Auditoria do TCE aponta possíveis irregularidades e prejuízo de mais de R$ 16 milhões em contratos da gestão João Campos no Recife

Relatório divulgado por colunista do Metrópoles cita indícios de superfaturamento, pagamentos antecipados e falhas na fiscalização de serviços contratados pela Prefeitura do Recife

Uma auditoria do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), divulgada pelo colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, trouxe à tona uma série de irregularidades identificadas em contratos firmados pela Prefeitura do Recife durante a gestão do ex-prefeito João Campos (PSB).

De acordo com o relatório técnico, foram encontrados indícios de superfaturamento, pagamentos realizados antes da execução dos serviços, cobranças consideradas indevidas e falhas na fiscalização contratual. O prejuízo estimado pelos auditores ultrapassa R$ 16 milhões.

Um dos casos mais emblemáticos envolve contratos para instalação de sistemas de energia solar em escolas municipais. Segundo a auditoria, alguns itens teriam sido contratados com valores significativamente acima dos praticados no mercado, além de haver questionamentos sobre a efetiva execução de parte dos serviços pagos.

As informações também se relacionam a investigações conduzidas pelo Ministério Público de Pernambuco, ampliando os questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos no período.

Embora o processo ainda esteja em tramitação e os envolvidos tenham direito à ampla defesa, os apontamentos do TCE colocam sob escrutínio uma administração frequentemente apresentada por seus aliados como referência de eficiência.

Afinal, quando os órgãos de controle falam em prejuízo milionário aos cofres públicos, a população tem o direito de conhecer os fatos e cobrar explicações.

Assita ao vídeo na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=MUXL8sFY1lA

Ailton Santana: o mestre pernambucano que transforma emoções em arte e conquista o mundo

Patrimônio Vivo de Pernambuco, artista de Correntes une cores vibrantes, sentimentos e referências do naïf ao surrealismo em obras reconhecidas internacionalmente

Quando dor, sentimentos, paixões e cores se encontram, surgem obras que revelam a força da expressão artística de Ailton Santana. Natural de Correntes, no Agreste de Pernambuco, o artista plástico construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade, criatividade e pela capacidade de transformar emoções em pinturas que atravessam fronteiras.

Desde muito cedo, Ailton Santana explorava seu lado artístico. Mesmo antes de compreender completamente o significado de suas criações, já percebia que a arte seria o caminho para materializar seus sentimentos e traduzir suas experiências em formas, cores e símbolos.

Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, o mestre pernambucano recebeu também o título de Patrimônio Cultural Material e Imaterial do município de Correntes, em 2015, reconhecimento que valoriza sua contribuição para a cultura local e para a preservação da identidade artística da região.

Sua obra é considerada por críticos uma fusão singular de referências como arte naïf, pop, conceitual, surreal e abstrata. Com um estilo próprio, Ailton Santana cria pinturas carregadas de intensidade cromática, onde cada tela revela emoções, memórias e interpretações sobre o mundo ao seu redor.

Artista visionário, ele afirma sua criação a partir do que sente, e não apenas do que observa. Suas obras expressam sentimentos como alegria, medo, amor, inquietação e esperança, construindo um universo visual marcado por cores vibrantes e uma forte dimensão poética.

Com mais de 40 exposições internacionais realizadas, Ailton Santana levou sua arte para países como França, Suíça e Marrocos, consolidando sua presença no cenário artístico mundial. Em suas passagens pelo exterior, participou de exposições, encontros culturais, performances e projetos que aproximaram a arte pernambucana de diferentes culturas.

Na França, onde possui uma relação artística construída ao longo dos anos, participou de mostras como na Maison du Folklore e no Forum das Artes & da Cultura, apresentando pinturas, instalações e oficinas participativas. Seus trabalhos também integraram encontros internacionais com artistas de diferentes países, reforçando a arte como uma ponte entre povos.

A produção de Ailton Santana também conquistou importantes admiradores no Brasil. Entre colecionadores de suas obras estão nomes como Ariano Suassuna e Francisco Brennand, além de outros artistas e intelectuais que reconhecem sua autenticidade e força criativa.

Além das pinturas, o artista desenvolve esculturas com materiais reciclados, como garrafas PET e pneus, ampliando seu olhar sobre transformação, sustentabilidade e reutilização. Sua obra une tradição popular, experimentação e uma profunda conexão com suas raízes.

Com uma carreira construída entre o Nordeste e o mundo, Ailton Santana reafirma o poder da arte como linguagem universal. Seu trabalho mantém viva a memória cultural de Pernambuco ao mesmo tempo em que apresenta ao cenário internacional a riqueza, a imaginação e as cores de um artista que transforma sentimentos em patrimônio.

Empresário sob investigação da PF na Operação Cobiça Fatal possui quase R$ 500 milhões em contratos no Maranhão

O empresário Marilson Oliveira Raposo voltou a ser destaque nas notícias após uma série de denúncias que chegaram ao blog Joerdson Rodrigues. O blog iniciou investigações que revelam a existência de uma extensa rede empresarial, que tem uma forte presença em contratos públicos tanto no Maranhão quanto em outros estados do Brasil sob a administração do empresário.

