uma reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), que reúne os ministros das Relações Exteriores e da Fazenda de cada país. Os chefes de Estado só devem entrar em cena na terça-feira, quando a Argentina passará o comando temporário para o Brasil pelos próximos seis meses. A reunião será realizada em Puerto Iguazú, cidade argentina localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

De acordo com secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, o Brasil está “muito próximo” de fazer uma proposta ao Mercosul sobre qual deve ser a resposta do bloco à União Europeia. Isso porque, no último mês de maio, os países da UE apresentaram um documento adicional que contém novas exigências, como, um maior rigor no combate à derrubada de florestas.

Do lado brasileiro, a principal preocupação diz respeito às compras governamentais. O motivo é que o texto do acordo, construído até 2019, prevê a abertura de licitações para empresas estrangeiras em condição de igualdade com as locais. Além disso, causa preocupação no Itamaraty o fato de a União Europeia sugerir que o acordo traga também a possibilidade de sanções ao Mercosul, caso os países sul-americanos não cumpram com exigências ambientais.

— Tem umas preocupações específicas sobre o conjunto de textos herdados de 2019 [quando o acordo quase foi concluído] mais o documento adicional no que se refere às compras governamentais — explicou o embaixador. — Numa relação de países de confiança não cabe abordagem por meio de sanções comerciais. Então este é outro tema que temos que discutir.

Um dos aspectos que podem pesar contra o esforço da diplomacia brasileira para que essas questões sejam solucionadas já nesta semana é o fato de que dois dos quatro países do bloco estão passando por processos eleitorais. A Argentina terá novo presidente em outubro e o atual chefe de Estado do país, Alberto Fernández, sequer irá concorrer à reeleição. Já o Paraguai elegeu, recentemente, o economista Santiago Peña, mas este assumirá o cargo apenas em agosto. Portanto, não participará das negociações em relação à resposta do Mercosul neste momento.

Na prática, isso colocará foco justamente sobre os presidentes Lula e Lacalle Pou, que têm adotado posições divergentes no bloco. O Valor apurou que a chancelaria brasileira pretende insistir no argumento de que, caso o Uruguai continue reivindicando a possibilidade de negociar diretamente com a China, estará optando também por abdicar de privilégios comerciais aduaneiros da região, como é o caso da Tarifa Externa Comum (TEC).

O Itamaraty diz que o Mercosul tem a seu favor os números do comércio na região. Após uma queda substantiva nas relações comerciais entre os países-membros por conta da pandemia, o volume de negócios voltou a crescer no bloco em 2021 (US$ 35 bilhões) e 2022 (US$ 40 bilhões). Além disso, o Mercosul tem negociações “avançadas”, segundo o secretário Mauricio Carvalho Lyrio, com a “Efta”, como é conhecida a área de livre comércio formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

Outro assunto que tem colocado Brasil e Uruguai em lados opostos é a questão venezuelana. Lula defende o retorno da Venezuela ao bloco, mas, recentemente, Lacalle Pou criticou duramente o brasileiro por amenizar as denúncias de violação de direitos humanos no país de Nicolás Maduro. Neste contexto, o governo brasileiro deve ignorar o assunto na cúpula.

— O Brasil pretende levar [este tema para a reunião do Mercosul]? Não. É do interesse do Brasil ter a Venezuela [no bloco]? Sim, mas precisa discutir as condições — disse a embaixadora Gisela Padovan, secretária para América Latina e Caribe do Itamaraty. — A razão da suspensão [da Venezuela] foi o não cumprimento do calendário de ações de qualquer país que queira ingressar [no Mercosul] e evidentemente a questão democrática é importante.

Primeiro ato de Lula garante Bolsa Família, desoneração sobre combustíveis e revoga decretos

Presidente eleito assinou decretos e medidas provisórias ainda na noite deste domingo (1º)

O dia primeiro de janeiro não foi marcado apenas pela posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu primeiro ato como presidente da República, ele assinou uma série de medidas provisórias (MPs) e decretos.

Entre as principais ações realizadas, está a medida que garante o pagamento de R$ 600 às famílias que recebem o Auxílio Brasil – que voltará a se chamar Bolsa Família -; a prorrogação por 60 dias da isenção de tributos federais dos combustíveis; e a reavaliação pela Controladoria Geral da União (CGU), em até 30 dias, de sigilos indevidos.

