Após férias na Bahia, Lula participa de reuniões com a equipe de transição

Com informações da Agência OGlobo

Depois de dias de descanso na Bahia, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de reuniões com a equipe de transição de governo, nesta segunda-feira (7), a partir das 10h, em São Paulo (SP). O foco está na manutenção do auxílio de R$ 600, retomando o Bolsa Família. O valor não está assegurado no Orçamento de 2023, e o desafio é negociar os ajustes com o Congresso Nacional. Lula vai tomar posse em 1º de janeiro de 2023.

Esta semana, ele desembarcará em Brasília para uma intensa agenda com autoridades do Legislativo e do Judiciário. Lula chegará à capital federal ao lado do vice-presidente eleito e coordenador da transição, Geraldo Alckmin (PSB), e de ampla comitiva.

O petista tem reuniões previstas com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. Será a primeira agenda oficial com Lira, que até então se posicionou como aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A transição em Brasília começará com reuniões marcadas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), espaço em Brasília a cerca de 7 km do Palácio do Planalto.

O CCBB abriga exposições, shows e cinema durante o ano. Desde 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, o local é cedido para a equipe de transição de governo. Em 2018, foi lá que a equipe nomeada por Bolsonaro se reuniu com integrantes da gestão de Michel Temer (MDB). Lula também transferiu seu governo para lá em 2009, durante reforma do Palácio do Planalto.

Avaliação das contas

O chefe da transição é Alckmin. Assim como Lula, ele terá seu próprio gabinete instalado nas salas de reunião do CCBB. Também haverá um espaço de reuniões e algumas salas para as equipes técnicas.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, visitou o local na última sexta-feira, acompanhada do coordenador do programa de governo da campanha, Aloizio Mercadante, e de parlamentares do partido, e disse que serão necessários os dois andares do prédio, já que haverá pessoas trabalhando como voluntárias.

O governo eleito deve indicar 50 nomes para avaliar as contas e os programas do atual governo, além de debater a viabilidade de promessas de campanha. Esses nomes serão divididos em grupos temáticos. O ex-ministro da Educação Fernando Haddad, por exemplo, vai liderar reuniões com colaboradores na área. A ideia é reunir sugestões de diversos setores incluindo fundações, parlamentares, organizações do terceiro setor e entidades representativas da educação.

Nem todos os participantes vão compor a equipe de transição, mas fornecerão subsídios para o grupo da linha de frente. A sistematização das sugestões dos colaboradores ficará sob responsabilidade de Henrique Paim, ex-ministro da Educação durante o governo Dilma Rousseff e braço direito de Fernando Haddad. Não há definição, no entanto, de que Paim será o coordenador da transição nesta área.

Área de educação

Entre os que foram chamados para a equipe da área de educação estão quadros do PT, como a senadora eleita Teresa Leitão, a deputada federal Rosa Neide e Heleno Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Também há representantes ligados a fundações como Neca Setubal, pessoa de confiança da ex-ministra Marina Silva (Rede); e a organizações do terceiro setor, como Daniel Cara, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Embora esteja à frente das discussões, Haddad tem deixado claro a interlocutores quer não quer assumir a área novamente. A pasta é uma das mais caras ao PT e uma das vitrines dos governos de Lula e Dilma.

Equipe de Lula começa corrida para liberar recursos para cumprir plano de governo em 2023

Coordenador da transição, Alckmin definiu a metade do próximo mês como prazo máximo para aprovar a PEC da Transição 

A equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou na quinta-feira (3) em Brasília uma corrida contra o tempo para iniciar o governo com possibilidade de cumprir as principais promessas.

O coordenador da transição, o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, definiu a metade do próximo mês como prazo máximo para aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Transição, que liberará espaço no Orçamento de 2023 e permitirá despesas fora do teto de gastos (regra que limita o crescimento dos dispêndios públicos).