A investigação realizada ao longo de vários dias envolveu a análise de milhares de documentos públicos, consultas a sistemas de transparência e dados oficiais, além de informações provenientes de órgãos de fiscalização. O intuito era entender a magnitude das operações empresariais ligadas ao grupo capitaneado por Marilson, bem como o volume financeiro gerado por contratos com entidades públicas.

As análises demonstraram que Marilson Raposo já foi investigado em várias ocasiões por agências policiais. Em 2020, ele foi um dos alvos da Operação Cobiça Fatal, desencadeada pela Polícia Federal para investigar supostas irregularidades em processos licitatórios e possíveis desvios de verbas federais destinadas ao combate à pandemia da Covid-19 em São Luís.

A operação focou na coleta de evidências e na ampliação das investigações sobre contratos na área da saúde. É importante destacar que ser investigado não implica em condenação judicial, garantindo aos envolvidos os direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório.

Em 2017, Marilson também foi mencionado em uma operação conduzida pela Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), com o auxílio do Instituto de Criminalística. Naquela ocasião, foram cumpridos mandados judiciais relacionados a investigações sobre fraudes em medidores de energia elétrica em um condomínio no bairro Cohajap, em São Luís.

Rede empresarial e contratos públicos

A pesquisa realizada pelo blog Joerdson Rodrigues revela que as empresas vinculadas ao grupo empresarial liderado por Marilson Raposo têm uma participação significativa em licitações e contratos administrativos com órgãos públicos estaduais, municipais e federais.

A investigação identificou diversos CNPJs associados a familiares do empresário, incluindo aqueles registrados em nome da esposa e do filho dele. Esses parentes aparecem como sócios ou administradores em várias firmas que operam principalmente nas áreas de terceirização de mão de obra, serviços administrativos e fornecimento de pessoal.

Apenas nos sistemas analisados, foram encontrados cerca de 220 contratos firmados com instituições públicas do Maranhão, totalizando aproximadamente R$ 375 milhões.

No entanto, as estimativas indicam que o total pode ser ainda maior. Isso se deve ao fato de que os dados levantados não incluem todos os contratos com instituições federais no Maranhão, como a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), além dos aditivos desses contratos.

Caso todos os acordos sejam contabilizados, é possível que o valor total ultrapasse R$ 500 milhões, conforme as estimativas baseadas nas informações analisadas pela reportagem.

Falhas na transparência dos dados

Outro ponto observado durante a investigação diz respeito a possíveis falhas na atualização dos sistemas utilizados pelo Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA).

A análise documental revelou que alguns contratos não puderam ser localizados nos sistemas SACOP e SIC-Contrata, usados para monitorar as contratações públicas. A falta dessas informações compromete a consolidação dos dados e pode prejudicar a transparência exigida para órgãos fiscalizadores e para a sociedade civil.

Atuação interestadual

A investigação também sugere que as empresas ligadas ao grupo têm atuação fora das fronteiras maranhenses. Foram encontradas participações em licitações e contratos em estados como Goiás, Alagoas e no Distrito Federal.

A documentação analisada indica ainda que representantes comerciais e procuradores atuam em diversas regiões do país, uma estratégia comum entre empresas que operam nacionalmente em processos licitatórios.

Além da atuação junto a órgãos estaduais e municipais, o grupo também possui contratos com universidades federais e outras instituições públicas espalhadas pelo Brasil.

Caso Globalserv chama atenção

Uma reportagem publicada pelo blog Joerdson Rodrigues no dia 11 de junho destacou que essa empresa, atualmente sob gestão de Maurício Oliveira Alcântara Raposo, um jovem de 20 anos, está envolvida numa contratação que pode chegar quase a R$ 10 milhões com o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) para serviços terceirizados. Maurício é filho de Marilson.

Segundo fontes próximas ao empresário, há indícios de que Marilson estaria buscando maneiras nos bastidores para assegurar esse contrato ao filho como um tipo de introdução no mundo das licitações.

Documentos examinados pela reportagem mostram que essa empresa tem um histórico relevante na participação em contratos públicos e está inserida no contexto das empresas associadas ao núcleo investigado pelo blog.

A matéria também incluiu relatos sobre questionamentos acerca da competitividade das licitações vencidas pelo grupo nos últimos anos. Contudo, essas alegações carecem da apuração pelos órgãos competentes para determinar sua veracidade.

Próximos capítulos

Diante da quantidade significativa de documentos analisados e da complexidade da estrutura empresarial identificada, as investigações jornalísticas continuam avançando.

As próximas reportagens devem oferecer detalhes sobre a composição societária das empresas envolvidas, a evolução patrimonial do grupo empresarial, a distribuição dos contratos entre diferentes órgãos públicos e os vínculos empresariais encontrados durante as apurações. A finalização incluirá análises sobre holdings familiares.

O espaço permanece aberto para manifestações das pessoas mencionadas nesta matéria, respeitando os princípios do contraditório, da ampla defesa e do jornalismo responsável.