Os atos realizados pelo presidente eleito cumprem os compromissos assumidos por ele durante todo o período eleitoral, inclusive a busca por derrubar os sigilos impostos em documentos públicos criados no governo de Jair Bolsonaro.

As medidas provisórias são instrumentos que têm força de lei assim que são publicadas no Diário Oficial da União. Apesar disso, elas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional para que assim se tornem legislações definitivas.

Combate ao armamento
Além das principais MPs, o atual presidente assinou, ainda, outra medida que tem o objetivo de organizar a Presidência da República e os ministérios, e também decretos, entre eles, o que reestrutura a política de controle de armas no país, com o objetivo de ampliar a segurança da população brasileira.

O decreto reduz o acesso às armas e munições e suspende o registro de novas armas de uso restrito de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs) e suspende as autorizações de novos clubes de tiro até a edição de nova regulamentação.

Entre as restrições estabelecidas pelo decreto assinado pelo presidente Lula, estão a proibição do transporte de arma municiada, a prática de tiro desportivo por menores de 18 anos e a redução de seis para três na quantidade de armas para o cidadão comum, entre outras.

Pela assinatura do decreto, o presidente instalou a criação de um grupo de trabalho que terá 60 dias para apresentação de uma proposta de nova regulamentação do Estatuto do Desarmamento.

Compromisso ambiental
O meio ambiente também recebeu atenção no primeiro dia do governo Lula. O presidente eleito assinou um decreto que reestabelece o combate ao desmatamento na Amazônia, no Cerrado e em todos os biomas brasileiros. A ação concede ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mais autonomia para atuação.

O despacho presidencial estabelece que o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima que apresente, em 45 dias, uma proposta de nova regulamentação para o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Um outro decreto assinado reestabelece o Fundo Amazônia e viabiliza a utilização de R$ 3,3 bilhões em doações internacionais para combater o crime ambiental na Amazônia.

Ainda por meio de decreto, Lula revogou a medida do governo de Jair Bolsonaro que incentivava o garimpo ilegal na Amazônia, em terras indígenas e em áreas de proteção ambiental.

Outras assinaturas
O presidente eleito assinou ainda outros decretos neste domingo. Entre eles, um despacho que determina aos ministros o encaminhamento de propostas que retirem do processo de privatização empresas como Petrobras, Correios e EBC; um outro que determina à Secretaria-Geral a elaboração de proposta de recriação do programa Pró-catadores; e o decreto que estabelece ao Ministério do Meio Ambiente a proposta de nova regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Lula é empossado pela terceira vez presidente do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva foi empossado, neste domingo (1º), presidente do Brasil pela terceira vez, dois meses depois de vencer Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais.

Lula, de 77 anos, que pronunciou seu “compromisso constitucional” no Congresso Nacional, em Brasília, terá o desafio de unir uma sociedade profundamente polarizada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco do “Festival do Futuro”, no fim da noite desse domingo (1º), após participar de um jantar no Itamaraty. Ao lado da primeira-dama, Janja, ele iniciou seu discurso agradecendo: “Obrigado por vocês existirem”.

O festival foi uma série de shows organizados pela primeira-dama para o dia da posse, e contou com a presença de vários artistas, que deram voz a gritos de protestos em favor da democracia, como Maria Rita, Pabllo Vittar, Martinho da Vila e Valesca Popozuda.

Aplausos
Acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama, Lula chegou ao Festival do Futuro às 23h. Antes de o presidente falar, ouviu um discurso de dez minutos do poeta popular Antônio Marinho, de São José do Egito (PE), que relatou as dificuldades e as superações do povo nordestino.

A participação no festival encerrou, de maneira informal, a maratona de desfiles, discursos, assinaturas e recepções, no mais próximo contato dele com o povo que lotou a Esplanada para a posse e permaneceu no local para o evento musical.

— Eu queria, em nome do Geraldo Alckmin, da Lu, da Janja e de todas as pessoas que trabalharam para que esse evento pudesse ser realizado (…), obrigado por vocês existirem. Obrigado por vocês fazerem o que fizeram. Eu digo todo santo dia: tenho certeza que tem o dedo de Deus na minha cabeça, porque não é possível passar pelo que eu passei, sofrer o que sofri, e por causa de vocês estou aqui outra vez subindo a rampa do Palácio do Planalto — disse o presidente.