Ao GLOBO, ele confirmou que a proposta terá um valor definido, para evitar aumento de gastos sem limites e indicar um caminho de responsabilidade fiscal.

— Ainda não (temos os números da PEC). Mas tem que ter número (limite). É obrigatório — afirmou o vice-presidente eleito.

Bolsa Família de R$ 600
A PEC da Transição terá de garantir recursos para aumento real do salário mínimo (de 1,3% a 1,4%), manutenção do auxílio em R$ 600 — sem isso, o valor cairia para uma média de R$ 405 mensais —, verba para programas sociais e investimentos.

Segundo contas internas da equipe de Lula, divulgadas na quinta pelo GLOBO, o valor estimado para todos esses gastos deve ficar em torno de R$ 200 bilhões. Na quinta, agentes do mercado se preocuparam com o risco de a PEC ser aprovada sem limite de ampliação de despesas ou com um valor muito elevado, que desequilibrasse as contas públicas.

— Há necessidade de, até 15 de dezembro, termos a autorização. É uma preocupação de não ter paralisação de serviços e obras. Há necessidade de ter uma suplementação para manter serviços e obras e o Bolsa Família de R$ 600 — disse mais cedo Alckmin, acrescentando que haverá uma reunião na segunda-feira com o presidente eleito Lula para definir os números.

A decisão de apresentar uma PEC foi tomada em reunião entre Alckmin, o senador eleito Wellington Dias (PT-PI), a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o ex-ministro Aloísio Mercadante e o relator do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI).

Coube a Castro anunciar a proposta, que visa fundamentalmente manter o programa de transferência de renda no atual patamar. O relator do Orçamento, que estima o montante necessário em ao menos R$ 100 bilhões, deixou de lado o nome do programa adotado no governo de Jair Bolsonaro (Auxílio Brasil) e se referiu a ele como Bolsa Família, como era chamado nos governos petistas.

— Vamos levar a ideia de uma PEC em caráter emergencial de transição excepcionando do teto despesas inadiáveis — disse Castro, referindo-se à necessidade de complemento para programas sociais.

O relator apontou uma série de problemas na proposta de Orçamento enviada pelo governo Bolsonaro:

— Não tem recurso para o Bolsa Família, para Farmácia Popular, para a saúde indígena, para merenda escolar, são muitas as deficiências do Orçamento. Mas temos que trabalhar dentro da realidade. O Orçamento com que estamos trabalhando foi apresentado legitimamente pelo atual governo e legitimamente o governo eleito está fazendo gestões para emendá-lo para que possa se adequar.

Segundo deputados do PT, a proposta de PEC será apresentada segunda-feira ao presidente eleito. Na terça, ela será apresentada ao Congresso. Para aprovar uma PEC é necessário o apoio de 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.

A PEC é o instrumento necessário em razão da necessidade de assegurar despesas fora do teto de gastos. Ela é de emergência e vai tratar apenas de uma licença para gastar no ano que vem, sem se debruçar sobre mudanças na regra fiscal. Só em 2023, o PT vai apresentar proposta para alterar o teto definitivamente.

— São dois movimentos: primeiro, a PEC é imprescindível para abrir espaço orçamentário no teto — disse Mercadante, que considera essencial a aprovação da PEC com rapidez. — O auxílio ou Bolsa Família tem que ser aprovado este mês, porque a folha de pagamento de janeiro roda em dezembro. Se não, você deixa 21 milhões de pessoas sem renda.

Farmácia Popular
Dias disse que há uma série de despesas que serão incluídas na PEC. Entre elas, está a recomposição de gastos para obras, saúde e educação. São programas como creches, merenda escolar, Farmácia Popular, vacinas e moradia. Ainda estão sendo feitos ajustes nas contas, mas o PT não quer deixar uma PEC sem limite para não comprometer a credibilidade.

— Vamos tecnicamente definir cada ponto crítico para ter a definição dos valores — disse Dias.