Por diversas vezes, o público interrompeu as falas para aplaudir o presidente e cantar o coro “Olê, olê, olá, Lula”, que caracteriza as campanhas eleitorais do presidente desde o fim dos anos 1980.

Assunto presente em seus dois discursos anteriores no dia da posse, Lula voltou a defender que mulheres ganhem salários de igual patamar com homens que ocupam o mesmo cargo, ou desempenhem a mesma função.

— Agradeço sobretudo às queridas companheiras mulheres; se preparem porque uma de nossas conquistas será garantir que a mulher terá o direito de ganhar o mesmo salário quando exercer o mesmo trabalho que um homem. Que a mulher tem que fazer política, decidir o destino deste país, e que a mulher tem que estar onde ela quiser, fazendo o que ela quiser — disse o petista.

— Para agradecer a vocês, às mulheres, eu vou dar um beijo na Janja! Só não pode ser muito, porque o presidente e a primeira-dama não podem beijar muito em público — brincou Lula.

Em seguida, o petista ainda incentivou seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), a beijar a mulher, Lu Alckmin.

— Ô Geraldo, quer dar um beijo na Lu, Geraldo? — completou, aos risos.

— Esse meu boy é demais! — encerrou Janja.

Janja falou um pouco antes de deixar o palco. “Aproveitem a festa. A alegria tomou posse e não vai sair daqui mais”, declarou. No fim, ainda brincou: “Esse meu boy [o presidente Lula] é demais”.

Após Lula, Janja e Alckmin saírem, houve uma pane elétrica que interrompeu o fornecimento de energia para o palco, por volta das 23h20. Às 23h50, os shows recomeçaram.

Manifestações populares
O dia de shows nos palcos Elza Soares e Gal Costa começou com um cortejo de manifestações populares e com um show intitulado “Brasília de Todos os Ritmos”, que reuniu artistas da cidade. A diversidade de artistas e estilos musicais encontrou “convergência” na promoção dos encontros. Nenhum artista subiu sozinho ao palco.

Margareth Menezes cantou com o grupo Baianasystem. E Gaby Amarantos convidou Aíla, Kâe Guajajara e Jaloo para participarem do seu show.

O primeiro show a ser transmitido ao vivo foi o do pastor evangélico Kleber Lucas, com a participação de Clóvis Pinho, Leonardo Gonçalves, Mn Mc e Sarah Renata. Eles cantaram louvores religiosos. A apresentação começou com uma declaração da cantora Sarah Renata.

— O próprio Jesus nos deu uma dica de como identificar quem são os verdadeiros seguidores de Cristo. A Bíblia diz assim: ‘Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros’ [João 13:35]. Então, a ‘régua’ de Cristo é o amor, não o moralismo. Se você vir por aí, ainda que seja em nome de Deus e da família tradicional brasileira, exclusão, racismo e violência, essa não é a ‘régua’ de Cristo. Ela é o amor. — disse a cantora, antes de começar a cantar o louvor gospel “Renova-me”, da bolsonarista Aline Barros.

Antes da parada para a cerimônia oficial da posse de Lula, a cantora, compositora e ativista indígena Kaê Guajajara subiu ao palco para dar voz às causas dos povos indígenas do Brasil. Moradora do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, Kaê entoou rap com letra que fazia referência

— Estou aqui hoje, depois de muita resistência a toda colonização que os povos originários vêm enfrentando, nas favelas e nas cidades. Pandemia atrás de pandemia, nós estamos resistindo mesmo com as aldeias dentro das cidades. Somos resistência assim como a aldeia Maracanã é, no Rio de Janeiro — afirmou Kaê.

À noite, em show intitulado “Outra Vez Cantar”, o festival reuniu Alessandra Leão, Chico César e Geraldo Azevedo, Fernanda Takai, Francisco El Hombre e Luê, Flor Gil, Johnny Hooker, Lirinha, Marcelo Jeneci, Odair José, Otto, Paulo Miklos, Tulipa Ruiz e Thalma De Freitas.

Depois, em “Amanhã Vai Ser Outro Dia”, reuniu Aline Calixto, Fernanda Abreu, Jards Macalé, Maria Rita, Martinho Da Vila, Paula Lima, Leoni, Renegado, Rogeria Holtz, Teresa Cristina, Romero Ferro, Zélia Duncan e Delacruz.

Em última live como presidente, Bolsonaro chora, condena atos terroristas e fala sobre governo Lula

Presidente afirmou que ‘nada justifica’ tentativa de explosão de bomba nos arredores de aeroporto em Brasília

A dois dias de deixar o poder, o presidente Jair Bolsonaro fez nesta sexta-feira um pronunciamento de quase uma hora nas redes sociais. Ao longo da transmissão, ele se defendeu de críticas, chorou, falou pela primeira vez do governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e condenou atos terroristas em Brasília. Apoiadores de Bolsonaro foram alvos de uma operação da Polícia Federal após incendiarem veículos e tentarem explodir uma bomba nos arredores do aeroporto de Brasília.

— Nada justifica, aqui em Brasília, essa tentativa de um ato terrorista, aqui na região do aeroporto de Brasília. Nada justifica. Um elemento, que foi pego, graças a Deus, com ideias que não coadunam com qualquer cidadão — disse Bolsonaro.

Após sofrer a sua primeira derrota nas urnas, Bolsonaro ficou a maior parte do tempo recluso no Palácio do Alvorada e evitou fazer declarações públicas. Dois dias depois da eleição, o presidente fez um breve pronunciamento no Palácio da Alvorada, agradecendo os votos e comentando protestos de apoiadores, mas sem mencionar a derrota. No dia seguinte, divulgou um vídeo em redes sociais solicitando que manifestantes liberassem rodovias.

Depois disso, ficou 37 dias sem fazer declarações, até que realizou um discurso para apoiadores no Alvorada, no dia 9. Desde então, permaneceu em silêncio até a transmissão desta sexta; 0

O presidente afirmou que “foi difícil ficar dois meses calado”. Nos últimos dias, o mandatário foi pressionado por aliados a fazer um pronunciamento público aos seus apoiadores antes de deixar o cargo e se posicionar como o principal líder da oposição.

Para não passar a faixa presidencial a Lula, Bolsonaro deverá viajar nesta sexta-feira para os Estados Unidos, onde deverá ficar ao menos um mês. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) já está à disposição do presidente em Brasília.

Lula deve confirmar PSD na Agricultura e Marina no Meio Ambiente, em meio a indefinição sobre Tebet

Presidente eleito retorna para Brasília para fechar últimos ministros, e senadora do MDB segue cotada para duas pastas. Montagem envolve acenos a partidos de centro.

Depois de passar o Natal em São Paulo, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva retorna nesta segunda-feira (26) a Brasília para fechar os últimos nomes do seu futuro Ministério. A expectativa é que o anúncio do time que formará o primeiro escalão ocorra até quinta-feira.

O petista deve sacramentar a escolha da deputada federal eleita Marina Silva (Rede) para a pasta da Meio Ambiente, além de definir o futuro da senadora Simone Tebet (MDB-MS), cotada para as pastas das Cidades e do Planejamento.

Lula também deve confirmar o nome do senador Carlos Fávaro (PSD-MT) para o Ministério da Agricultura. Uma outra cadeira estratégica tende a ser definida nas próximas horas, com o anúncio de outro senador, Jean Paul Prates (PT-RN), para a presidência da Petrobras.

Além de formalizar escolhas para postos que já estão pacificados, o presidente eleito vai retomar as conversas com os representantes dos partidos de centro. A adesão dessas legendas é considerada por Lula fundamental para que ele tenha governabilidade no Congresso. Nesse cenário, ele tenta atrair União Brasil, MDB e PSD. Até agora, Lula já anunciou 21 dos 37 ministros que o futuro governo terá.

As negociações com o União Brasil estão avançadas. O petista já ofereceu o Ministério da Integração Nacional ao partido, que deverá entregá-lo ao deputado Elmar Nascimento (União-BA), que foi relator da PEC da Transição. A proposta garantiu espaço no orçamento de 2023 para que Lula possa cumprir promessas de campanha, como a manutenção do Bolsa Família de R$ 600. A costura, entretanto, passa por contemplar não apenas os caciques do União. Além de ocupar o posto de líder do partido na Câmara, Elmar é aliado de primeira hora do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), com quem Lula tenta pavimentar uma relação harmônica.

A cúpula do União pleiteia, porém, mais de uma cadeira de destaque na Esplanada. Quer um outro ministério para abrigar um representante da legenda no Senado. Para esse posto, o favorito é o ex-presidente da Casa Davi Alcolumbre (AP), atual líder da bancada.