Neste momento, o governo eleito ainda não discutiu a correção da tabela do Imposto de Renda. Inclusive porque não é necessário furar o teto de gastos para esse fim.

Só a manutenção do Bolsa Família em R$ 600 e o bônus de R$ 150 para famílias com filhos com menos de 6 anos custará R$ 70 bilhões a mais.

O líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL), afirmou que só vai avaliar a PEC quando tiver acesso ao texto. O senador disse que a abertura de diálogo deve partir dos aliados de Lula:

— O gesto é deles. Quem tem que conversar conosco são eles. Ainda estamos no governo Bolsonaro.

AUXÍLIO BRASIL: Lula vai diminuir auxílio? Valor BILIONÁRIO precisa ser liberado para manter

Lula vai conseguir manter Auxílio Brasil em 600 reais? Legislação prevê diminuição do Auxílio depois de dezembro. Veja o que precisará ser feito para manter promessa de campanha de Lula

Nesta quinta-feira (03) é iniciado oficialmente o período de transição do governo de Jair Bolsonaro (PL) para o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse momento, a equipe liderada pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), iniciará as negociações para adaptar o orçamento de 2023 às propostas feitas por Lula.

LULA tenta manter AUXÍLIO BRASIL em 600 reais, mas orçamento precisará ser modificado para isso

RICARDO STUCKERT
Lula ganhou de Bolsonaro, presidente eleito se comprometeu a manter auxílio brasil em 600 reais e dar valor extra de 150 reais por criança de até 6 anos – RICARDO STUCKERT

Um dos principais focos do presidente eleito, é manter o Auxílio Brasil em R$600, valor que só está disponível em lei até dezembro. Se não houver modificação, o valor voltará para os 400 reais.
Além desse quesito, Lula prometeu garantir um valor extra de R$150 por criança de até 6 anos. O gasto com apenas essas duas propostas de Lula seria de R$ 70 bilhões.

Todas essas propostas do petistas não possuem espaço no orçamento desenvolvido pelo Governo Bolsonaro, que foi afetado pelos gastos ao longo de 2022, como a PEC dos Benefícios. As medidas tidas como emergenciais deixaram a estimativa de custo apertado. Diversos grupos apontam que o orçamento como está retira a governabilidade e corta drasticamente os benefícios dados este ano.

Uma das formas para garantir recursos a mais em 2023 seria o desenvolvimento de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que permita realizar despesas fora do teto de gastos. Tal medida já foi realizada pelo governo Bolsonaro em 2021 e 2022.

Economistas e políticos do PT consideram que o orçamento de 2023 proposto por Bolsonaro não permite movimentação do próximo governo e não é realizável.

 

Após eleição de Lula, autoridades fazem apelo à pacificação do Brasil

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), falou à imprensa logo depois do anúncio do resultado do segundo turno e declarou que Luiz Inácio Lula da Silva precisará trabalhar pela reunificação do Brasil. Ele se colocou à disposição para contribuir na apreciação de projetos do atual governo (Jair Bolsonaro) pelos próximos dois meses, assim como para ajudar na transição de poder. “Houve uma clara divisão da sociedade, por votações quase simétricas, muito próximas umas das outras, para um candidato e para outro candidato. O papel dos novos mandatários é seguramente o de reunificarem o Brasil. Buscarem encontrar, por meio da União, as soluções reclamadas pela sociedade brasileira”, disse.

De acordo com Pacheco, as instituições devem procurar acalmar os ânimos. Ele frisou que o futuro presidente da República deve governar para toda a sociedade, dar um “basta ao ódio e à intolerância” e recuperar o respeito pelas divergências. “Temos um país plural e diverso. O exemplo das instituições é fundamental para que a sociedade brasileira possa se reunir novamente e que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, possa governar para todos”, continuou.