As conversas com o MDB também têm frentes distintas. O partido pretende emplacar o senador eleito e ex-governador de Alagoas Renan Filho (MDB) no Ministério dos Transportes. Ele é filho do ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB-AL), que está em seu quarto mandato na Casa. A sigla também negocia a indicação para o Ministério das Cidades. A pasta desperta o interesse de Simone Tebet. A cúpula do MDB tenta acertar com Lula que Tebet ingresse no governo como cota pessoal do petista. Dessa forma, a legenda poderia apresentar outro nome para Cidades, que seria entregue a um emedebista da Câmara.

Na última sexta-feira, Lula voltou as atenções para resolver os casos de Simone Tebet e Marina Silva, dois personagens que ele pretende levar para o governo. Ambas eram cotadas para o Ministério do Meio Ambiente. Lula tentou acomodar Marina na Autoridade Climática, órgão que será criado, mas ela recusou a possibilidade de assumi-lo.

Como mostrou O GLOBO, o presidente eleito embarcou para São Paulo na companhia de Tebet. Diante da recusa de Marina, ele tentou convencer a senadora a ficar com o Ministério do Planejamento, o que não a agrada. Ela gostaria de ocupar uma cadeira que lhe garantisse a possibilidade de implementar políticas públicas de maior visibilidade. Sua preferência era assumir o Ministério de Desenvolvimento Social, para o qual foi escolhido o senador eleito Wellington Dias (PI-PT).

Segundo interlocutores do presidente eleito, além de fechar a equipe do primeiro escalão, Lula se dedicará a definir quais os seus primeiros atos após tomar a posse. Na semana passada, o relatório do grupo de transição fez uma série de sugestões para que a nova gestão reveja atos sobre acesso às armas, assim como medidas voltadas a setores como meio ambiente, educação, igualdade racial e privatização. O petista também deve desenhar a agenda de encontros com chefes de Estado que virão a Brasília para acompanhar a posse.

Racha no MDB pode levar Simone Tebet, que se reúne hoje com Lula, ao Ministério das Cidades

Presidente eleito já sinalizou, no entanto, que vai oferecer pastas do Meio Ambiente e Planejamento à senadora

Além da senadora Simone Tebet (MS), o MDB terá mais dois ministérios no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Transportes, com o ex-governador e senador eleito Renan Filho (AL), e Cidades. O pleito é uma demanda antiga da legenda, que brigava para assumir duas vagas, além da que será dada à parlamentar. Alas do partido defendem que ela seja contabilizada como da cota pessoal de Lula.

O martelo foi batido em reunião de lideranças do MDB com o presidente eleito ontem, disseram integrantes da legenda ao Globo. Mas uma disputa interna na bancada do partido na Câmara, a quem coube a indicação para a pasta das Cidades, pode acabar sendo resolvida com a indicação de Tebet para o Ministério das Cidades, e não para o do Meio Ambiente, como prefere o PT.

Embora tenha despontado como favorito, o deputado federal José Priante (PA) sofre a resistência do clã Barbalho. O governador reeleito Helder Barbalho (PA), se reunirá nesta sexta-feira (23) com o líder do partido na Câmara, deputado Isnaldo Bulhões Jr (AL), para tentar chegar a um consenso. Caso a conversa não prospere, quem será indicada, garantiram fontes ao Globo, será Tebet.

Na reunião com a cúpula emedebista, Lula garantiu que Tebet será sua ministra. Mas afirmou que vai oferecer à senadora os ministérios do Meio Ambiente ou do Planejamento. Tebet já indicou a aliados que, entre as duas pastas, prefere a do Meio Ambiente, mas a condição é a de que a deputada eleita Marina Silva (Rede-SP) ocupe a nova função de comandante da autoridade climática, com status de ministra. A pasta da Cidade não estava no xadrez. Tebet e Lula se encontram hoje para decidir qual pasta a senadora ocupará.

Tebet resistia a aceitar o Meio Ambiente justamente por conta de sua proximidade com Marina, que se deu no segundo turno das eleições. Mas acabou cedendo à ideia após pressão do PT e de empresários que apoiaram a terceira via. Na reunião da última quinta-feira, o presidente eleito também sinalizou, ao contrário do que defende o presidente do partido, deputado federal reeleito Baleia Rossi, (SP), que a indicação de Tebet entrará em sua cota pessoal, inclusive para não ser cobrado por outros partidos pelos três ministérios dados ao MDB.

Capacidade de entrega
Segundo emedebistas ouvidos pelo GLOBO, a escolha de Renan Filho, filho de Renan Calheiros, para Transportes teve como pano de fundo o bom desempenho de Alagoas no setor. O estado, que foi governado pelo senador eleito em duas ocasiões, já foi classificado pela Confederação Nacional de Transporte (CNT) como o líder no ranking das melhores rodovias públicas do país.

Além disso, integrantes do MDB entendem que a pasta poderá trazer projeção ao senador. Lembram que Transportes fica hoje no guarda-chuva do Ministério da Infraestrutura, que foi comandado pelo governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Renan Filho chegou a ser sondado pelo PT para ocupar o Ministério do Planejamento, a pedido do futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A ideia, porém, não agradou à bancada emedebista do Senado, que desejava uma pasta com “ação política”, requisito que Transportes atende. Emedebistas sempre tiveram foco em assumir pastas com orçamentos robustos e que tenham o que chamam “capacidade de entrega”, como Cidades.

Diplomação, PEC na Câmara e novos ministros: veja como será a semana de Lula

Titulares de pastas como Educação, Saúde e Planejamento devem ser escolhidos; 300 convidados vão à cerimônia no TSE 

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, terá uma semana decisiva para o seu futuro governo a partir desta segunda (12). Além da diplomação — cerimônia que marca o fim do processo eleitoral — o petista conta com a aprovação da “PEC da Transição” na Câmara para destravar o Orçamento de 2023 e deverá divulgar uma nova leva de indicações de ministros para dar uma cara ao primeiro escalão da sua gestão.

Cerca de 300 convidados de Lula estarão no TSE quando Lula será diplomado presidente eleito, juntamente com seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). O ato será presidido pelo ministro Alexandre de Moraes. Essa é a última etapa legal antes da posse do presidente, dia 1º de janeiro. Na diplomação, há o simbolismo da entrega de um documento à pessoa eleita pela maioria dos brasileiros durante as eleições.

Há 20 anos, ao ser diplomado pela primeira vez, o petista se emocionou.

— E eu, que, durante tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho como meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu país — disse Lula em 2002.

O plano do presidente eleito era só fazer anúncio de ministros depois de ser diplomado. Porém, na sexta-feira, o petista resolveu se antecipar e anunciou os escolhidos para cinco postos. Lula alegou que os nomes já estavam definidos e que era importante algumas áreas já terem interlocutores oficiais. Foram nomeados Fernando Haddad para a Fazenda, Rui Costa para a Casa Civil, Flávio Dino para a Justiça, Mauro Vieira para as Relações Exteriores e José Múcio para a Defesa.

Na próxima semana, serão priorizados os titulares de pastas de grande orçamento responsáveis por políticas públicas que impactam diretamente a vida da população. São dadas como certas as nomeações dos ministros da Educação, Saúde, Relações Institucionais e Planejamento. Lula tem a intenção de definir, até sexta-feira, mais da metade de seu primeiro escalão.

Antes de fazer os novos anúncios, Lula quer ver a “PEC da Transição” ser aprovada na Câmara. O texto, que passou no Senado na semana passada, abre espaço para um gasto de R$ 168 bilhões e terá validade de dois anos. O dinheiro vai ser destinado para pagar o Bolsa Família no valor de R$ 600 e mais um extra de R$ 150 para cada criança de até seis anos, aumento real do salário mínimo e a reposição do orçamento de programas de saúde e educação, além de investimentos.

Segurança reforçada
Lula deve deixar Brasília para participar do Natal dos catadores em São Paulo, na quinta-feira, evento que comparece desde o seu primeiro mandato. Nesta semana também está previsto um evento de encerramento do trabalho dos grupos técnicos de transição, que elaboraram relatórios sobre a situação do país em cada área. O texto final feito pela equipe de transição deve ser apresentado no dia 22.

Fora do TSE, a diplomação será marcada por um forte esquema de segurança. Muitos acreditam que a cerimônia ganhou mais peso — e risco — depois que trumpistas invadiram o Capitólio no dia da diplomação de Joe Biden, em 2021. A segurança do TSE será feita internamente pela Polícia Federal (PF), responsável pela proteção do presidente eleito desde a campanha, e pela Polícia Militar do Distrito Federal, que cuidará da área externa no tribunal.