Pacheco elogiou a apuração e disse que as eleições mostraram a confiabilidade das urnas eletrônicas. “No fim, o que identificamos foi a segurança, a lisura, a confiabilidade das urnas eletrônicas, que deram (…) resultados fidedignos da vontade popular de cada voto depositado nelas. Isso acabou sendo uma questão superada, em função desse trabalho duradouro e constante das instituições na afirmação da confiabilidade da Justiça Eleitoral”, admitiu Pacheco.

Propostas
Em relação à transição, o presidente do Senado prometeu que os parlamentares trabalharão para discutir e votar as propostas que faltam nos dois meses finais de governo e prometeu que a Casa trabalhará pela máxima eficiência da transferência de informações à próxima gestão (de Lula). Ele admitiu que o comportamento e a postura de Bolsonaro contribuirão para a transição. “Que a transição seja a mais eficiente possível. Para que novo governo possa colocar em prática o plano de governo a partir de 1º de janeiro. Acredito em transição pacífica e civilizada, não quero admitir hipótese contrária.”

Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a decisão dos brasileiros de eleger Lula “jamais deverá ser contestada”. “Ao presidente eleito, a Câmara dos Deputados lhe dá os parabéns e reafirma o compromisso com o Brasil, sempre com muito debate, diálogo e transparência. É preciso ouvir a voz de todos, mesmo divergentes, e trabalhar para atender às aspirações mais amplas.”

Lira afirmou que, passado o processo eleitoral, é hora de desarmar os espíritos, estender a mão aos adversários, debater, construir pontes, propostas e práticas que tragam mais desenvolvimento, empregos, saúde, educação e marcos regulatórios eficientes. “Tudo que for feito daqui para frente tem que ter um único princípio: pacificar o Brasil e dar melhor qualidade de vida ao povo”, defendeu. “A vontade da maioria jamais deverá ser contestada. Seguiremos em frente, na construção de um país soberano. Um Brasil no caminho das reformas, um Estado menor e mais eficiente. E esse recado foi dado e deverá ser levado a sério”, disse.

Segundo Lira, o momento não é de revanchismo ou de perseguições, mas de debater, dentro das instâncias democráticas, e avançar na melhoria da vida de todos e, principalmente, dos mais vulneráveis. O ex-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) disse que cumpria “o saudável dever democrático” de cumprimentar Lula. “Desejo ao presidente eleito toda a felicidade na honrosa missão a si concedida pela maioria de nosso povo.”

Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, avaliou que “saem de cena o grotesco, a barbárie e a intimidação como elementos indissociáveis do exercício cotidiano do poder; e a violação sistemática das leis e da Constituição como método de governar e como atalho para o atingimento de objetivos políticos e pessoais”.

Democracia
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou seu apoio a Lula nos últimos dias da campanha, limitou-se a postar uma curta mensagem em seu perfil no Twitter: “Parabéns Lula pela vitória. Venceu a democracia, venceu o Brasil!”, escreveu. FHC publicou uma foto em que aparece ao lado do presidente eleito.

No mesmo tom do ex-presidente, Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, destacou que, “acima de tudo, o país escolheu a democracia”. “Agora, temos que reconstruir um país destruído pela irresponsabilidade e pela incompetência. Na área ambiental, será uma longa jornada para refazer o que foi arrasado, a começar pela retirada dos invasores das áreas indígenas e pela retomada do combate ao crime ambiental. O pesadelo está quase no fim, porém não podemos esquecer que Bolsonaro ainda tem mais três meses com a caneta na mão e ainda pode, neste fim de mandato, promover mais retrocessos na agenda ambiental”, frisou.

Moraes manda redes sociais tirarem do ar post de Latino com fake news sobre Lula

Apoiador de Bolsonaro, cantor insinuou que, se Lula for eleito, banheiros passarão a ser unissex. Para Moraes, post busca ‘desinformar a população acerca de temas sensíveis’.

O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou às redes sociais YouTube e Twitter que retirem do ar uma publicação feita pelo cantor Latino com fake news sobre o ex-presidente Lula (PT).