— Haverá o controle de acesso e o isolamento da área. Fora isso, não há necessidade de snipers ou equipamento antidrone, porque as autoridades virão em carros blindados e logo adentrarão o prédio — disse Júlio Danilo, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, ao GLOBO.

A presença de manifestantes bolsonaristas, que nas redes sociais prometem impedir a diplomação de Lula, será repelida pela PM do DF. Agentes à paisana irão monitorar a parte externa do prédio. Além disso, a secretaria monitora o ato antidemocrático instalado na frente do Quartel-General do Exército, de onde os manifestantes planejam partir para o TSE.

– Vamos estar preparados para qualquer tentativa (de impedir a diplomação). Se os manifestantes aparecerem, não vão conseguir acessar o tribunal — disse o secretário.

Lula deve anunciar, nesta sexta-feira (9), pelo menos cinco ministros do governo dele

Petista havia dito que só confirmaria nomes de indicados à Esplanada dos Ministérios depois da diplomação, marcada para segunda-feira (12)

Pelo menos cinco ministros que vão integrar o governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem ser anunciados na manhã desta sexta-feira (9). De acordo com integrantes da equipe de transição e interlocutores do petista, as pastas que vão ter os nomes dos seus titulares divulgados são a Fazenda, Casa Civil, Justiça e Segurança Pública, Defesa e Relações Exteriores.

O governo eleito vem afirmando que o desenho da Esplanada dos Ministérios será semelhante ao do segundo mandato de Lula (2007-2010). O anúncio deve ocorrer no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede da transição de governo, pouco antes do jogo entre Brasil e Croácia, marcado para o meio-dia, pelas quartas de final da Copa do Mundo.

Lula havia adiantado que já tinha “na cabeça” pelo 80% dos nomes que ocupariam os ministérios do governo dele, mas só revelaria depois de ser diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solenidade que está marcada para a próxima segunda-feira (12). A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffomann, no entanto, anunciou na quinta-feira (8) que Lula adiantaria à imprensa os primeiros nomes nesta sexta-feira.

De acordo com o blog da jornalista Julia Duailibi, no G1, o nome do ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) é dado como certo para o Ministério da Fazenda. Ainda segundo a mesma fonte, o atual governador da Bahia, Rui Costa (PT), que não disputou a reeleição neste ano porque já está no segundo mandato e também abriu mão de concorrer a outro cargo público, deve ser anunciado para comandar a Casa Civil.

Ainda segundo Julia, o Ministério da Justiça e Segurança Pública deve ser comandado pelo ex-governador do Maranhão e senador eleito Flávio Dino (PSB). Para a Defesa, o ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro, que foi ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, no segundo mandato de Lula, já é dado como certo.

O embaixador e ex-ministro Mauro Vieira, que já comandou o Itamaraty no governo Dilma Rousseff (PT) e atualmente é embaixador do Brasil na Croácia, é o favorito para o Ministério das Relações Exteriores. O nome de Vieira teria sido adiantado por Lula a aliados próximos.

Stênio Garcia é retirado à força de entrevista por esposa

O ator Stênio Garcia (90) foi retirado à força de uma entrevista por sua esposa, Marilene Saade. O episódio aconteceu durante o evento de lançamento de um escrito por Beth Goulart, quando Stênio dava uma entrevista para o jornalista Marcos Bulques.

“Não pode pegar coronavírus, você não pegou até agora”, diz Marilene, que tentou colocar uma máscara no rosto do marido e o retirou do local. Na hora, Garcia gritou: “Socorro!”.

Na noite de ontem (13), Marilene utilizou o Instagram para se pronunciar sobre o ocorrido e afirmou preocupação ao ver Stênio dando entrevista sem o uso de máscara: “Estou sob pressão, querem o quê? Que eu me mate? Ok, posso não ter sido educada. Mas eu não fui educada para proteger a pessoa que é meu companheiro há 24 anos”, disparou.

“Minha mãe já faleceu, meu pai tem 94 anos. Sou eu e ele só. Eu não durmo desde o dia 24 de abril (…) Eu não estava maltratando, eu estava tentando colocar a mascara nele. Não vou deixar vocês me massacrarem. Muitos que nos conhecem falam que se o Stênio chegou bem aos 90 anos porque tem alguém cuidando de você. Quem ama cuida”, disse.