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), o cantor publicou uma mensagem insinuando que, se Lula for eleito, meninas e meninos passarão a frequentar o mesmo banheiro nas escolas. A campanha de Lula, então, acionou o TSE e pediu que o conteúdo fosse retirado do ar.

Ao analisar o pedido, Alexandre de Moraes entendeu que a publicação busca “desinformar a população acerca de temas sensíveis”.

“A Constituição Federal não autoriza, portanto, a partir de mentiras, ofensas e de ideias contrárias à ordem constitucional, a Democracia e ao Estado de Direito, que os pré-candidatos, candidatos e seus apoiadores propaguem inverdades que atentem contra a lisura, a normalidade e a legitimidade das eleições”, escreveu Moraes.

O colunista do g1 Valdo Cruz informou que a campanha de Bolsonaro tem a chamada “guerra santa” como estratégia eleitoral, buscando atrair o eleitorado evangélico. Diante disso, Bolsonaro e seus apoiadores têm disseminado diversas fake news sobre Lula.

O próprio presidente Jair Bolsonaro tem dito em discursos que, se Lula for eleito, os banheiros passarão a ser unissex nas escolas. Lula, porém, nunca apresentou essa proposta nem disse que, se eleito, adotará tal medida.

Combate às fake news
O TSE tem adotado uma série de decisões para combater a disseminação de fake news durante o período eleitoral.

Nesta quinta (20), por exemplo, o tribunal aprovou uma resolução que dá mais agilidade ao processo de retirada do ar das fake news.

Um dia antes, na quarta (19), a proposta foi discutida numa reunião entre Moraes e representantes das plataformas digitais.

Além disso, em fevereiro, o TSE firmou um acordo com diversas redes sociais para que medidas fossem adotadas para conter as fake nes.

TSE suspende direito de resposta do ex-presidente Lula (PT) em programa eleitoral do presidente Bolsonaro (PL)

Com informações do Estadão Conteúdo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu, na noite da quinta-feira (20), direitos de resposta para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em guia eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A decisão da ministra Maria Cláudia Bucchianeri se refere a 164 inserções de 30 segundos que seriam concedidos a Lula na propaganda de Bolsonaro, que associava o petista ao crime organizado.

Na quarta-feira (19), Bucchianeri havia concedido os direitos de resposta, por julgar que os pontos levantados no programa eleitoral eram “sabidamente inverídicos por descontextualização.”

Maria Claudia Bucchianieri acolheu recursos pedidos pela campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL). Após a suspensão, Bolsonaro pode veicular suas inserções no horário político gratuito.

Bucchianieri dividiu a responsabilidade com a turma de juízes da Corte e abriu um prazo de 24 horas para que as campanhas de Lula e Bolsonaro se manifestem. O caso vai ao plenário para análise.

“Nesse contexto, recebo os presentes embargos declaratórios como recurso inominado […] e a ele atribuo, excepcionalmente, eficácia suspensiva, até respectiva análise colegiada”, escreveu a ministra.

DESINFORMAÇÃO
Uma representação da Coligação Brasil da Esperança aponta suposta veiculação de desinformação e ofensas contra a honra da coligação e de Lula em diferentes inserções da campanha de Bolsonaro na TV ao longo de sete dias.

Algumas das peças associam o petista à criminalidade. Somadas, as inserções podem chegar a mais de 1h concedida a campanha do ex-presidente.

 

Pandemia e corrupção pautam primeiro debate entre Lula e Bolsonaro neste segundo turno

Primeiro confronto direto entre os candidatos teve acusações e ofensas

Faltaram propostas e sobraram acusações e ofensas, enquanto temas como pandemia e corrupção dominaram os principais blocos do primeiro debate entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) neste segundo turno das eleições presidenciais.

Com um formato diferente – em que cada um dos candidatos podia usar, como quisesse, os 15 minutos que tinham em cada bloco de livres perguntas e respostas -, o debate foi promovido por um pool de veículos de comunicação formado pelo UOL, grupo Bandeirantes, Folha de S.Paulo e TV Cultura.

Pandemia
No primeiro bloco, os adversários concentraram boa parte das suas falas na questão da pandemia de Covid. A todo momento, tanto Lula quanto Bolsonaro tentaram descredibilizar a fala do seu oponente e as palavras mentiroso e corrupto foram as mais ditas. O petista várias vezes acusou o presidente de atrasar a compra das vacinas, ter feito pouco da doença e dos pacientes, propagar remédios sem eficiência, além do fato de terem surgido denúncias de corrupção na compra dos imunizantes. Já Bolsonaro negou que suas falas tenham sido em tom de deboche e alegou que não havia vacina para vender em 2020. Segundo ele, a CPI da Covid não quis investigar a corrupção do Consórcio Nordeste que era comandado por um aliado do petista.

Petrolão
No terceiro e quarto blocos, a corrupção foi o tema mais falado, mais especificamente, sobre os casos do Petrolão e do Orçamento Secreto. “Se houve corrupção na Petrobras, prendeu-se o ladrão que roubou, acabou. Prendeu porque houve investigação, porque no nosso governo nada era escondido”, ressaltou Lula.
“Eu comprei com o orçamento? Eu vetei. Derrubaram o veto. Agora, se eu comprei, eu tenho voto. Vamos supor que o senhor seja deputado, se o senhor recebeu um dinheiro do orçamento secreto, o senhor vai votar comigo. Eu tenho aqui uma lista preliminar, 13 deputados do PT que receberam recurso desse tal orçamento secreto”, alegou Bolsonaro referindo-se à acusação de que teria comprado votos do Centrão para aprovar os seus projetos. Alguns pedidos de resposta foram solicitados ao longo do debate e quase todos foram negados pelos organizadores.

Estratégia
Ainda no terceiro bloco, Lula errou na estratégia de uso dos seus 15 minutos, o que levou Bolsonaro a ter pouco mais de 5 minutos para falar sozinho. Uma de suas falas garantiu o direito de resposta a Lula.

No quarto e último bloco, nas considerações finais, Bolsonaro usou seu tempo para falar da pauta de costumes e disse que “quer um país sem drogas. Não queremos liberar as drogas, respeitamos a vida desde a sua concepção, respeito ao homem do campo, pelo direito a legítima defesa. E não o país do retrocesso e da roubalheira”. Já Lula falou novamente da pauta da fome e disse que “quero governar priorizando o cuidado com o povo. 33 milhões de pessoas passando fome, as pessoas na fila do osso”.

Pela primeira vez, publicamente Marília Arraes agradece apoio de João Campos

Rivais desde 2020 na disputa pela Prefeitura do Recife, Marília Arraes (Solidariedade) e o primo João Campos (PSB) estão unidos na campanha da postulante para governadora de Pernambuco.

“Quero fazer um agradecimento público ao prefeito João Campos, que, tão jovem, teve discernimento em favor da democracia. Em favor de um governo progressista aqui em Pernambuco. Ele nos ajudou a fazer essa unidade. Ele e o senador Humberto Costa, passaram por todas as divergências que pudessem acontecer, que hoje são muito menores do que tá em risco no nosso estado e no nosso país”

O pronunciamento aconteceu durante a coletiva de imprensa que antecedeu a caminhada com o ex-presidente Lula (PT), que está fazendo um giro pelo Nordeste e fortalecendo seu palanque para o segundo turno. A candidata demonstrou satisfação com o apoio do prefeito, que estava apoiando Danilo Cabral (PSB) no primeiro turno, assim como Lula.

Lula chega ao Recife e é recebido por João Campos e PT para ato de campanha com Marília Arraes

Lula veio à capital pernambucana para cumprir agenda em busca da consolidação dos votos no Nordeste, além de reafirmar o apoio a Marília Arraes (Solidariedade).

O ex-presidente e candidato petista à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou no Recife na noite desta quinta-feira (13) para participar de evento da sua campanha nesta sexta-feira (14) na capital pernambucana. Lula, que neste segundo turno apoia a candidatura de Marília Arraes (Solidariedade) ao governo de Pernambuco, foi recebido por aliado petistas, como o senador Humberto Costa, e o prefeito do Recife, João Campos (PSB) – que na eleição de 2020 travou uma intensa disputa com Marília e o PT.

“Acabei de receber, no aeroporto, o presidente Lula na sua chegada ao Recife. A sua vitória é a vitória do Nordeste. Seja sempre bem-vindo, presidente!”, escreveu o prefeito do Recife no Twitter.

Lula veio à capital pernambucana para cumprir agenda em busca da consolidação dos votos no Nordeste, além de reafirmar o apoio a Marília Arraes, que aparece atrás nas pesquisas deste segundo turno disputado com a tucana Raquel Lyra.

O ex-presidente e Marília Arraes participarão da caminhada Brasil da Esperança no Recife, nesta sexta-feira (14).

Antes da caminhada, Às 10h, Lula e Marília atenderão a imprensa na sede da Fetape, na rua Gervásio Pires, em Santo Amaro. Após a entrevista, seguem para a caminhada, que tem concentração no Parque Treze de Maio e saída da Rua do Hospício, às 11h, em direção ao Pátio do Carmo, no bairro de Santo Antônio.

Nesta semana, o governador Paulo Câmara, o senador Humberto Costa e o deputado federal Danilo Cabral se reuniram com 130 lideranças políticas da Frente Popular e definiram o objetivo da campanha em aumentar o percentual de 65% de votos para Lula, com a meta de chegar a 70%.

Apesar do empenho para a votação no petista, o PSB não tem mostrado a mesma atuação em relação a Marília, cuja a votação no âmbito estadual foi liberada pela legenda, com prefeitos aliados podendo optar pela subida no palanque de Raquel Lyra.

Ipec: Lula tem 55% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro marca 45%

A nova pesquisa do Ipec para o segundo turno das eleições presidenciais mostra uma diferença de 10 pontos percentuais entre os dois candidatos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 55% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro (PL) marcou 45%. Os números são os mesmos da última pesquisa, divulgada na última quarta-feira (5).

A métrica dos votos válidos é a mesma adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições, onde brancos e nulos são desconsiderados.

Em relação aos votos totais, Lula se manteve com 51%, enquanto Bolsonaro oscilou um ponto para baixo, e marcou 42%. Brancos e nulos são 5%, e 2% ainda não decidiram em quem votarão.

O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 130 municípios, entre sábado (8) e segunda-feira (10), e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02853/2022. O índice de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pelo Grupo Globo pelo valor de R$ 237.301,76.

Segundo turno: a distância que Bolsonaro e Lula devem percorrer para a vitória

O ex-presidente Lula ficou a dois pontos percentuais de ser eleito como o próximo presidente da República garantido do pleito de domingo (2). A marca representa pouco mais de 1,8 milhões de votos válidos. O petista atingiu 48,43% da preferência do eleitorado — 57.258.115 milhões de votos —, seguido pelo presidente, que recebeu 43,20% dos votos — 51.072.345 milhões.

Com isso, Bolsonaro precisaria de mais de 8 milhões de votos para triunfar sobre o adversário e conquistar a reeleição. Os votos que irão eleger Lula ou Bolsonaro devem partir da migração dos votos de quem escolheu Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) para presidir o país.

Tebet recebeu 4,9 milhões de votos e Ciro, 3,6 milhões. A soma dos dois é o número que Bolsonaro precisaria para ganhar o segundo turno, até com uma folga a mais. Os dois candidatos anunciaram no início da semana passada que apoiam Lula no segundo turno. Para vencer a eleição, o candidato precisa obter, no mínimo, 50% mais um dos votos depositados nas urnas em 30 de outubro.